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Na pandemia, estabelecimentos se adequam para atender clientes
Na pandemia, estabelecimentos se adequam para atender clientes. Crédito: Fernando Madeira

Covid: como evitar contágio em restaurantes, salões e academias

Aglomerações são um desafio na reabertura. Médicos explicam como evitar o risco de contrair o novo coronavírus nesse novo momento de flexibilização do comércio e atividades sociais

Publicado em 05/09/2020 às 07h00
Atualizado em 05/09/2020 às 12h43

Um desrespeito à saúde individual e coletiva. Talvez essa seja a definição mais adequada para traduzir as cenas que mostram estabelecimentos comerciais lotados sendo frequentados por pessoas sem máscara e que ignoram a importância do distanciamento social durante o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

Mesmo com a divulgação constante das informações que orientam as formas corretas de prevenção, ainda há aqueles que circulam por locais como bares, restaurantes e academia e preferem não aderir aos protocolos de biossegurança definidos por especialistas em saúde.

Os médicos alertam: esses pontos apresentam alto risco de transmissão da doença, principalmente, porque atraem aglomerações em um momento em que a situação ainda não está superada. Ficar em pé em bares ou restaurantes, por exemplo, não é recomendável, porque as pessoas se mexem, se esquecem e acabam ficando mais próximas umas das outras, sem respeitar o distanciamento de 1,5 metro.

A médica infectologista Rúbia Miossi afirma que a higienização de utensílios e ambientes de bares e restaurantes são essenciais. No entanto, levando em consideração que as pessoas não estão de máscara a todo momento, ela avalia que o maior risco para quem frequenta esses locais é o ato de conversar, quando são liberadas gotículas de saliva.

“Quando você senta para comer numa distância menor de um metro e meio para outra pessoa, você fica sem a máscara. Estar a essa distância de uma pessoa e conversar, por 15 minutos, sem usar a máscara, é o ponto de maior contágio do coronavírus. Uma pessoa sentada sozinha não sofre risco nenhum”, alertou.

Para reduzir os riscos, a infectologista orienta usar a proteção facial no maior intervalo de tempo possível, não sentar na frente de ninguém e tentar fazer a refeição de forma saudável, mas com menos tempo. Ela lembra que é importante higienizar as mãos antes e após manusear a máscara. O mesmo procedimento deve ser seguido antes e depois da refeição.

AMBIENTES VENTILADOS

O uso constante da máscara também é uma orientação do infectologista Lauro Ferreira Pinto. Além disso, ele ainda sugere que os clientes prefiram estabelecimentos ventilados, com mesas e cadeiras ao ar livre e que respeitem o distanciamento entre os consumidores.

“É difícil combinar álcool com essas medidas de proteção. As pessoas começam a beber e relaxam. O que a gente fica preocupado é que as pessoas continuam se contaminando e morrendo. O jovem é difícil de adoecer na forma grave, mas ele pode ter pai, mãe, avós e tios idosos, e ter contato com gente com comorbidade. Se ele estiver infectado, acaba passando a doença para os outros”, declarou.

Nos salões de beleza, a orientação primordial é usar a máscara. Mesmo assim, um dos riscos pode estar escondido em um frasco de esmalte. Geralmente, o produto fica exposto e pode ser manuseado pelas clientes. Nesse contexto, é importante que o ambiente seja higienizado a cada atendimento ou então que o esmalte seja apresentado somente pela manicure ou disponibilizado em uma vitrine que não permita o toque direto do público.

Na pandemia, estabelecimentos se adequam para atender clientes
Na pandemia, estabelecimentos se adequam para atender clientes. Crédito: Fernando Madeira

TREINOS COM RESTRIÇÕES 

As academias também são considerados espaços que devem ser frequentados com atenção. Para autorizar o funcionamento, o governo do Estado determinou que os estabelecimentos adotassem uma série de medidas de vigilância sanitária, como o fornecimento de álcool 70%, limpeza regular dos aparelhos, controle do fluxo de clientes ao mesmo tempo e a garantia do distanciamento entre os equipamentos.

Para a médica infectologista Tânia Vergara, neste momento, o ideal seria praticar exercícios em ambientes abertos. Segundo ela, a proximidade entre as pessoas aumenta o risco de contaminação pelo coronavírus.

“Academias são lugares geralmente fechados. As pessoas devem tentar abrir alguma janela para terem alguma ventilação. A dica é manter o afastamento e higienizar todos os aparelhos entre uma pessoa e outra. Isso é recomendável porque você não tem certeza que a outra pessoa higienizou corretamente.”

A autorização para a retomada do funcionamento com restrições fez com que algumas academias de ginástica adotassem novas práticas para cumprir o protocolo do governo do Estado e oferecer segurança para seus clientes voltarem a malhar.

A Azen Academia, localizada em Santa Lúcia, Vitória, voltou a operar recentemente. De acordo com Gisely Zenóbio, uma das sócias-proprietárias, o estabelecimento oferece as modalidades de musculação, pilates e estúdio funcional, com a limitação total de 20 alunos por horário. Os agendamentos são feitos por um aplicativo, por WhatsApp ou diretamente na recepção. Cada aluno pode permanecer no treino por somente 50 minutos.

Na pandemia, estabelecimentos se adequam para atender clientes
Na pandemia, estabelecimentos se adequam para atender clientes. Crédito: Fernando Madeira

O horário de funcionamento também foi reduzido: das 6h às 12h e das 14h às 20h. Segundo Gisely, é obrigatório o uso de toalhas, máscaras e garrafas de água próprias, além da manutenção do distanciamento mínimo de quatro metros e da limpeza dos equipamentos com álcool 70% antes e depois do uso. Os chuveiros também não estão disponíveis para uso.

A administradora Tatiana Moyses Cabral, de 44 anos, pratica pilates duas vezes durante a semana. Ela contou que desde o início da pandemia, tem seguido as recomendações dos especialistas, usa a máscara e evita aglomerações. Com as medidas de segurança impostas às academias, sentiu-se mais segura em retornar às atividades. Ela estava sem praticar o exercício há cerca de cinco meses.

“Antes você podia escolher o horário, agora tem que ser fixo, agendado, com menos alunos dentro da sala. Não pode ligar o ar-condicionado. Os protocolos de segurança restringem um pouquinho, mas o exercício é o mesmo. Acho que já passou do tempo da gente se moldar de acordo com a nova vida que a gente vai levar, convivendo com a pandemia”, refletiu.

"NÃO É PROIBIDO SAIR, MAS MANTENHA DISTÂNCIA"

No Espírito Santo, os protocolos de biossegurança que devem ser seguidos para a retomada das atividades sociais e comerciais estão sendo definidos por uma equipe de especialistas sob a coordenação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Alexandre Cerqueira, é um dos coordenadores da equipe do Centro de Comando e Controle (CCC) Covid-19 no Espírito Santo. Ele explicou que as primeiras restrições foram adotadas em uma fase da doença quando o isolamento social era o principal objetivo.

“Agora adotamos estratégias voltadas a mitigar os efeitos da interação, que é a contaminação da doença. É importante que os estabelecimentos respeitem os protocolos estabelecidos e que a população procure frequentar ambientes que permitam utilizar essas estratégias combinadas como o fornecimento de álcool, ambientes ventilados, o respeito à capacidade do ambiente e o uso de máscara.”

De acordo com Cerqueira, o momento exige que a sociedade assuma o papel de protagonismo no enfrentamento à doença aliado às práticas já estabelecidas pelo poder público e órgãos de segurança nacionais e internacionais.

“Está proibido ir à praia? Não. Está proibido fazer aglomeração na praia. Então, se você vai com sua família, coloque sua sombrinha numa distância de 3 a 5 metros das outras pessoas. Se vai comprar algo no quiosque ou restaurante, procure aquele que não tem aglomeração”, orientou

Desde o mês de abril, o governo estadual trabalha com uma matriz de risco para indicar medidas que evitem a disseminação do vírus. Até então eram considerados vetores como letalidade, porcentagem da população idosa, número de casos confirmados de pessoas contaminadas e taxa de ocupação de leitos de UTIs.

A partir do dia 31 de agosto, dois eixos são avaliados para apontar a classificação no grau de risco baixo, moderado, alto e extremo de cada município. Um deles é o eixo vulnerabilidade, que conta a taxa de ocupação de leitos estaduais destinados a pacientes com Covid-19.

O outro, eixo ameaça, conta com dados municipais de três indicadores que são o número de casos ativos nos últimos 28 dias, testagem por mil habitantes e média móvel de mortos nos últimos 14 dias. Os eixos são avaliados semanalmente.

A matriz de risco prevê, por exemplo, que tipo de atividade é permitida a partir do grau de contágio de cada cidade.

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