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Covid-19: como a explosão de casos no interior impactou a pandemia no ES

Das 26 cidades que estavam com taxa de mortalidade maior que a média do Espírito Santo, 20 ficam fora da região metropolitana

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 05/04/2021 às 02h00
Atualizado em 05/04/2021 às 02h02
Corpo de vítima da Covid é retirado do Hospital Dr. Alceu Melgaço Filho para sepultamento
Corpo de vítima da Covid é retirado de hospital em Barra de São Francisco para sepultamento. Crédito: Semus/Divulgação

As aglomerações, o aumento sazonal das Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAGs) e as novas variantes do coronavírus são alguns dos fatores percebidos nos municípios do interior que impactaram no comportamento da pandemia no Estado como um todo.

Outro dado que chama a atenção é que a mortalidade pela Covid-19 em 26 municípios já é bem maior do que a média do Espírito Santo, que até esta quarta-feira (31) estava 18,45 mortos pela doença a cada 10 mil habitantes.

Desse total, 20 cidades estão localizadas no interior do Estado e outros seis ficam na Grande Vitória. O maior índice pertence à Águia Branca, Noroeste do Estado, que alcançou a marca de 38,42 óbitos/10 mil habitantes. Mais do que o dobro do índice estadual.

O cálculo da taxa considera o número de mortes pela doença e os habitantes de cada cidade, o que ajuda a avaliar o impacto destes óbitos em relação à população local. Foram utilizadas as informações do Painel Covid-19 do Espírito Santo, ferramenta da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) que reúne as estatísticas estaduais relativas à doença causada pelo novo coronavírus.

TAXA DE MORTALIDADE POR 10 MIL HABITANTES

  1. Águia Branca - 38,42
  2. São José do Calçado - 34,14
  3. Marataízes - 29,32
  4. Presidente Kennedy - 29,16
  5. Piúma - 26,30
  6. Água Doce do Norte - 25,67
  7. Jerônimo Monteiro - 25,28
  8. Ibatiba - 24,60
  9. Barra de São Francisco - 24,23
  10. Itapemirim - 23,66
  11. Guaçui - 23,46
  12. Alto Rio Novo - 22,86
  13. Cariacica - 22,24
  14. Vitória - 21,95
  15. Apiacá - 21,18
  16. Colatina - 20,75
  17. Irupi - 20,70
  18. Ibiraçu - 20,65
  19. Montanha - 20,64
  20. Boa Esperança - 20,54
  21. Mantenópolis - 20,00
  22. Guarapari - 19,73
  23. Fundão - 19,59
  24. Marechal Floriano - 19,50
  25. Vila Velha - 19,01
  26. Viana - 18,87
Águia Branca, cidade com maior índice de isolamento social do ES
Águia Branca apresenta a maior taxa de mortalidade do Espírito Santo, mais do que o dobro do índice estadual. Crédito: TV Gazeta Noroeste / Reprodução

MÉDIA MÓVEL

Pablo Lira, diretor de Integração e Projetos Especiais do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e membro do Núcleo Interinstitucional de Estudos Epidemiológicos (NIEE), acompanha a evolução da pandemia desde o início dos casos em 2020. Segundo ele, o dado mais recente que se pode acompanhar do interior e da Grande Vitória é a média móvel de óbitos.

"Nesta semana, foi superada a maior média móvel de óbitos dos últimos 14 dias desde o início da pandemia", destaca.

  • MÉDIA MÓVEL - ESPÍRITO SANTO
  • Pico da primeira fase (23/06) 37,14 óbitos (14 dias)
  • Pico da segunda fase (29/12) 28,29 óbitos
  • Na terceira fase (31/03) 43,07 óbitos

  • MÉDIA MÓVEL - MUNICÍPIOS DO INTERIOR
  • Pico da primeira fase (3/07) 16,93 óbitos
  • Pico da segunda fase (24/12) 18 óbitos
  • Pico da terceira fase (30/03) - 23,86 óbitos

Pablo Lira

Membro do NIEE

"O Espírito Santo está apresentando esse comportamento de crescimento forte com contribuição maior do interior do Estado. Por mais que a gente tenha 47% da população capixaba concentrada na região metropolitana, o interior apresenta maior velocidade do crescimento dos óbitos"

Outra análise considerada por Lira está relacionada ao comportamento da população durante o enfrentamento à pandemia. O desrespeito aos protocolos sanitários e a falta do uso de máscara, por exemplo, contribuem para o aumento da taxa de contágio (Rt).

Com base nos dados publicados no Painel Covid-19 no dia 25 de março, gráficos construídos  indicam a velocidade do aumento de contágio pela Covid-19 no Espírito Santo, nos municípios da Grande Vitória e no interior, isoladamente.

A expectativa é sempre a de que o Rt se mantenha abaixo de 1. Acima de 1, significa que 100 indivíduos infectados podem passar a doença para mais de 100 pessoas. No dia 19 de fevereiro, a taxa chegou a 0,82,ou seja, 100 infectados eram capazes de transmitir o vírus para mais 82 pessoas no Estado. Uma semana depois, passou para 1,09, quando 100 pessoas deixavam outras 109 doentes. No dia 5 de março, o Rt era 1,28. Ou seja, a cada 100 doentes podiam transmitir o vírus para 128 capixabas.

Na Grande Vitória, o ritmo de contágio era 0,54 no dia 19 de fevereiro. Isso significa que 100 pacientes poderiam infectar outros 54. No dia 26 do mesmo mês, a taxa era 1,22, quando 100 passavam o vírus para 122 pessoas. No dia 5 de março, último dado disponível, a taxa estava em 1,27. Dessa forma, 100 pessoas transmitiam o coronavírus para 127.

Nos municípios do interior, os dados indicavam que no dia 19 de fevereiro o contágio estava maior do que na Grande Vitória e o índice geral do Estado: 1,07. Naquela situação, 100 pessoas passavam o vírus para outras 107. Sete dias depois, a taxa era 0,99. Assim, 100 pessoas podiam deixar mais 99 infectadas. No dia 5 de março, o Rt era 1,3, isto é, 100 pacientes infectavam 130.

"Tudo indica que o ritmo de transmissão vai continuar elevado nas próximas semanas. A média móvel de óbitos vai demorar a desacelerar, pois continua em expansão. É cedo para confirmar, mas a média móvel de contágio começa a dar uma suave desacelerada agora. Além disso, tem o efeito da quarentena que deve começar a repercutir nas próximas semanas", pontua Lira.

Taxa de contágio da Covid-19 no Estado

Taxa de contágio do novo coronavírus
Taxa de contágio da Covid-19 no Espírito Santo. IJSN
Taxa de contágio do novo coronavírus
Taxa de contágio da Covid-19 na Grande Vitória. IJSN
Taxa de contágio do novo coronavírus
Taxa de contágio da Covid-19 no interior. IJSN
Taxa de contágio da Covid-19 no interior
Taxa de contágio da Covid-19 no interior
Taxa de contágio da Covid-19 no interior

FATORES QUE INFLUENCIAM

  1. 01

    AGLOMERAÇÕES

    Segundo Pablo Lira, 21 dias após o carnaval, houve uma inflexão (curva) de tendência de média móvel e contágio de Covid-19 no Estado e um dos motivos foram as aglomerações registradas, muitas no interior. "Vimos os casos aumentarem depois do carnaval. Além disso, os resquícios de aglomerações - que ocorreram em janeiro e fevereiro - aumentaram a velocidade do contágio. Isso tem uma janela de duas semanas para ter impacto nos óbitos", declara Lira.

  2. 02

    SÍNDROME RESPIRATÓRIA

    Outro fator que pode aumentar a pressão no sistema público de saúde, provocando mais internações, é o aumento sazonal das ocorrências de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Espírito Santo. Segundo o Painel Ocupação de Leitos da última quinta-feira (01), todos os leitos de UTI no Norte do Estado estavam ocupados. 

  3. 03

    NOVAS VARIANTES

    Um estudo da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) identificou uma variante do SARS-Cov-2, vírus causador da Covid-19, no Espírito Santo que é 90% mais infecciosa, 62% mais letal que as outras variantes já conhecidas e mais transmissível entre os jovens. Original do Reino Unido, ela foi batizada como B.1.1.7. No último dia 22 de março, o governo estadual informou que as cidades de Piúma, no Sul do Estado, e Barra de São Francisco, no Noroeste, são os municípios com o maior número de casos de contaminados pela variante inglesa

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