Publicado em 7 de junho de 2025 às 12:37
O número de casos de racismo mais que dobraram no Espírito Santo nos últimos sete anos. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado, o crescimento foi de 118%. Por trás de cada número, há uma história marcada pela dor, pela indignação e pela resistência. >
Em 2018, o Espírito Santo tinha registrado 121 crimes de racismo. Sete anos depois, esse número mais que dobrou: foram 264 casos em 2024. Apenas neste ano, entre janeiro e abril, já foram 82 casos registrados.>
O caso do jovem embaixador da ONU Luan Herrara da Cruz é um dos que foi registrado na polícia. Em 2020, ele participava de um grupo político na cidade de Castelo, quando começou a receber mensagens racistas, com figurinhas de macaco.>
"Não sabia quem tinha enviado a mensagem na época. Mas, após isso, houve as investigações da Polícia Civil e logo detectaram o autor das mensagens. O Ministério Público apresentou a denúncia e hoje está em fase de julgamento", relatou.>
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O crime deixou marcas na vida de Luan, que passou os anos seguintes tentando se recuperar.>
"Eu tive que fazer tratamento psicológico, acompanhamento com psiquiatra. Por seis meses, eu me isolei dentro de casa, não tinha mais vontade de tomar banho, de comer, de me arrumar. Eu não saía para nada. Me desmotivou totalmente", contou.>
Para ele, é preciso ação do poder público, como campanhas de conscientização, para evitar que casos como o dele se repitam. E mais do que isso: que as leis também sejam cumpridas e, os agressores, punidos.>
"Racismo mata, destrói sonhos e ninguém pode ser julgado pela cor de pele, pelo cabelo que tem. Precisamos de respeito e igualdade", disse Luan.>
A legislação brasileira estabelece diferenças entre os crimes de racismo e de injúria racial.>
Angélica Paineiras
AdvogadaA importância, segundo a advogada, é a vítima identificar o que aconteceu com ela. "Às vezes, a população consegue ver que sofre uma hostilização, contudo, não consegue dar nome, identificar", completou.>
Apesar do número elevado e do crescimento, ainda há casos que não estão sendo investigados por falta de denúncia. O lojista e influenciador digital Julio Gabriel Santana contou que passar por situações desse tipo constantemente.>
"Era Natal, eu estava de gorro de Papai Noel, estava na porta, aguardando os clientes, passou uma senhora de idade, chegou para mim e disse: olha, Papai Noel tem que ser branco, não pode ser preto, você não parece o Papai Noel, você parece o Saci de gorro", contou.>
A sensação que Julio tem é de que, com a internet, recebe mais mensagens desse tipo. “Às vezes eu posto um stories, a pessoa me responde me atacando, falando o que a gente não gosta de escutar. Eu trabalho com isso há muito tempo, mas aumentou bastante de uns tempos pra cá”.>
Os dados divulgados pela Sesp mostram que o problema segue em crescimento. Em 2018, o Espírito Santo registrou 121 crimes de racismo. Sete anos depois, esse número mais que dobrou: foram 264 casos em 2024, um aumento de 118%.>
A Grande Vitória é a região que concentra a maioria dos casos: 126 apenas em 2024, o que representa quase metade do total no estado.>
A Região Sul do Estado também teve um aumento significativo, de dez casos em 2018 para 43 em 2024. Mesmo com os dados de 2025 ainda parciais, o Estado já soma 82 casos até abril.>
É comum que práticas racistas se camuflem em situações cotidianas. Estando ou não evidente, a vítima tem o direito de denunciar qualquer forma de ultraje, constrangimento e humilhação. >
Uma cartilha do Ministério da Justiça cita as seguintes ações como algumas das principais cometidas pelos agressores:>
A legislação brasileira define punições específicas para cada situação. Cabe ao delegado e ao promotor avaliar cada caso e indicar se a lei se aplica naquela situação.>
Casos de racismo e de injúria racial podem ser denunciados em delegacias, pela internet e pelo telefone.>
*Com informações de G1 ES e TV Gazeta>
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