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Adoção: as histórias de crianças que transformaram mulheres em mães

Na data dedicada a celebrar aquelas que cuidam, Telma, Virginia, Elaine e Laís têm em comum o desejo de serem mães e os caminhos que não passam por gestação

Tempo de leitura: 3min
Vitória
Publicado em 08/05/2022 às 09h01

Os caminhos que levam à maternidade nem sempre vão passar por uma gestação. Muitas mulheres, por motivos diversos, realizam o desejo de se tornarem mães por meio da adoção. E a vida é transformada pelo amor, pelos novos desafios, pelas conquistas. Essa é a história de Telma Apolinário, Virginia Silva e Eliane Vieira, já com suas crianças, e também de Laís Cristina que, mesmo na segunda gravidez, segue na fila à espera do filho do coração.

Telma e o marido, João Carlos, entraram na fila da adoção e também na contramão de padrões ao se tornarem pais de Mariana quando ela já tinha quase 9 anos. Essa é uma faixa etária a partir da qual dificilmente as crianças conseguem uma família e só deixam o abrigo quando chegam à maioridade para buscar a própria sorte. 

No Espírito Santo, há hoje 786 crianças abrigadas, das quais 514 têm mais de 6 anos. Do total, 100 estão disponíveis para adoção, segundo dados do painel do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Virginia Silva e os filhos Gabriel e Rafaella
Virginia Silva entre os filhos Gabriel e Rafaella: o envolvimento com a adoção a fez criar um grupo de apoio. Crédito: Fernando Madeira

O abrigamento é a primeira fase pela qual passa uma criança quando ela não pode ficar sob a responsabilidade de pai e mãe biológicos. Por isso, há uma diferença entre o número de acolhidos para os que estão efetivamente aptos à adoção.

O Judiciário tenta, inicialmente, reintegrar essas crianças às famílias, dando prazo para se reestruturarem, mas, se não é possível, os pais são destituídos desse poder para que meninas e meninos fiquem disponíveis para um novo lar. Não há um tempo determinado do abrigamento até a criança ficar disponível.

Para a administradora Virginia Silva, depois que foi habilitada para a adoção, o primeiro filho chegou em dois meses. Ela conta, em tom de brincadeira, que o tempo de nove meses que a maioria das mulheres tem para preparar a casa e receber o recém-nascido, no seu caso se resumiu em 4 horas a partir do momento que recebeu a ligação da assistente social. 

Gabriel chegou quando tinha 50 dias e, dois anos e meio depois, Virginia recebeu Rafaella, aos oito meses. A adoção de mais de uma criança, como fez a administradora, também não é frequente. 

HABILITAÇÃO

Para quem deseja adotar, há um procedimento chamado habilitação, em que o candidato se manifesta perante a Justiça sobre a sua intenção. Entre outras etapas, o pretendente deve indicar um perfil do futuro filho, com gênero, cor, condição de saúde. É nessa fase que crianças maiores costumam ficar de fora da lista, assim como aquelas com alguma doença ou com grupo de irmãos.

Entre as crianças abrigadas, 419 têm pelo menos um irmão na mesma condição. Das 100 disponíveis para adoção, 69 têm irmãos e 30 algum problema de saúde.

Na avaliação da confeiteira Eliane Vieira, não há que se ter medo ou preconceito. Desde o momento em que a mulher decide ser mãe, não faz diferença se a criança vai ser gerada na própria barriga ou no coração. 

Laís Cristina, João Américo Procópio e a filha Alice
Laís Cristina,  grávida de seis meses, João Américo Procópio e a filha Alice, gerada naturalmente, aguardam na fila de adoção. Crédito: Fernando Madeira

E há muitas famílias dispostas à adoção. Hoje, o Espírito Santo tem 643 pretendentes disponíveis, como o casal Laís Cristina e João Américo Procópio que entrou na fila porque ela recebeu um diagnóstico de que não poderia gerar filhos naturalmente. Até que veio a Alice e, agora, os pais aguardam por Helena. Ainda assim, seguem esperando pelo filho adotivo. 

No Estado, há grupos de apoio para as famílias que planejam ou já adotaram, como o Gerando com o Coração, conduzido por Virginia Silva com outro casal de adotantes. Há, ainda, um trabalho desenvolvido pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) que, entre outras ações, promove a campanha Esperando por Você, com crianças e adolescentes prontos a seguir para um novo lar.

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