Em 10 anos, cidade do ES entrou 9 vezes em lista das piores em saneamento
Dia Mundial da Água
Em 10 anos, cidade do ES entrou 9 vezes em lista das piores em saneamento
Desde 2014, Cariacica ficou de fora da lista das 20 piores cidades em saneamento apenas em 2016; ranking avalia abastecimento de água e coleta de esgoto das 100 maiores cidades do país
Cariacica diz que já avançou em investimentos para ampliar a cobertura de esgoto em 100% da região urbanaCrédito: Divulgação
Nos últimos 10 anos, a cidade de Cariacica, na Grande Vitória, apareceu nove vezes na lista das 20 piores cidades do Brasil em saneamento básico. No estudo Ranking do Saneamento 2023, realizado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com GO Associados e publicado na semana do Dia Mundial da Água, comemorado nesta quarta-feira (22), Cariacica ficou na 82ª colocação entre os 100 maiores municípios do país. Portanto, o município é considerado o 18º pior em saneamento.
Nas avaliações feitas desde 2014, Cariacica só não apareceu entre os 20 piores no ano de 2016, quando acabou na 79ª colocação. Em relação aos últimos seis anos, o posicionamento do município no ranking ficou variando entre as posições 85 e 88 nesse período. No ano passado, tinha ficado como 15ª pior cidade.
Em primeiro lugar está São José do Rio Preto (SP), seguido por Santos (SP), Uberlândia (MG) e Niterói (RJ). Na outra ponta, em último lugar, estão Macapá (AP), Marabá (PA) e Porto Velho (RO).
A cidade do Espírito Santo mais bem colocada é Vitória, que ficou na 41ª posição. A Serra apareceu como a 51ª cidade em saneamento, e Vila Velha ocupou a 57ª colocação.
Em 10 anos, cidade do ES entrou 9 vezes em lista das piores em saneamento
O relatório faz uma análise dos indicadores do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), ano de 2021, publicado pelo Ministério das Cidades. Desde 2009, o Instituto Trata Brasil monitora os indicadores dos maiores municípios brasileiros com base na população, com o objetivo de dar luz a um problema histórico vivido no país. Os dados do SNIS apontam que o país ainda tem grandes dificuldades com o tratamento do esgoto, do qual somente 51,20% do volume gerado é tratado — isto é, mais de 5,5 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento são despejadas na natureza diariamente
Os dados mostram que há um total de 35 municípios que possuem 100% de atendimento total de água, ou seja, possuem serviços universalizados. Existem, ainda, outros 11 municípios com valores de atendimento superiores a 99%, estando também com serviços universalizados, de acordo com a lei.
Para elaborar o ranking, o instituto avalia uma série de indicadores do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). como investimento de 2017 a 2021, indicadores de atendimento de água, de esgoto e de perdas no faturamento e na distribuição.
“Nesta edição do ranking, é observado que, além da necessidade de os municípios alcançarem o pleno acesso à água potável e ao atendimento de coleta de esgoto, o tratamento dos esgotos é o indicador que está mais distante da universalização nas cidades, mostrando-se o principal gargalo a ser superado”, ressalta Luana Pretto, presidente-executiva do Trata Brasil.
O que diz a prefeitura
Sobre a posição no Ranking do Saneamento, a Prefeitura de Cariacica informou que o levantamento considera dados de dois anos atrás e, por isso, não engloba avanços já conquistados nos dois anos da atual gestão.
"Por isso, no próximo ano o município estará bem melhor colocado. A prefeitura informa, ainda, que a atual gestão, com a ajuda do governo do Estado, já avançou em investimentos para ampliar a cobertura de esgoto em 100% da região urbana do município e captou investimentos da ordem de centenas de milhões de reais para obras no município", justificou a prefeitura, em nota.
A prefeitura destaca que, em 2022, revisou o Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) contemplando os eixos água e esgoto, prevendo um cronograma em curto, médio e longo prazos a fim de aumentar a eficiência visando à melhoria dos índices de qualidade do saneamento municipal.
Ainda segundo a administração municipal, desde 2021 foram recebidas 305 denúncias relativas ao lançamento irregular de efluentes, tendo sido os responsáveis autuados com base no Código Ambiental Municipal e notificados a providenciar sistema individual de tratamento de esgoto (no caso de regiões não contempladas pelo sistema de esgotamento sanitário) ou realizar a interligação ao sistema de esgotamento sanitário existente.
Por fim, em 2022 o município fez um decreto que impõe medidas a serem adotadas para obrigatoriedade na interligação ao sistema de esgotamento sanitário. A partir desta publicação, diz que está intensificando a atuação para reduzir os impactos ambientais causados pelos lançamentos irregulares.
A engenheira civil da Cesan Diênifer Calegari Leopoldino Guimarães informou que a companhia de saneamento tem investido na melhoria da infraestrutura, regularização de áreas e conscientização dos consumidores com comprometimento para melhorar a posição do ranking.