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Coronavac começa a ser testada em crianças e adolescentes no ES

Pesquisa será realizada com 1.280 participantes, de 3 a 17 anos, que ainda não tenham se imunizado. Projeto Curumim começa nesta sexta-feira (14)

Tempo de leitura: 3min

Uma pesquisa começará a ser realizada no Espírito Santo nesta sexta-feira (14) para testar a eficácia da Coronavac em crianças e adolescentes de 3 a 17 anos. Serão 1.280 participantes.

Conhecido como Projeto Curumim (criança em tupi), ele verificará ainda a segurança, a produção de anticorpos e células de defesa nas crianças e adolescentes.

Dose da vacina Coronavac, contra a Covid-19
Dose da vacina Coronavac, contra a Covid-19. Crédito: Divulgação | Secretaria de Saúde do Espírito Santo

Para isso, os participantes serão divididos em dois grupos: os que recebem a vacina Coronavac e os que recebem a vacina da Pfizer. As crianças menores de 5 anos somente serão imunizadas com o primeiro fármaco.

Poderão participar do estudo crianças e adolescentes de 3 a 17 anos que ainda não receberam vacina contra Covid-19, independentemente se já tiveram a doença.

De acordo com a responsável pelo estudo, a médica Valéria Valim, o objetivo é comparar a eficácia e segurança da vacina Coronavac em crianças e adolescentes tendo como base o imunizante da Pfizer, que já foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A agência reguladora ainda analisa o pedido do Instituto Butantan para utilizar a Coronavac na vacinação de crianças a adolescentes de 3 a 17 anos.

Valim acrescenta que a Coronavac é uma vacina de vírus inativado. Essa tecnologia, conhecida há anos, induz resposta imune e é segura. Os eventos adversos que podem ocorrer são leves e de curta duração.

"É uma tecnologia muito conhecida e menos reatogênica, ou seja, tem menos efeitos colaterais. A eficácia também é menor que a de outros imunizantes, mas crianças respondem melhor. Então, esse estímulo pode ser suficiente", disse Valim.

Valéria Valim

Médica responsável pelo estudo

"É uma tecnologia muito conhecida e menos reatogênica, ou seja, tem menos efeitos colaterais. A eficácia também é menor que a de outros imunizantes, mas crianças respondem melhor. Então, esse estímulo pode ser suficiente"

A médica acrescenta que o estudo é importante para que a Coronavac possa ser incluída como uma opção de vacina para crianças no PNI (Programa Nacional de Imunização) do Ministério da Saúde, e também por ser uma vacina de produção nacional, com boa aceitação da população para essa faixa etária, exatamente por ser uma tecnologia conhecida e mais segura.

A pesquisa está sendo realizada pelo Grupo de Pesquisa em Vacinas do Hospital Universitário da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo) e Grupo de Pesquisa de Biomarcadores do Instituto Renè Rachou da Fiocruz.

Ela conta com o apoio do Ministério da Saúde, do Instituto Butantan, da EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) e da Sesa (Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo).

Nas redes sociais, o secretário de Saúde do Estado, Nésio Fernandes, ressaltou que a Coronavac já é usada em diversos países com desempenho de eficácia e segurança atestados. Afirmou ainda que as filhas dele, de 4 e 10 anos, vão participar da pesquisa. "Aqui com nossos filhos, é todo mundo 100% Zé Gotinha".

A pesquisa foi aprovada pela Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), que atua na regulação da ética em projetos de pesquisas envolvendo seres humanos, nesta quinta (13).

Os participantes serão acompanhados por um ano pela equipe de pesquisa, composta por médicos pediatras, infectologistas, pneumologistas, pesquisadores e enfermeiros especializados em vacinas em crianças e adultos.

Em estudos publicados, sendo um deles com Coronavac em crianças, todas as vacinas foram bem toleradas e seguras na faixa etária pediátrica e a resposta imune foi adequada, quando comparada ao da população adulta.

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