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Entenda como funciona a pílula da Pfizer contra a Covid-19

Tratamento é utilizado em casos leves, impedindo que a doença se agrave. São três pílulas ministradas duas vezes por dia por cinco dias. O remédio apresentou 89% de eficácia no combate a doença

Tempo de leitura: 4min
Colatina
Publicado em 16/01/2022 às 14h12
Pfizer aprova primeiro comprimido contra a covid-19, vendido com o nome de Paxlovid.
Pfizer aprova primeiro comprimido contra a covid-19, vendido com o nome de Paxlovid. Crédito: Reuters | Dado Ruvic

O enfrentamento à pandemia da Covid-19 ganhou recentemente mais um aliado: a pílula antiviral da farmacêutica Pfizer contra o coronavírus, que ganhou o nome de Paxlovid. O medicamento está sendo utilizado no tratamento de pacientes com casos leves, e busca impedir que a doença se agrave. Ele apresentou 89% de eficácia durante a fase de estudos e já foi aprovado para uso pelos Estados Unidos, Israel e Reino Unido.

O antiviral ainda não chegou ao Brasil, mas o primeiro infectado com Covid-19 a ser tratado com ele foi um brasileiro. O economista Simcha Neumark, de 33 anos, nasceu em São Paulo e mora em Jerusalém, Israel, desde 2013. Ele foi diagnosticado com a doença e foi escolhido para ser o primeiro a receber o remédio após procurar seu plano de saúde.

O tratamento com a Paxlovid consiste em ingerir três pílulas duas vezes por dia, por cinco dias. Duas são do comprimido da Pfizer e uma, de outro antiviral.

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“São dois antivirais administrados, um específico para inibir uma enzima da Sars-Cov-2 (coronavírus), e outro é o ritonavir, uma substância utilizada para atrasar o desenvolvimento do vírus no corpo”, explica Margareth Dalcolmo, médica pneumologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

“Esses medicamentos rompem as estruturas do vírus e impedem que ele se multiplique. Assim fazendo esse combate, impedindo o paciente de evoluir para um internação, ou até vir a óbito" afirma o médico infectologista, Crispim Cerutti Junior.

A recomendação é de que o tratamento seja iniciado até cinco dias após os primeiros sintomas. O remédio, segundo a Pfizer, pode ser utilizado em doentes a partir dos 12 anos de idade que estejam em estágio inicial de Covid.

ESTUDOS

A pílula foi testada em 2.250 pacientes com quadros leves ou moderados de Covid-19. Menos de 1% dos que tomaram a droga tiveram que ser internados e não houve mortes no período de 30 dias de pesquisa conduzida pela farmacêutica. No grupo que recebeu apenas um placebo, 6,5% dos pacientes foram hospitalizados e nove morreram.

Os testes indicaram que a pílula reduziu em 89% o risco de internação e morte em decorrência da doença entre os adultos mais vulneráveis ao vírus, tratados dentro de três dias após o início dos sintomas. A maior parte dos eventos adversos foram de intensidade leve.

A empresa já disse que o medicamento é eficaz também em quadros causados pela nova variante Ômicron. A Pfizer declarou esperar que o regime posológico (maneira como um medicamento é administrado) aprovado surta efeito também em pessoas com 12 anos ou mais, que tenham ao menos 40 kg. Porém, destaca, os ensaios clínicos não contaram com pacientes com menos de 18 anos.

NÃO É TRATAMENTO PRECOCE

Não se trata de tratamento preventivo, afirma o médico infectologista, Crispim Cerutti Junior. “O antiviral é utilizado em pacientes que já estão infectados com o vírus, e que apresentam casos leves ou moderados”.

Crispim esclarece que a pílula da Pfizer não pode ser comparada à hidroxicloroquina, ou outros medicamentos, como a Ivermectina, apontados pelo governo do presidente Jair Bolsonaro como supostos tratamentos precoces contra a Covid-19. A Organização Mundial da Saúde (OMS) rejeitou de forma conclusiva e, em dezembro, contraindicou “fortemente” a utilização desses medicamentos.

“São medicamentos com estratégias totalmente diferentes. O antiviral tem a capacidade de frear a ação dos vírus. Já a hidroxicloroquina, teria, o que já comprovado que não tem eficiência pelos próprios fabricantes, ação indireta sobre a doença, atuando contra os efeitos do coronavírus”, aponta.

NÃO SUBSTITUI A VACINA

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Vacina ainda é principal arma contra o coronavírus. Crédito: Thânia Rego/Agência Brasil

O infectologista afirma também que a existência de antivirais contra a Covid-19 não tira a importância da vacinação contra a doença. “A vacina tem a ação de prevenção, evitar que muitas pessoas se contaminem ao mesmo tempo, e até, caso a pessoa se contamine, evitar casos graves”.

Já a pílula criada pela Pfizer é um tratamento, ou seja, só tem eficácia uma vez que a pessoa já se infectou com o coronavírus e está doente.

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