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Censo Escolar

ES registra redução de matrículas para a educação de jovens e adultos

Levantamento do Inep mostra que houve queda de quase 10% no número de inscrição; especialista explica motivos para essa diminuição e medidas para reverter situação

Publicado em 09 de Fevereiro de 2023 às 15:04

Aline Nunes

Publicado em 

09 fev 2023 às 15:04
Professor na sala de aula
Matrículas em turmas de jovens e adultos reduziram no Espírito Santo Crédito: Divulgação/Pexels
Modalidade criada para corrigir distorções no processo de ensino e aprendizagem, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) apresenta, ano a ano, redução no número de matrículas.
No levantamento mais recente do censo escolar, divulgado nesta quarta-feira (8) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o Espírito Santo registrou, em 2022, 45.474 estudantes matriculados enquanto em 2021 foram 50.089, isto é, uma queda de 9,2%. 
A maior parte da oferta é feita pela rede estadual, onde a redução chegou a 9,8%: passou de 35.543 matrículas de ensino fundamental e médio para 32.039 no intervalo de um ano. Na rede municipal, a diminuição foi de mais de 15%, saindo de  13.478 alunos matriculados em 2021 para  11.418. 
A EJA é voltada para um público que não conseguiu terminar a educação básica na idade certa e pode voltar à sala de aula para concluir os estudos. 
ES registra redução de matrículas para a educação de jovens e adultos
Membro do Fórum de EJA do Espírito Santo, o doutor em Educação Carlos Fabian de Carvalho ressalta que, ao contrário do que costuma ser alegado por gestores públicos, há demanda para a modalidade de ensino, porém a oferta tem sido reduzida sistematicamente. 
"Estados e municípios têm fechado turmas, escolas de EJA, na justificativa de que a demanda não aparece ou pelo número de evasão. Jogam a responsabilidade nas práticas pedagógicas ou mesmo no indivíduo, dizendo que havia a escola e o jovem ou adulto não quis. Tem toda uma lógica em que se pensa a EJA não como um direito, mas como se fosse um benefício concedido", pontua.
Carlos Fabian observa, porém, que é preciso levar em consideração o perfil do público–alvo da EJA. Na pandemia, exemplifica, muitos desses jovens e adultos trabalhadores optaram pela sobrevivência em detrimento da educação.
Por essa razão, o educador defende que sejam implementadas políticas intersetoriais para garantir o acesso e a permanência desses alunos em sala de aula. "Uma jovem mãe precisa de um lugar para deixar o filho, ou podem ser necessárias políticas de saúde para aferir a acuidade visual de alunos, além disso, a oferta precisa estar articulada à educação profissional integrada", relacionou.
Para Carlos Fabian, é necessário também pensar em oferta em diferentes turnos, não se concentrando apenas à noite, uma vez que a realidade de muitos é de trabalho noturno e precisam de outras opções. Além disso, assim como é realizado para a educação regular, o educador sugere que seja criado um "Dia D" para convocar esse público a se matricular e, nos casos em que eles deixarem a escola, seja feita a busca ativa. "Não fazem isso e, se o aluno não aparece, fecham. Nunca ouvi falar que fazem isso na educação infantil, mas se tem muita facilidade para fechar a escola de jovens e adultos."
Secretaria de Estado da Educação (Sedu) foi procurada para falar sobre a oferta da EJA e os dados do censo escolar, mas, segundo a assessoria, vai apenas se manifestar após análise dos indicadores. 

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