A Avenida Carioca, que conecta os motoristas à Terceira Ponte, em Vila Velha, vai ganhar mais uma faixa de circulação nos dois sentidos. A via também passará a ter ligação com a Avenida Carlos Lindenberg, na Glória, a partir de intervenções que vão ser realizadas ao longo de um novo traçado para melhorar a mobilidade na região. O edital de licitação para o projeto e para as obras vai ser lançado nesta semana pela prefeitura.
A terceira faixa na Carioca será destinada a um corredor exclusivo para ônibus, motos, ambulâncias, entre outros veículos já atendidos na Terceira Ponte. O percurso, até a Lindenberg, terá 7,5 quilômetros de extensão e vai possibilitar a ligação do Terminal de Vila Velha à Glória com uma faixa exclusiva, e também vai contar com ciclovia, calçadas acessíveis e estações de embarque. O projeto foi contemplado pelo Novo PAC, do governo federal, com investimento de R$ 143 milhões.
No projeto básico preparado pela prefeitura, da Carioca para a Lindenberg, a principal conexão será pela Avenida Gonçalves Ledo, que vai se ligar à Rua Dom Pedro II, e passará pela Jerônimo Monteiro antes de se tornar a Lindenberg. A previsão é que a maior parte do traçado seja com três faixas de circulação em cada sentido.
O corredor exclusivo ficará situado à direita na pista e deverá se conectar com o Expresso GV, que está em implantação na Carlos Lindenberg pelo governo do Estado.
A secretária de Obras e Projetos Estruturantes de Vila Velha, Menara Cavalcante, conta que, para a realização das intervenções, serão necessárias desapropriações. No momento, os imóveis que vão ser afetados ainda não podem ser identificados porque o processo está em andamento.
Para garantir mais uma faixa na Avenida Carioca, além de desapropriação, há previsão de recuo de área de calçada nos trechos em que apresenta mais de dois metros de largura. Questionada se o tamponamento do Canal da Costa, no limite da via, não seria uma alternativa para a implantação da terceira faixa, Menara explica que há inúmeros complicadores que levaram a administração a descartar a opção.
"O trecho com a faixa aberta do canal não foi feito com a mesma estrutura da ponte. É só um cobrimento de laje que não comporta o peso dos veículos. Para autorizar a passagem de veículos, precisaria mudar toda a carga, refazer a obra de macrodrenagem. Mas o grande dificultador é que uma obra desse porte iria demandar uma interdição muito longa da via, com grande transtorno no que é hoje o principal acesso a Vila Velha", pontua.
Ciclovia
Menara afirma que essa estrutura, inclusive, não permitiu a continuidade de implantação da Ciclovia da Vida pela Avenida Carioca porque seria necessário um novo modelo de sustentação para instalar uma pista para os ciclistas.
A secretária também foi perguntada se, agora, no projeto de ampliação da Carioca não seria possível colocar ciclovia. Menara diz que outro estudo de viabilidade técnica vai ser realizado para essa finalidade.
"É preciso achar uma forma de estruturar que não restrinja a vazão do canal, que é o principal ponto de saída da água de chuva da Região 1 — composta por bairros da área central e da orla, como Praia da Costa, Itapuã, Itaparica e Gaivotas. Não se pode, por exemplo, colocar pilares e criar pontos de obstrução que poderiam provocar alagamentos", esclarece.
Menara reconhece que há uma demanda por ciclovia na região e que haverá um esforço da administração para que, numa segunda fase do projeto, a estrutura possa ser implementada para se conectar a outras áreas destinadas a ciclistas.
Licitação e obras
A licitação será no modelo RCDI (Regime Diferenciado de Contratação Integrada) em que a empresa vencedora deverá realizar o projeto executivo para, então, fazer as obras. O desenvolvimento do projeto, segundo Menara, deve levar 90 dias. Somente, então, será dada a ordem de serviço.
A previsão é que, a partir do início das intervenções, a execução da nova ligação seja concluída em 24 meses. Além dos recursos do governo federal, a prefeitura também deverá fazer um aporte financeiro, mas o valor ainda está sendo estimado porque depende, particularmente, dos gastos com as desapropriações.