O Espírito Santo tem 137.612 famílias em déficit habitacional. Isso significa que, a cada cinco famílias, uma vive em habitação com condições precárias ou com pelo menos 30% da renda familiar impactada pelo aluguel.
Por sinal, o aluguel é o principal motivo para a família estar em déficit habitacional. Dados levantados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), a partir de informações do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), mostram que essa é a situação de 127.783 famílias.
“Elas são inseridas no déficit habitacional porque o valor do aluguel impacta diretamente o orçamento dessas famílias e as condições de habitação”, explica o diretor-geral do IJSN, Antônio Ricardo Freislebem da Rocha.
Os dados do CadÚnico são de famílias pobres ou extremamente pobres, com renda de meio salário mínimo (R$ 810,50) por pessoa ou de até três salários mínimos (R$ 4.863) por família, exatamente o público das faixas 1 e 2 do programa Minha Casa, Minha Vida.
Outras 6.400 famílias vivem em habitações precárias, a exemplo de residências sem paredes de alvenaria ou madeira, ou com telhado vulnerável e em condições de insalubridade, gerando desconforto e trazendo risco para a saúde.
A precariedade também se caracteriza por domicílios improvisados, a exemplo de imóveis comerciais que servem como moradia alternativa, incluindo áreas embaixo de pontes e viadutos, barcos e cavernas, entre outros.
O adensamento excessivo é outra precariedade considerada no levantamento feito pelo IJSN, incluindo famílias com três ou mais moradores por dormitório, assim como os espaços de coabitação familiar, quando mais de uma família vive em um mesmo ambiente.
“Esses números servem, exatamente, para ajudar os gestores municipais com o panorama das condições de suas cidades. Nossos objetivos são no âmbito da habitação para famílias de baixa renda, com execução de políticas públicas voltadas à provisão e recuperação de moradias, em especial para elaboração de planos municipais de Habitação de Interesse Social”, enfatiza Rocha.
As orientações municipais, segundo o diretor-geral do IJSN, também podem vir com formações e treinamentos para a equipe técnica. Em parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), por exemplo, o instituto capacitou servidores de Piúma e Aracruz. Também se reuniu com a Prefeitura de Anchieta para ajudá-la a estabelecer políticas públicas habitacionais.
“Nosso estudo é feito de forma bianual, com dados publicados e divulgados para todos os 78 municípios capixabas. A intenção é auxiliar os gestores a estabelecerem ações e programas que contribuam para monitorar e reduzir o déficit habitacional em seus territórios”, afirma o diretor-geral do IJSN.
O levantamento é realizado pelo instituto desde 2015. Nessa série histórica, é visível o crescimento no número de famílias cadastradas no CadÚnico, assim como o percentual dessas famílias em déficit habitacional.
85%
De aumento no número de famílias em déficit habitacional no ES, em 10 anos.
Os primeiros dados, publicados em 2016, apontaram 74.170 unidades familiares nessas condições, o correspondente a 19,75% do total das famílias no CadÚnico. Os números mais recentes, computados em janeiro de 2026, mostram o crescimento para 137.612 famílias com más condições habitacionais, atingindo 20,68% do total registrado no CadÚnico.
O que aumentou, em 10 anos, foi exatamente o registro de famílias tanto no Cadastro Único quanto no déficit habitacional. Entre 2016 e 2026, houve um acréscimo de mais de 63 mil famílias. Um salto considerável: acima de 85%.