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Coronavírus: governo do ES em alerta com nova variante da Índia

A preocupação vem pelo aumento do número de infectados no país onde a variante foi detectada. O secretário da Saúde, Nésio Fernandes, espera que a União prepare medidas de vigilância de aeroportos e portos

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 03/05/2021 às 17h51
Célula infectada com a variante do Reino Unido do Sars-CoV-2
Célula infectada com a variante  do Sars-CoV-2 . Crédito: NIAID

O agravamento crescente da pandemia da Covid-19 na Índia devido a uma nova variante do coronavírus preocupa o governo do Espírito Santo, assim como outros estados brasileiros. Atualmente, o país indiano vive a falta de leitos de enfermaria e UTI, de insumos para atendimento hospitalar dos doentes e cremações em massa. Cenário provocado pela mais recente onda do vírus, mais agressivo especialmente devido à nova cepa. 

O secretário Estadual de Saúde, Nésio Fernandes, disse em coletiva, na tarde desta segunda-feira (3), que ainda vivemos um momento delicado com a circulação de diversas variantes diferentes no Brasil, em especial o surgimento da variante indiana, com três mutações importantes no vírus. 

O Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde vai produzir, entre esta segunda-feira (3) e quarta-feira (5), propostas de medidas a serem implementadas e adotadas na malha aérea e de vigilância de portos e aeroportos. A ideia é entregar o documento ao governo federal.

"A Índia é um país com uma população enorme, é grande produtor de vacinas e insumos hospitalares e que viverá, neste mês de maio, um verdadeiro desastre epidemiológico que deve ser maior que a crise brasileira na última expansão da doença. O fenômeno da Índia tem relevância internacional tanto pela competição de insumos, medicamentos e vacinas, quanto pela possível disseminação de uma nova variante com várias mutações", detalhou Fernandes. 

A nova linhagem, batizada de B.1.617, está sendo investigada para descobrir se é mais perigosa do que a forma original do vírus, mas sua rápida disseminação por toda a Índia e em outros 16 países já mostra que é preciso criar um sinal de alerta.

"Não é possível o Brasil seguir enfrentando mais um ano de pandemia sem que boas práticas de vigilância de aeroportos e portos não sejam adotadas pela União, que é a responsável pela vigilância dessas áreas", reforçou o secretário capixaba. 

ESTRAGOS NA ÍNDIA

A Índia detém hoje o recorde mundial de casos diários de Covid-19, com média móvel semanal de 340 mil casos por dia. Em um mês, o número de casos reportados em 24 horas cresceu seis vezes mais. 

A variante surgiu em outubro de 2020, mas, até o início de abril, ela correspondia a cerca de 24% das amostras sequenciadas do vírus no país. Já no dia 24 de abril, ela era dominante e representava mais de 80% das amostras analisadas.

Embora sua presença crescente coincida com o aumento exponencial do número de casos e óbitos no último mês, ainda não foi demonstrada uma associação direta da variante indiana com essa alta, uma vez que o país não realiza medidas de distanciamento, há falta de acesso a sistemas de saúde e desigualdade social.

O QUE SE SABE ATÉ AGORA?

Pesquisadores e autoridades de saúde seguem monitorando a presença da B.1.617 em diversos países e na própria Índia, onde foram encontradas três sub-linhagens dela. Por enquanto, o que se sabe é que ela possui 23 mutações que resultaram em trocas de aminoácidos (mudando, assim, as proteínas que formam o vírus), das quais quatro ocorreram na proteína S do Spike (espícula usada pelo vírus para invadir e infectar as células).

Duas dessas mutações  já são conhecidas de outras formas do vírus por conferirem uma capacidade maior de transmissão ao invasor. A terceira mutação é muito semelhante a uma mutação encontrada nas variantes P.1 e B.1.351 (sul-africana), e permite ao vírus fugir da proteção adquirida por anticorpos neutralizantes.

A mesma mutação foi também encontrada em uma possível nova variante (batizada de "P.4") na região metropolitana de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais.

Um estudo publicado recentemente testou o soro convalescente de indivíduos que tiveram Covid-19 no passado contra a nova variante e também o soro de vacinados com o imunizante Covaxin, de origem indiana, para saber se há perda de imunidade, e viram que não houve bloqueio da ação de neutralização dos anticorpos.

Porém, o número de pessoas analisadas foi baixo (menos de 40) e a pesquisa foi feita em laboratório, quando o ideal é avaliar a eficácia da vacina na vida real contra a nova variante. Para isso, argumentam os autores, é preciso acelerar a vacinação no país para tentar reduzir drasticamente o número de novos casos e óbitos.

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