Repórter / [email protected]
Publicado em 31 de outubro de 2025 às 11:43
A longa espera e a burocracia para conseguir emitir o novo modelo da carteira de identidade no Espírito Santo podem estar chegando ao fim. A emissão, que hoje tem prazo máximo de 90 dias, deve ser concluída em até 15 dias, a partir de 2026. Desde o início dos agendamentos on-line, em julho de 2022, inúmeros capixabas relatam dificuldades com o sistema Agenda ES e até mesmo em pontos físicos espalhados pelo Estado.>
Atualmente, o portal abre o agendamento todas as sextas-feiras, às 8h, para diversos municípios. Entretanto, o público reclama do número reduzido vagas e da rapidez com que são preenchidas. Pode ser questão de segundos para o site exibir a mensagem de que “este serviço não possui mais vagas disponíveis”.>
Em pontos físicos, como cartórios do interior do Estado, a situação também é complicada: filas imensas são formadas por quem tenta ter o novo documento. Um dos trantornos mais recentes foi registrado em Cachoeiro de Itapemirim, na Região Sul, em 20 de outubro.>
A dificuldade, inclusive, foi revelada em reportagem de A Gazeta em abril de 2024, quando as vagas do Agenda ES ainda eram ofertadas diariamente. Por cinco dias, foram feitos testes para a emissão: todos sem sucesso.>
>
A partir de 2026, a situação deve mudar. Isso devido ao processo de modernização dos protocolos da Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES), órgão responsável pela confecção e entrega das identidades. >
Segundo a corporação, com o aumento da demanda de pedidos devido à implementação da Carteira de Identidade Nacional (CIN), lançada em fevereiro de 2022, a PCIES atingiu o limite de emissões e, por isso, vai iniciar um trabalho para ter maior capacidade no próximo ano. >
O planejamento é voltado para começar a diminuir o prazo de entrega ainda em 2025. Até o fim deste ano, o prazo deve cair de 90 para 30 dias.>
Carteiras de identidade emitidas no ES
2024: 318.255 documentos emitidos
2025: mais de 328 mil
Para quem precisa atualizar a documentação, a mudança nos protocolos da PCIES é mais do que bem-vinda. Neuza Rebouças, moradora do bairro Bela Vista, em Vitória, conta que tenta a emissão desde junho deste ano. >
Mesmo seguindo as orientações mais atualizadas da Polícia Científica, entrando no Agenda ES todas as sextas-feiras, às 8h, ela afirma que nunca consegue vaga para emitir o documento.>
“O meu principal problema está na dificuldade em ter acesso a serviços bancários e acesso ao meu benefício do Bolsa Família. Eu parei de receber porque meus dados não estão atualizados, e isso inclui a carteira de identidade”, lamenta Neuza.>
Quando buscou atendimento em pontos físicos, foi informada de que deveria voltar a tentar o agendamento on-line, pela falta de vagas.>
A situação de Neuza é similar a de Edval Martins, da esposa e da filha. Em conversa com a TV Gazeta em 17 de outubro, ele contou a dificuldade encontrada em Cachoeiro de Itapemirim, na Região Sul.>
“Quando abre o agendamento on-line, eu clico no horário e, quando coloco o CPF [para seguir com a solicitação], a agenda já está fechada [sem vagas]. A gente fica frustrado. Precisamos de documentos para viajar no fim do ano. Sem eles, como a gente consegue ir?”, indagou o zelador.>
As reclamações de Neuza e de Edval são apenas algumas entre as de muitos outros capixabas. As principais queixas estão ligadas à demora na emissão e ao baixo número de vagas, o que dificulta ainda mais o processo.>
Em 2026, a dor de cabeça deve ser deixada de lado. Segundo a PCIES, atualmente, a Carteira de Identidade Nacional é emitida em 100 pontos em todo o Espírito Santo, sendo 83 postos de identificação em 77 dos 78 municípios capixabas, além de 13 cartórios de registro civil e 4 unidades do sistema prisional e socioeducativo. >
No próximo ano, essa rede será ampliada. A corporação está finalizando os procedimentos para um contrato que possibilite a impressão de um número maior de carteiras por mês. Tem providenciado, ainda, ajustes de infraestrutura e de pessoal para acompanhar a ampliação do serviço.>
“Além dos atuais 100 postos, a Polícia Científica pretende concluir a implementação de postos em todos os municípios do Estado. Além disso, estão sendo avaliadas outras parcerias com Câmaras Municipais e também com mais Cartórios de Registro Civil”, divulga a PCIES.>
No Estado, tirar a primeira via da carteira não tem custo. >
“Caso haja necessidade de emissão de outra via por motivo que não a renovação obrigatória por lei, haverá o pagamento de taxa de R$ 76,55, se o cidadão não se enquadrar num caso de isenção legal”, pontua a Polícia Científica.>
Além da primeira via, os casos de isenção se enquadram em furto ou roubo do documento com boletim de ocorrência, ou comprovação de renda de até três salários mínimos (R$ 4.554).>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta