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Publicado em 11 de janeiro de 2021 às 17:21
- Atualizado há 5 anos
O governo do Espírito Santo trabalha com a hipótese de alguma variação do coronavírus já estar circulando no Estado. A afirmação foi feita pelo próprio secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, na tarde desta segunda-feira (11), durante coletiva virtual. >
"O Espírito Santo não é uma ilha, temos uma circulação liberada em todo País de pessoas por via aérea e terrestre. É possível que novas variações do vírus estejam presentes em solo capixaba e que elas sejam responsáveis pelo comportamento da segunda expansão da doença nos territórios que tiveram uma primeira onda muito bem caracterizada e definida", pontuou o secretário. >
Desde que o novo coronavírus teve o seu genoma divulgado, em janeiro do ano passado, várias cepas já foram identificadas. Uma delas levou o Reino Unido, onde ela se alastrou, a decretar logo no início de janeiro um novo lockdown. >
Outra surgiu na África do Sul, com múltiplas mutações e, na sequência, uma nova versão do vírus também foi identificada no Brasil. Todas aumentaram a capacidade do vírus de contaminar, inclusive afetando também mais crianças, o que ameaça até a volta as aulas. >
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“O coronavírus encontrou uma forma de ser mais transmissível. Embora não provoque casos mais graves da Covid-19, por ser mais contagioso a partir destas mutações, provoca mais mortes, por afetar um volume maior de pessoas, incluindo as que possuem comorbidades, que fazem parte dos grupos de risco”, aponta Ethel Maciel, que é pós-doutora em Epidemiologia pela Johns Hopkins University, nos EUA, e professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).>
Apesar do secretário Nésio Fernandes reconhecer que novas variações do vírus podem estar circulando no Estado, ainda não há registro oficial, o que deve acontecer ao longo do ano de 2021. >
A confirmação científica de mutações do coronavírus deve vir por meio da análise de materiais coletados de capixabas que apresentam doenças respiratórias e procuram atendimento médico ao longo do ano. A coleta também acontece em outros estados do País, pois trata-se de uma método nacional para a construção da vacina antigripal distribuida anualmente.>
O material é encaminhada para a Fiocruz, onde é realizada a análise de identificação dos vírus predominante que circula em determinada população e, assim, é confeccionada a vacina adequada. >
O subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, explica que o Espírito Santo já pensou na hipótese de mutação desde o início da pandemia, quando ampliou os postos de coleta de material de doença respiratória. >
"Nós tínhamos dois pontos de coleta no Estado. No início da pandemia, porém, o secretário nos deu uma diretriz para que fossem ampliados para 12 pontos de coleta de material, que já é encaminhada periodicamente para a Fiocruz , onde se faz exames próprios de identificação de um vírus e isso constrói uma base nacional para se compreender a predominância da circulação viral. Especificamente para o Espírito Santo, nós ainda não tivemos nenhuma identificação de uma nova cepa circulando e que tenha sido identificada pela Fiocruz", esclareceu. >
Uma nova cepa do coronavírus pode ter um impacto negativo para a volta às aulas não apenas no Espírito Santo como em todo o mundo. As cepas que já existem mostram que as mutações estão “mais eficiente” em contagiar as crianças, fato que se reflete diretamente na reabertura das escolas. >
É comum vírus sofrerem mutação. À medida em que vão trocando de hospedeiro, o material genético que é replicado gera pequenas diferenças, como se fosse uma adaptação a uma nova espécie. Cada vez que estas mudanças ocorrem vão surgindo novas cepas - também chamadas de linhagens ou variantes - que podem conter uma ou mais mutações. >
No caso do novo coronavírus, já ocorreram várias mutações, uma delas, identificada na Espanha em 2020, foi responsável por cerca de 40% dos contaminados na 2ª onda que atingiu o país e ainda outros do continente. Outra, identificada na Dinamarca, levou ao sacrifício de 17 milhões de visons. O Instituto Statens Serum, que lida com doenças infecciosas naquele país, anunciou que uma mutação do SARS-CoV-2 (novo coronavírus) tinha sido encontrada em doze pessoas que estavam em cinco fazendas de criação de visons. >
No fim de dezembro de 2020, a chamada B.1.1.7 foi identificada no Reino Unido. Duas semanas depois ela estava em mais de 27 países. Logo em seguida foi identificada a mutação da África do Sul. Em matéria da CNN Brasil, o ministro de Saúde britânico, Matt Hancock, relatou que a variante sul-africana é ainda mais perigosa do que a mutação altamente infecciosa identificada no Reino Unido. >
O retorno das atividades escolares poderia ampliar a transmissão do vírus, aumentando também o número de novos casos e de internações. Isso porque embora crianças e jovens não tenham tendência a desenvolver a forma mais grave da doença, eles teriam mais chances de serem infectados pela cepa mais contagiosa e podem acabar contaminando pessoas do grupo de risco. >
O secretário Nésio Fernandes afirmou essas mutações também estão sendo consideradas pelo comitê que trata a volta às aulas. O grupo foi criado na última semana pelo governador Renato Casagrande e contará com a Associação de Municípios do Espírito Santo (Amunes), Ministério Público Estadual, Secretaria Estatual de Educação e Secretaria Estadual de Saúde. >
"Em nenhum momento o Estado menosprezou a força de transmissão da doença, a proporção da pandemia. Todas as decisões são orientadas pela ciência, estamos considerando os estudos e publicações sobre novas cepas. Nós reconhecemos que as atividades escolares são atividades essenciais e que, sempre desde que não incrementem o risco de transmissão e se respeite os protocolos e distanciamento, elas devem ser preservadas. Novas atualizações vão ocorrer ao longo desse mês, na medida que exista segurança para preservar o acesso ao direito à educação sem nunca menosprezar evidências e riscos e sem colocar nossa população sobre o risco de transmissão", descreveu Nésio Fernandes. >
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