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Entenda por que os jovens são os que mais deixam de se vacinar contra Covid no ES

Quase metade das mais de 163 mil pessoas que se recusam a tomar o imunizante contra o vírus no Estado tem entre 18 e 29 anos

Tempo de leitura: 4min
Vitória
Publicado em 18/01/2022 às 15h05
Aplicação da dose de reforço da vacina contra Covid-19
Jovens são quase metade dos que não vacinaram contra a Covid no ES. Crédito: Elizabeth Nader / PMV

Mais de 163 mil pessoas que poderiam ter recebido a vacina contra a Covid-19 no Espírito Santo ainda não se imunizaram contra a doença que já causou mais de 620 mil mortes em todo o Brasil. De acordo com um balanço da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), 47,8% desse total são jovens que têm entre 18 e 29 anos. São 78.104 indivíduos que não tomaram a vacina, seja porque têm alguma contraindicação ou simplesmente porque optaram por não fazê-lo.

O dado preocupa especialistas e governo principalmente porque essa é uma faixa etária ativa na força de trabalho, além de ser o grupo de pessoas que costuma frequentar shows e outros eventos. Com isso, ficam mais suscetíveis a pegar a doença e a transmitir para outras pessoas, até mesmo as vacinadas.

Ademais, pessoas não vacinadas, mesmo que não fiquem gravemente doentes, podem servir de "incubadora" para o vírus, favorecendo mutações que podem escapar aos imunizantes existentes, como ocorreu com a Ômicron.

Especialistas afirmam desde o início do processo de imunização, em janeiro de 2021, que a vacina em um cenário de pandemia é uma estratégia coletiva, por isso há necessidade de ampla e irrestrita aplicação de doses. Isso significa que quando um grupo se recusa a ser imunizado, ele prejudica o combate ao vírus de forma geral.

De acordo com o imunologista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Daniel Gomes, a escolha por não se vacinar expõe outras pessoas, inclusive aquelas vacinadas, ao risco de infecção pelo coronavírus. O médico aponta que os jovens são parte da população economicamente ativa, aquela parcela que atua na força de trabalho. Isso quer dizer que quase metade dos não vacinados podem trabalhar e estudar em ambientes com outras pessoas, além de utilizarem o transporte público, por exemplo.

Médicos ouvidos por A Gazeta apontam o movimento antivacina como um dos fatores que influenciam jovens a não tomarem as doses contra a Covid. A ideia dos grupos que criam e reproduzem conteúdos falsos é tirar o crédito das vacinas, que são seguras, eficazes e autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

78.104

pessoas, com idades entre 18 a 29 anos, que não se vacinaram no Estado

Ainda segundo Daniel Gomes, o apelo dos grupos antivacina pode estar atrelado à ideia de imunidade apenas pela idade, que dá uma falsa sensação de segurança para esse grupo. Embora os idosos tenham mais chance de evoluir para quadros graves, os mais jovens não estão imunes ao vírus, independentemente da condição física da pessoa.

Daniel Gomes

Imunologista e professor da Ufes

"Grupos antivacina são responsáveis por propagar desinformação, possuem uma organização muito definida, estão muito bem organizados. Entre os jovens, acredito que haja uma falsa impressão de não fazerem parte do grupo de risco. Isso é maior que o próprio negacionismo, mas é uma forma de negar a vacina. É muito complexo e preocupante"

E A ÔMICRON COM ISSO?

A chega da variante Ômicron mostrou a todos os perigos dos "buracos na vacinação". Isso porque é através da transmissão entre pessoas não vacinadas que o vírus sofre mutações, podendo se tornar mais transmissível (como o caso da Ômicron), ou mais letal.

O médico imunologista Daniel Gomes explica que os jovens podem servir como incubador desse processo. Ao ser vacinado, o corpo humano é estimulado a produzir uma proteção contra a doença, antes mesmo de uma infecção. Por isso, ao se infectar com a Covid, o organismo de um vacinado deve reagir melhor.

"Os jovens são pessoas que podem servir como incubadora do vírus. Isso favorece mutações, promovendo o surgimento de novas variantes. Esse buraco na vacinação pode jogar tudo a perder com os resultados que conseguimos até aqui."

O infectologista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo Crispim Cerutti Júnior alerta para o maior contágio com a Ômicron. A variante se tornou predominante no Espírito Santo, sendo presente em 97% dos casos registrados. O professor explica que quanto maior a circulação dos jovens não vacinados, maior deve ser a transmissão do vírus. "Eles são um elemento importante na cadeia de transmissão", comenta.

A mutação, como explica Crispim, acontece ao longo do tempo e ocorre por combinações diferentes de elementos genéticos. Segundo o infectologista, os vírus sofrem mudanças, e sobrevivem aqueles que se adaptam melhor ao hospedeiro.

INTERNAÇÕES DE NÃO VACINADOS

O secretário chamou atenção para os mais de 450 mil capixabas que estão com o esquema vacinal atrasado. São pessoas que podem, mas não voltaram para receber a segunda, terceira ou quarta dose. Nésio Fernandes afirma que os parcialmente vacinados representam "percentual importante das internações hospitalares".

Segundo dados do Painel Vacina e Confia, atualizado pelo Governo do Estado, mais de 6,8 milhões de doses já foram aplicadas no Espírito Santo - contabilizando primeiras, segundas, terceiras, quartas, além de dose única.

A Sesa informou que são 163.228 pessoas aptas a receber a vacina que ainda não receberam nenhuma dose. Eles estão divididos da seguinte forma:

  • Entre 18 e 19 anos: 10.226 não tomaram a vacina
  • Entre 20 e 29 anos: 67.878 não tomaram a vacina
  • Outras idades: 85.124 não tomaram a vacina
  • Total: 163.228 pessoas não tomaram a vacina

Não são consideradas nesse cálculo nem as crianças de 0 a 5 anos, que ainda não tiveram a vacinação autorizada no Brasil, e  nem as crianças de 5 a 11 anos, que acabaram de começar a ser vacinadas contra a Covid-19.

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