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Baixa adesão na vacinação contra a gripe acende alerta no ES

Em levantamento da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), metade das crianças não foi vacinada; risco de infecção aumenta sem a imunização

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 12/05/2021 às 20h50
Vacina; vacinação; criança
A vacinação das crianças no Espírito Santo contra a gripe está bastante abaixo da meta de 90%. Crédito: Freepik

A campanha nacional de vacinação contra a gripe - Influenza A e B - entrou na segunda etapa nesta semana, mas a baixa adesão do público-alvo da primeira fase acende um sinal de alerta no Espírito Santo. A cobertura vacinal para garantir a proteção efetiva da população deve ser de 90% em cada grupo prioritário, porém esse índice está bem longe de ser alcançado.

Entre as crianças, metade não foi vacinada. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) desta quarta-feira (12), apenas 45,9% daquelas que estão na faixa etária contemplada na campanha, de seis meses a menores de 6 anos, receberam a vacina. Para Danielle Grillo, coordenadora do Programa Estadual de Imunizações e Vigilância das Doenças Imunopreveníveis, a baixa procura das famílias pode ser resultado da falta de informação.

Isso porque, pontua Danielle Grillo, desde que foi ampliada a faixa etária - anteriormente, era para menores de 5 anos e, agora, para menores de 6 anos - a maior discrepância na vacinação é justamente das crianças entre 5 e 6 anos. "Talvez as famílias pensem que não têm direito à vacina pelo SUS", pondera. 

Contudo, não é apenas entre as crianças que a adesão à imunização está abaixo do esperado. Nenhum outro grupo prioritário da primeira etapa atingiu a meta de 90%. O público que mais se aproximou foi o de indígenas, que alcançou até esta terça-feira 76,5%.  Entre as grávidas, o índice é de 41,5% e de puérperas (mulheres que tiveram filho nos últimos 45 dias), 50,4%.

Danielle Grillo ressalta que esses são grupos prioritários que devem se vacinar devido à grande vulnerabilidade, pois, no caso de infecção, os quadros gripais têm tendência a agravar e levar à internação. 

TRABALHADORES DA SAÚDE

Entre os profissionais da saúde, foi registrada a menor participação de imunização na primeira fase - apenas 21,9%. Mas, neste caso, a Sesa avalia que a baixa cobertura esteja relacionada à vacinação da Covid-19, uma vez que a vacina da gripe só pode ser aplicada após um intervalo de pelo menos 14 dias da primeira ou da segunda dose do imunizante contra o coronavírus. 

Diante desse quadro, Danielle Grillo destaca que os grupos da primeira fase podem ainda procurar as unidades de saúde para se vacinar, embora já tenha começado a segunda etapa nesta terça-feira (11) para pessoas com mais de 60 anos e professores.

A vacinação contra a gripe é fundamental, sobretudo em um momento de circulação do coronavírus. "É importante diminuir a incidência de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAGs), como as causadas pelos vírus Influenza, o que contribui para fazer o diagnóstico de Covid-19 (descartando outras doenças respiratórias, a confirmação de infecção por coronavírus é mais assertiva). Além disso, os serviços de saúde já estão sobrecarregados pela Covid-19, e ter uma sobrecarga também por gripe é complicado, ainda mais se já tem a vacina disponível", frisa Danielle Grillo.

A coordenadora da Sesa acrescenta que houve alterações nas cepas do vírus Influenza A, justamente o que apresenta maior potencial epidêmico (de contaminação). Assim, as doses da vacina neste ano fazem a imunização para cepas que não estavam na vacina de 2020. E, mesmo se fosse a mesma variante do vírus, Danielle Grillo observa que a vacina contra a gripe garante a proteção para um intervalo de seis meses a um ano. 

ETAPAS 

A etapa atual de imunização segue até o dia 8 de junho. Depois, entre 9 de junho e 9 de julho, serão contempladas  pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais; pessoas com deficiência permanente; forças de segurança e salvamento; forças armadas; caminhoneiros; trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros urbano e de longo curso; trabalhadores portuários; funcionários do sistema prisional; adolescentes e jovens de 12 a 21 anos que cumprem medidas socioeducativas; e população privada de liberdade.

Questionada se poderia ampliar a vacinação para o público em geral, caso ao final da campanha a meta não seja atingida, Danielle Grillo diz que essa é uma decisão que somente poderá ser tomada mais adiante. "O mais importante neste momento é garantir a imunização dos grupos prioritários que são mais suscetíveis a complicações pela gripe."

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