Encontro de fãs de kpop promovido pela empresa que Jéssica coordena
Encontro de fãs de kpop promovido pela empresa que Jéssica coordena. Crédito: Espírito Kpop/Divulgação

K-pop ganha força no ES e até empresa especializada no gênero

Gênero musical com origem na Coréia do Sul encanta capixabas que estão até ganhando uma grana com a produção de eventos específicos para o público no Espírito Santo

  • Gazeta Online
Publicado em 26/04/2018 às 11h43
Atualizado em 11/09/2019 às 16h22

A Coreia do Sul é aqui! Nos últimos anos, a afirmação ganha ainda mais força. É que, de uns tempos para cá, a cultura oriental ganhou mais fama entre os capixabas. Entre as rodas dos fãs desse gênero que, para a grande maioria da população não é tão comum, aumentou a admiração pelos artistas do chamado k-pop - que nada mais é que abreviação para música pop coreana. Já tem até empresa, no Espírito Santo, de promoção de eventos que se dedica exclusivamente a esse tipo de festa.

Jéssica Monteiro, de 25 anos, é coordenadora da Espírito Kpop e explica que, desde que começou a investir no ramo, em 2016, só viu os números de fãs aumentarem. "Quando fizemos o primeiro encontro, em 2016 mesmo, contabilizamos cerca de 300 pessoas. No terceiro encontro, já foram 600 fãs e a cada edição esse número aumenta", comemora. Ela diz que para este ano já está previsto o VI Encontro Espírito Kpop, em maio, na Pedra da Cebola, em Vitória, e em setembro uma outra festa que trará, inclusive, atrações do gênero de São Paulo.

Jéssica Monteiro, coordenadora do Espírito Kpop

Eu pensei: preciso entrar nesse mundo

"Além de grandes encontros, como o que vai acontecer na Pedra da Cebola, nós também fazemos baladas, no Centro de Vitória, de três em três meses. Quem é fã de k-pop também curte outras coisas, então sempre deixamos esse espaço para não massificar", detalha. Segundo a jovem, ela mesma percebeu que havia um mercado em Vitória que não era atendido. "Eu pensei: preciso entrar nesse mundo", completa.

Jéssica Monteiro é coordenadora da Espírito Kpop, empresa especializada em eventos que brindam a cultura coreana. Crédito: Espírito Kpop/Divulgação
Jéssica Monteiro é coordenadora da Espírito Kpop, empresa especializada em eventos que brindam a cultura coreana. Crédito: Espírito Kpop/Divulgação

O próprio nome diz, mas não custa reforçar: o k-pop nasceu na Coreia do Sul. Acontece que não demorou para que as bandas explodissem em todo o mundo. No Brasil, a febre começou a estourar entre o fim de 2016 e início de 2017, mas os fãs capixabas garantem: tem muita gente que já gostava do gênero antes dessa "moda".

GRUPOS

Entre alguns nomes que bombam no cenário está o NU'EST, que está num período de hiato com a saída de um integrante, Minhyun. Porém os fãs estão afoitos já que ainda neste ano eles devem lançar o single "If You".

O EXO, formado por nove jovens sul coreanos, é um dos maiores sucessos do k-pop mundial. Outro em destaque é o Dreamcatcher, que possui uma coisa comum com os demais grupos citados, a saída de membros e reformulação de sua formação foi formado originalmente como "MINX" e possui, hoje, 7 integrantes. Eles lançaram o primeiro single, "Why Did You Come To My House", em setembro de 2014. Eles reestrearam com o novo nome em 2016 - e a adição de dois novos membros. 

DIFERENCIAL

Mas o que faz o gênero ser tão hipnotizante? A jornalista Gaby Brandalise, que estuda bastante o tema, relatou alguns segredos para a revista "Toda Teen". Para ela, o principal ponto que diferencia uma estrela do gênero de outra do pop mundial está nas coreografias.

"O K-Pop é um grande espetáculo em que é possível afirmar que a coreografia é um dos aspectos que tornam a experiência para os fãs em um debut ou em um comeback tão incrível. Não é anormal você ouvir pessoas que curtem o estilo contarem que, quando só ouviam música brasileira ou norte-americana, não prestavam tanta atenção assim, pelo menos não com um olhar tão refinado, quando seus artistas preferidos executavam passos no palco", explica Gaby.

Ela ainda revela que o gênero traz artistas completos, num pacote com dança, canto, clipes e cenários incríveis: "O jeito coreano de fazer música muda essa perspectiva porque o que é vendido é muito mais do que um álbum novo com faixas inéditas. É um pacote, em que você ouve, vê e sente. Assim, uma das coisas que mais geram expectativa quando as pessoas estão aguardando por um comeback ou por um debut é saber como será a coreografia. Tanto que no caso de singles mais calmos, em que não há dança, a produção é mais carregada nos cenários das lives para manter a atenção dos fãs", completa.

INSPIRAÇÃO E CRIAÇÃO DE GRUPOS PRÓPRIOS

Jéssica se diz fã da cultura coreana desde 2014 e conheceu o ritmo por meio de uma amiga. Assim como ela - e prova viva desse aumento de fãs capixabas, é a professora Amanda Oliveira, de 30 anos. Ela, há oito anos, decidiu embarcar no mundo do k-pop e nunca mais conseguiu parar de dançar. "Conheci por meio de revistas de anime que vinham com algumas matérias falando sobre o gênero e fui me interessando", detalha.

A professora diz que sempre se encantou pela cultura asiática e se diz influenciada pelos desenhos que assistia na televisão. Hoje, ela se sente atraída - no k-pop - pelo estilo inovador e original. "É algo diferente, o k-pop traz isso. O gênero deles é bem diferente e a originalidade da dança é bem legal", afirma. Ela, que faz parte do grupo Fantasy Dance Group - que tem cerca de 19 membros - já competiu dançando o ritmo coreano no Espírito Santo e até fora daqui. "Conquistamos vários prêmios em São Paulo e Belo Horizonte. Aqui no Estado também já participamos de algumas competições e conseguimos títulos com as apresentações", garante.

Amanda já se apresentou sozinha em um número de k-pop no Anime Connection 2017. Assista: 

Amanda doa um dia da semana para os ensaios com os outros membros do grupo mas, sempre que pode, também treina, à noite, em casa. "Ensaiamos todos os sábados e dá para conciliar tudo sem ter problema na agenda. Vejo que o k-pop aqui está crescendo muito. Onde passo, vejo gente com camiseta, as crianças escutam... Eu fico até surpresa e pensando: 'onde elas conheceram isso?'. Mas ai lembro que tudo é internet (risos)", brinca.

APRENDEU A GOSTAR

A universitária Luisa Rainha, de 22 anos, achava um pouco estranho, logo que conheceu, as danças do k-pop. Até porque, não estamos acostumados como eles com o gênero. Acontece que, depois de um tempo assistindo a vídeos e conhecendo um pouco mais da cultura, ela se encantou e, desde 2013, dança no grupo Opulance Dance Team. 

Luisa destaca que todos os cerca de 15 integrantes ensaiam aos domingos, rigorosamente, para manter as coreografias em dia. "Quando tenho um tempinho ensaio em casa também", confidencia. Filha única, ela também é a única da família que é fã de kpop e, como ela, alguns estranharam quando ela começou a gostar do gênero. Assista a uma apresentação de Luisa no kpop:

"Mas todos foram se acostumando (risos). De início, o primeiro contato, todo mundo estranha, pergunta o que é... O que eles estão falando e o que estão cantando. A gente também não entende, mas gosta, né? (Risos)", conta, às gargalhadas. Para ela, o que mais chama a atenção é o exagero das produções. "Tudo é exagerado. Eu gosto... É diferente", exemplifica.

FÃS BRASILEIROS NO TOPO DO RANKING

Em 2018, o Twitter apoiou pela primeira vez o #SoompiAwards, premiação anual que é realizada entre assuntos relacionados à cultura pop coreana. O concurso elege os principais nomes do kpop em diversas categorias. A votação para o "Melhor Fandom do Twitter", em que fãs Tweetaram com a hashtag #TwitterBestFandom para escolher o seu grupo de música pop coreana favorito, gerou quase 42 milhões de Tweets em todo o mundo durante dois períodos de 24h. Os fãs brasileiros de kpop tiveram uma participação de destaque na votação, colocando o Brasil como o sexto país em número de usuários votantes únicos, atrás apenas países da Ásia e dos Estados Unidos.

A Tailândia foi o país com o maior número de usuários que participaram da votação do "Melhor Fandom do Twitter", seguida por Coreia do Sul, Filipinas, Indonésia, Estados Unidos, Brasil, Japão, Malásia, México e Turquia. O número de eleitores únicos no Twitter aumentou em 17% em relação ao ano anterior, fazendo de 2018 a temporada de votação mais popular do Soompi Awards no Twitter.

O grande vencedor do prêmio #TwitterBestFandom foi o grupo Got7 (#TeamGOT7), que obteve quase 40% do total de Tweets de votação e defendeu o título de Melhor Fandom pelo terceiro ano consecutivo. O @GOT7Official também foi coroado como Melhor Grupo Masculino e ganhou o prêmio de popularidade na América Latina.

OS REIS DO K-POP

O Gazeta Online separou os grupos "mais mais" do gênero. Confira:

NU’EST

O grupo, formado por homens sul-coreanos, foi lançado em 2012 em Seul, na Coreia do Sul. JR, Aron, Minhyun, Baeckho e Ren - os integrantes - ficaram ainda mais famosos depois que participaram de um reality. Em 2017, por uma série de episódios, Minhyun deixou o grupo, que passou a se chamar NU'EST W - o "w" significaria "wait" (espera, em inglês), sinalizando a espera do retorno do integrante que saiu para promover o grupo novamente. Ainda neste ano eles devem lançar o single "If You".

Nu'est - k-pop. Crédito: Sarah Norton
Nu'est - k-pop. Crédito: Sarah Norton

WANNA ONE

Apesar de ser um grupo temporário, também formado só por homens sul-coreanos, eles fazem sucesso - e ficarão juntos, a princípio, até o fim de 2018. O grupo, que estreou formalmente em agosto de 2017, tem o selo da YMC Entertainment, já que foi formado por meio do programa de sobrevivência "Produce 101 Season 2", da Mnet. 

Wanna One - k-pop. Crédito: Divulgação
Wanna One - k-pop. Crédito: Divulgação

EXO

Também formado só por homens da Coreia do Sul, esse grupo foi criado em 2012 e é um dos maiores sucessos do kpop mundial. São nove jovens que começaram a carreira com doze membros, que antes eram separados em dois subgrupos: "EXO-K" e "EXO-M" - eles cantavam coreano e mandarim, respectivamente, nessa época. 

EXO - K-pop. Crédito: Divulgação
EXO - K-pop. Crédito: Divulgação

RED VELVET

Só de meninas, o grupo nasceu em 2014 e tem cinco integrantes. Irene, Seulgi, Wendy, Joy e Yeri fizeram a primeira apresentação em agosto do ano de fundação com o single "Happiness". Os EPs lançados pelas cantoras sempre ficaram no topo das paradas de sucesso e elas, também, são consideradas das mais famosas artistas do gênero. O grupo já recebeu prêmios de música, coreografia e popularidade. 

Red Velvet - k-pop. Crédito: Divulgação
Red Velvet - k-pop. Crédito: Divulgação

DREAMCATCHER

Outro grupo nascido na Coreia do Sul, Dreamcatcher foi formado originalmente como "MINX" e possui, hoje, 7 integrantes. Eles lançaram o primeiro single, "Why Did You Come To My House", em setembro de 2014. Eles reestrearam com o novo nome em 2016 - e a adição de dois novos membros. 

Dreamcatcher - k-pop. Crédito: Divulgação
Dreamcatcher - k-pop. Crédito: Divulgação

A Gazeta integra o

Saiba mais

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espirito Santo.