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Capixaba vai mandar células-tronco ao espaço em um foguete

Capixaba vai mandar células-tronco ao espaço em um foguete

O pesquisador José Ricardo Muniz Ferreira desenvolve estudos que visam deixar a viagem espacial mais segura para o corpo humano

Publicado em 8 de outubro de 2023 às 08:09

Ícone - Tempo de Leitura 3min de leitura
O capixaba José Ricardo capitania empresa que pretende mandar células-tronco ao espaço
O capixaba José Ricardo está à frente de empresa que pretende mandar células-tronco ao espaço. (Divulgação)
Felipe Sena
Repórter / [email protected]

Ainda não dá para dar um rolê de carro voador na praia, mas o projeto de um capixaba vai te surpreender. Parece premissa de filme de ficção científica, mas não é: o pesquisador José Ricardo Muniz Ferreira quer mandar células-tronco ao espaço em um foguete em 2024.

A sede da R-Crio, empresa especializada em isolamento, processamento e armazenamento de células-tronco, fica em São Paulo, mas o fundador e presidente é capixaba da gema, nascido em Vitória: José Ricardo conversou com A Gazeta sobre esse e outros projetos.

Uma das frentes de atuação do laboratório é a produção de remédios usados em terapia celular avançada da medicina regenerativa. “O melhor medicamento biológico, para um tratamento seu, é usar suas próprias células”, explica.

A lógica disso, ressalta José Ricardo, é o simples fato de que as doenças hoje mais relevantes, que mais matam no mundo, são as degenerativas. Cânceres, doenças cardíacas, autoimunes, Acidente Vascular Cerebral (AVC), as doenças neurodegenerativas. Essas doenças, segundo o pesquisador, não são tratadas do mesmo jeito do que as doenças sanitárias, doenças infectocontagiosas. Por isso, a importância da medicina regenerativa.

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O que é fundamental nisso tudo é o compartilhamento do conhecimento para que, de maneira estruturada, os diferentes agentes, como indústria e academias, possam se harmonizar

José Ricardo Muniz Ferreira
Presidente e fundador da R-Crio e pesquisador
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Por que mandar células-tronco para o espaço?

As células-tronco são como células em branco, com a capacidade de assumir a forma de qualquer tecido do corpo. Por isso, são objeto de pesquisas da medicina regenerativa, área da R-Crio. O corpo humano, por sua vez, sofre diversos efeitos no espaço, principalmente quando exposto a essa condição por um tempo prolongado, como perda de massa muscular e óssea. 

"O comportamento do nosso organismo no ambiente fora da gravidade é o seguinte: ele muda por completo. E entender essas mudanças para que possamos contribuir para o envio de pessoas com segurança ao espaço é uma parte do trabalho que a Kennedy Space e órgãos como a Nasa vêm se dedicando há décadas", aponta José Ricardo. 

A proposta do capixaba é justamente desenvolver pesquisas que mostrem meios de deixar o corpo humano mais resistente à viagem espacial. "Nosso estudo, em específico, visa olhar para o aumento da capacidade regenerativa e rejuvenescimento, ou retardo no envelhecimento dessas células quando cultivadas em microambientes especiais, envolvendo, por exemplo, ausência de gravidade", pontua.  

Parcerias de peso, dentro e fora do país

Outra frente importante de atuação é a pesquisa. No Brasil, a startup tem parceria com instituições de ponta como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para o desenvolvimento de medicamentos para regeneração de tecidos, como córnea e ósseo, e tratamento de dores articulares.

Mas, para fazer as células-tronco chegarem ao espaço, a empresa conta com uma base no Kennedy Space Center, na Flórida. No site da Nasa, agência espacial americana, o local é descrito como o principal para lançamentos espaciais. “O centro também abriga instalações que pesquisam e desenvolvem soluções inovadoras que o governo e empreendimentos espaciais comerciais precisam para trabalhar e viver nas superfícies da lua e de outros corpos em nosso sistema solar”, ressalta texto. 

Ainda nos Estados Unidos, a R-Crio também tem uma cadeira no laboratório da instituição de ensino superior mais antiga do país, a Universidade da Flórida, em Gainesville. Mais ao norte do continente americano, o negócio capitaneado pelo capixaba também está presente na Universidade de Laval, em Quebec, no Canadá.

“Lá, nós temos uma cadeira acadêmica industrial que envolve disciplinas de medicina, odontologia e engenharia onde a gente fez, com muito sacrifício, investimentos junto ao governo da província local e o governo federal (do Canadá) que investiram, cada um, duas vezes o valor que investimos para o desenvolvimento de tecnologia, transferência de novas tecnologias e intercâmbio profissional”, conclui José Ricardo.

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