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Dez dicas para ajudar as famílias nas aulas on-line das crianças

Com a pandemia da Covid-19 e a suspensão das atividades presenciais nas escolas, a rotina em casa precisou de ajustes; maior preocupação é com aprendizagem

Publicado em 04 de Maio de 2021 às 02:00

Aline Nunes

Publicado em 

04 mai 2021 às 02:00
Karla Lúcia Locateli Modenesi Lombardi e os filhos Guilherme e Helena
Karla Lombardi e os filhos, Guilherme e Helena: revisão das atividades depois da aula Crédito: Acervo pessoal
Após passar 2020 quase todo sem aulas presenciais devido à pandemia da Covid-19, os alunos e seus pais iniciaram 2021 na expectativa que fosse um ano diferente. Porém, março chegou e a crise sanitária fechou novamente as escolas. Nos municípios em risco alto e extremo de transmissão da doença, a restrição permanece. 
Mesmo quando a volta for autorizada, o ensino remoto vai continuar a fazer parte do dia a dia de muitas famílias. Diante desse cenário, especialistas dão dicas para ajudar na organização das aulas on-line, favorecendo a aprendizagem. Esse ponto, inclusive, é a principal preocupação de muitos pais: crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizado.
 A empresária Karla Lúcia Locateli Modenesi Lombardi tem dois filhos em idade escolar - Guilherme, de 13 anos, e Helena, de 8 - e fica angustiada com a possibilidade deles não conseguirem desenvolver completamente as habilidades da série que estão cursando porque não vão para a escola. 
Karla não pode acompanhar as aulas on-line junto dos filhos devido aos compromissos de trabalho, mas procura ajudá-los na revisão das atividades depois. 
"Nas aulas, eles têm que andar com as próprias pernas, ficam por conta deles. A Helena precisa de uma atenção maior e, nos dias de prova, eu procuro estar junto. Ela nunca tinha feito nem uma prova escrita, e a primeira já foi on-line. Então, troco toda a minha rotina para acompanhar, mas não é sempre que posso. Fico preocupada deles terem prejuízo na aprendizagem porque não é a mesma coisa que estar na escola, não é uma vivência de sala de aula, com interação com o professor e os outros alunos", pontua.
O dia a dia para o uso dos recursos tecnológicos, segundo Karla Lombardi, não é mais um problema. A empresária conta que 2020 serviu para que os filhos se adaptassem bem ao ensino remoto nesse aspecto. A escola em que estudam também fez alguns ajustes, tornando o processo mais adequado, em sua avaliação. Ainda assim, ela tem dúvidas sobre a aprendizagem e as perdas relacionadas à falta de convívio com outras crianças da faixa etária.
A neuropsicopedagoga Luciana de Oliveira Matos diz que tem conversado muito com as famílias, ressaltando que o momento é de construir a autonomia  das crianças aproveitando essa modalidade de ensino. Ela reconhece que a falta de interação, do convívio presencial é um fator negativo das aulas on-line, porém desde o ano passado os estudantes têm desenvolvido outras habilidades para se adaptar ao novo tempo. 
Quanto à aprendizagem, a especialista observa que os pais precisam se acalmar e lembrar que as outras crianças da turma do filho estão do mesmo jeito: recebendo os mesmos estímulos e conteúdos.
"Não estamos vivendo o melhor cenário, mas, dentro desse cenário, estamos fazendo o melhor possível. O que tiver de perda, a escola vai recuperar. Foram feitas avaliações na volta às aulas este ano, as escolas começaram o processo de recuperação e vão continuar", ressalta Luciana, que também atua em sala de aula.
A neuroeducadora Cláudia Pelegrini Abreu reforça a importância da rotina para as crianças e adolescentes terem melhor aproveitamento, seja nas aulas on-line, seja no ensino presencial assim que o retorno às escolas for autorizado. 
"O cérebro precisa disso para fazer todo o processo de aprendizagem. Não adianta colocar na melhor escola, se não aprender desde cedo a ter rotina. Ele não vai conseguir se concentrar, se dedicar aos estudos", ressalta. Ela e Luciana atuam na clínica Neuroeducar, e reuniram essas e outras dicas para as famílias. Confira:
Aulas a distância tem se mostrado um desafio para alunos e professores
Crédito: August de Richelieu/Pexels

CUIDADO COM A SAÚDE MENTAL

Quando a família cria uma rotina, com horários para acordar,  fazer as refeições e dormir,  a criança também deve ser inserida nesse contexto, com o tempo reservado para estudar e brincar. Mas é importante ter atenção a alguns aspectos: sem contar o momento da aula, que é o estabelecido pela instituição de ensino, as outras atividades escolares devem ser colocadas na rotina em horários em que a criança não está com fome ou sono, por exemplo. Essas sensações podem prejudicar o aprendizado. A hora da aula on-line também não é para comer, o que tira a atenção do próprio aluno  para as atividades e dos outros colegas que estão no ambiente virtual; o lanche deve ser feito apenas no intervalo. 
O tempo de utilização de eletrônicos para o lazer - celular, tablet, computador, videogame - não deve passar de 3 horas (o período varia conforme a faixa etária).  O uso excessivo compromete o desenvolvimento.
Acompanhar as aulas do lado ou não das crianças é algo que, a essa altura, já está na organização familiar desde que as aulas on-line começaram em 2020. Então, se uma criança vem sendo assistida mais de perto pelos pais, não é para simplesmente deixá-la agora totalmente sozinha. A autonomia, uma habilidade muito importante para a vida, pode ser construída de outras maneiras, e uma delas é deixar que a própria criança organize livros, cadernos e o restante do material das aulas do dia. Muitas vezes a autonomia também é conquistada quando a família dedica um pouco de tempo a ensinar: na correria do dia a dia, muitos pais optam por amarrar o cadarço do calçado da criança, por exemplo. Se gastar cinco minutos por dia para ensiná-la, em uma semana ela estará fazendo sozinha. 
Na rotina que deve ser criada pelas famílias, o tempo de dormir merece uma atenção especial. As crianças precisam de horário certo para dormir porque, durante o sono,  elas consolidam os conteúdos que aprenderam, os conhecimentos adquiridos que estão na memória de curto prazo. 
Para o desenvolvimento e a aprendizagem, as crianças também precisam de um tempo livre para brincar, sem que haja um direcionamento das atividades. Elas podem fazer o que quiserem para se distrair. Lembrando que, se a opção de diversão for um eletrônico, o tempo deve ser descontado das horas a que têm direito de usar telas no dia. 
Acompanhando as aulas on-line, os pais podem até ficar insatisfeitos com a condução das atividades pelo professor, mas ele não deve ser criticado diante dos filhos. Se houver queixas, elas podem ser reportadas à escola. Falar mal do educador para a criança pode gerar uma insegurança e comprometer a aprendizagem porque vai lhe faltar a compreensão sobre o motivo dos pais a deixarem estudar com uma pessoa de quem não gostam. 
Enquanto as atividades presenciais não são permitidas na escola e o distanciamento social também é uma medida preventiva da Covid-19, as famílias podem promover a interação on-line. A proposta, neste caso, é buscar uma aproximação das crianças com os colegas da turma, ou outros amigos, realizando encontros virtuais. Cada qual na sua casa,  as crianças podem brincar fantasiadas, fazendo festinha, ou o que mais a criatividade dos pais permitir. Assim, elas têm a chance de brincar com outras da mesma faixa etária, atividade fundamental para o desenvolvimento infantil.  
É imprescindível que as famílias dediquem um tempo para brincadeiras com as crianças, momentos de leitura, de atividades lúdicas em conjunto. Esse vínculo afetivo dá mais segurança e contribui para o desenvolvimento delas. Criando essas memórias, o período da pandemia pode deixar também registros positivos na vida das crianças. 
Desde cedo, as crianças devem ser ensinadas a contribuir nas tarefas de casa. Para cada faixa etária, há atividades que podem desenvolver, como guardar brinquedos e colocar a mesa para as refeições. Ter responsabilidades ajuda no processo de desenvolvimento. 
As crianças precisam de acolhimento. A pandemia é um momento difícil para todos e para elas o impacto pode ser maior porque não têm ainda um nível de abstração para compreender tudo o que acontece. Alguns dias, nesses tempos de aulas on-line e confinamento, tudo pode dar errado, mas as famílias não devem se desesperar. "A gente não está vivendo uma corrida de 100 metros; é uma maratona e não sabemos em que quilometragem estamos", compara Luciana Matos para dar a dimensão do cuidado que é necessário ter com as crianças, ouvindo suas angústias e apoiando nas dificuldades. 

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