Publicado em 26 de outubro de 2025 às 14:58
A direção do Hospital Santa Rita, em Vitória, informou que os casos de contaminação começaram a ser relatados pelos funcionários da área do setor oncológico a partir do dia 19 de outubro, com sintomas parecidos aos de uma pneumonia. Desde então, a unidade, que é referência no tratamento de câncer no Espírito Santo, isolou todos os colaboradores infectados, realizou um processo de higienização e transferiu os pacientes imunodeprimidos para outra ala.>
A informação foi repassada com exclusividade para a TV Gazeta pela coordenadora de controle de infecção hospitalar, Carolina Salume, que reforçou que nenhum paciente oncológico internado foi infectado.>
"Os casos começaram a chegar separados e, no domingo (19) pela manhã, a gente começou a observar que eles eram muito parecidos, com os exames de imagem muito parecidos, os raios-x de tórax, as tomografias de tórax", narra a coordenadora. "Aí que a gente começou a associar um ao outro e entender que se tratava de alguma coisa nova, focada nesse setor de internação, porque a gente só tinha funcionários, não tínhamos pacientes acometidos e os todos os funcionários era desse setor. ">
Carolina ressalta ainda que os pacientes desse setor, que são imunodeprimidos — ou seja, com o sistema imunológico enfraquecido e, portanto, mais vulnerável a infecções — não ficavam doentes, mas apenas os funcionários, que têm níveis de imunidade considerados normais. >
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Na noite deste domingo (26), a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) atualizou o número de casos. De acordo com a pasta, 33 funcionários do Hospital Santa Rita (HSR) estão passando por processo de investigação de sintomas para identificar a causa de infecções. Dos 33, 8 estão internados, sendo 3 em UTI e 5 em enfermaria. >
Além desses funcionários, foram identificadas 12 pessoas (acompanhantes de pacientes) com sintomas semelhantes aos dos funcionários do hospital. Eles estão internados em diferentes unidades hospitalares, sendo 2 deles em UTI, porém ainda não há comprovação do vínculo epidemiológico com os casos dos funcionários.>
De acordo com a última atualização da Sesa, portanto, o quadro é o seguinte:
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Uma coletiva de imprensa foi marcada pela pasta para segunda-feira (26), às 8h, para prestar informações sobre o processo de investigação de infecções no hospital.>
Em um vídeo publicado no Instagram, o secretário de saúde estadual, Tyago Hoffmann, afirmou que realizou uma reunião com a equipe do hospital neste domingo (26), juntamente com o subsecretário de Vigilância, Orlei Amaral, e o subsecretário de contratualização, Heber de Souza. >
"Nós fizemos uma atualização de todos os dados do que está ocorrendo nesse momento e também traçamos planos e o planejamento das duas próximas semanas de trabalho das nossas equipes. A equipe de vigilância vai estar permanentemente aqui no hospital", afirmou. >
As autoridades de saúde ainda apuram a origem da infecção, que pode ser causada por bactéria ou fungo, e busca as causas prováveis, como falhas em sistemas de água ou ar-condicionado. Amostras foram coletadas e exames são realizados pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Estado do Espírito Santo (Lacen/ES) para identificar as causas. A expectativa é de que os resultados saiam até o fim da próxima semana. >
O secretário de saúde estadual, Tyago Hoffmann afirmou que será aberta uma investigação por auditorias da secretaria para identificar a responsabilização do caso.>
Tyago Hoffmann
Secretário de saúde estadualAlém disso, um ofício foi encaminhado pela Sesa na quinta-feira (23) com recomendações técnicas orientando profissionais da saúde sobre reforço nas medidas de segurança, principalmente ao atender/internar funcionários do hospital Santa Rita.>
Algumas unidades de saúde como Unimed Vitória e Vitória Apart também implementaram novos protocolos, como a obrigatoriedade do uso de máscaras em todas as áreas assistenciais e monitoramento de profissionais que estiveram no hospital.>
A coordenadora de controle de infecção hospitalar, Carolina Salume, explicou que no dia seguinte aos primeiros relatos de sintomas dos funcionários uma força tarefa dentro do hospital foi realizada para higienizar aparelhos. >
"A gente começou a investigar, a entender que como não tínhamos pacientes acometidos, entendemos que fazia parte de alguma coisa transmitida por ambiente e aí já na segunda-feira a gente mexeu em caixa d'água, em sistema de ar-condicionado, fizemos coleta de água, de ar, começamos precaução de barreira, máscara, isolamento de contato para esses pacientes que estivessem internados com o quadro pneumônico e começamos a investigar tudo que a gente podia com exames clínicos também dos pacientes, exame de sangue, exame de urina, imagem", pontuou.>
A ala do hospital considerada como epicentro da contaminação segue isolada e novas coletas de material serão feitas para buscar o agente etiológico.>
O secretário de saúde detalhou como os novos casos estão sendo monitorados e quais exames são feitos.>
"Nós estamos monitorando, estão em leitos de isolamento em diversos hospitais espalhados por todo o estado e nós estamos acompanhando, primeiro coletando amostras de sangue, de urina, de exames pulmonares, para que a gente possa identificar para saber se trata do mesmo caso e também fazendo uma investigação social, para saber se esses pacientes e acompanhantes estavam na mesma ala, que foi a ala, digamos, onde aconteceu essa infecção, se esses pacientes e acompanhantes estiveram no mesmo período onde aconteceram as infecções relatadas pelos funcionários", pontuou Tyago Hoffmann.>
* Com informações de Viviane Lopes, Roger Santana, Alberto Borém, g1 ES e TV Gazeta.>
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