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Grafite em homenagem a Lula Rocha chama atenção na Vila Rubim

Arte foi feita pelo capixaba Luhan Gaba em parceria com Starley Bonfim e retrata o ativista em sua faceta política e cultural

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 25/03/2021 às 12h01
Painel Lula Rocha por Luhan Gaba e Starley Bonfim
Painel Lula Rocha por Luhan Gaba e Starley Bonfim. Crédito: Luhan Gaba

O ativista Luiz Inácio Silva Rocha, falecido no último dia 11 de fevereiro, ganhou uma homenagem feita pelos grafiteiros Luhan Gaba e Starley Bonfim. O painel repleto de cores chama a atenção de quem passa pela Vila Rubim e retrata a dedicação do capixaba aos movimentos sociais e à cultura - suas duas facetas, que caminhavam sempre na direção da causa negra e dos direitos humanos.

Totalmente custeado pelos artistas, o trabalho foi voluntário e está localizado mais especificamente na região conhecida como Praça da Feirinha, em frente a Rua Pedro Nolasco.

Tornar a figura de Lula Rocha uma obra de arte foi ideia de Gaba, que, como primeiro passo, entrou em contato com o irmão de Lula, Wynni Rocha, para saber se a obra seria bem-vinda pela família. “Ele (Wynni) teve uma resposta super positiva, falou que adorou a ideia. Por coincidências da vida, ou não, parece que o local que eu escolhi para fazer o trabalho fica em frente ao espaço que o pai do Lula (Isaías Santana) corta o cabelo há muitos anos. Parece que fiz no lugar certo, para ele ver mesmo”, comentou o grafiteiro.

No grafite, Lula aparece grande e esbanjando vida na figura central desenhada por Gaba, nas laterais foi Bonfim quem registou Rocha discursando, do lado direito, como ele fazia sendo coordenador do Círculo Palmarino no Espírito Santo, presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos e presidente da Federação da Juventude Negra do ES. À esquerda, Lula aparece tocando repique, mostrando seu lado artístico e ligado ao carnaval. Ele era muito ligado ao samba e foi um dos fundadores do grupo Afro Kizomba junto ao seu pai.

Lula Rocha em painel de Luhan Gaba e Starley Bonfim

Painel com Lula Rocha por Luhan Gaba e Starley
Painel com Lula Rocha por Luhan Gaba e Starley. Luhan Gaba
Painel com Lula Rocha por Luhan Gaba e Starley
Painel com Lula Rocha por Luhan Gaba e Starley. Luhan Gaba
Painel com Lula Rocha por Luhan Gaba e Starley
Painel com Lula Rocha por Luhan Gaba e Starley. Luhan Gaba
OLuhan Gaba
O artista visual e grafiteiro Luhan Gaba. Luhan Gaba
O grafiteiro Starley Bonfim
O artista visual e grafiteiro Starley Bonfim. iÁ Estúdio
O artista visual e grafiteiro Starley Bonfim
O artista visual e grafiteiro Starley Bonfim
O artista visual e grafiteiro Starley Bonfim
O artista visual e grafiteiro Starley Bonfim
O artista visual e grafiteiro Starley Bonfim

O artista natural de Cariacica conta que chegou a ter contato com o ativista, em fóruns da juventude negra. “O último contato que tive com ele, inclusive, foi em um evento de grafite, que teve lá em Feu Rosa. Ele estava circulando e parou para conversar. Foi a última vez que eu o vi, há uns dois anos. Acabou que a notícia do falecimento dele pegou todo mundo de surpresa. Lula era um rapaz super novo, querido... Eu não conheço ninguém que fale um ‘a’ dele. Sempre tive bastante admiração, gostaria até de ter feito essa homenagem em vida, para ser sincero”, relata Gaba.

Starley também chegou a conhecer Lula pessoalmente. Embora não tenha tido muito contato, o artista conta que acompanhava a carreira de Lula pelas redes sociais. Assim que Luhan o convidou para a parceria, a resposta imediata foi sim. “Lula é uma figura icônica, que merece respeito pela sua trajetória. Toda homenagem ainda é pouco, mas fizemos essa singela menção a memória desse irmão que iluminou muitos durante sua passagem”, pontuou Bonfim.

RESISTÊNCIA E ARTE

Gaba costuma registrar figuras negras em seus trabalhos. Os músicos Nina Simone e Itamar Assumpção são exemplos de quem já virou arte por suas tintas. Luhan diz que a questão da militância é bem clara e forte em seu trabalho, sendo parte de sua definição. “A população negra é carente de referência, não por não ter, às vezes por não ter acesso ao conhecimento sobre o que elas fizeram, quais foram as ações delas em vida”, defende.

Além disso, o artista diz acreditar no graffiti como meio de resistência: “Tem até uma música que fala que só um graffiti na parede já demonstra algum direito, porque se a gente estiver numa sociedade totalmente calada, totalmente silenciada, acho que é porque as coisas não andam muito bem”.

A influência dos trabalhos com acesso democrático, estando nas ruas para todos verem, acaba às vezes sendo maior que o imaginado. “Quem trabalha com arte de rua, às vezes, não têm nem noção do alcance do trabalho. Esse painel mesmo do Lula trouxe feedback de pessoas que eu nem imaginava, é bem bacana isso”, relata Luhan.

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