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Filme de jovem diretor capixaba será exibido em festival na Suíça

"Familiar Face" é o primeiro filme dirigido por Ramon Luz, natural de Montanha, interior do Estado

Publicado em 03/04/2019 às 19h42

Em seu primeiro filme, o jovem diretor capixaba Ramon Luz, 27 anos, natural de Montanha, ja voou alto. Seu média-metragem documental “Familiar Face”, foi selecionado para o catálogo de novos talentos do Festival Internacional de Cinema Visions du Rèel, realizado na cidade de Nyon, Suíça.

Sua obra conta a história de Habibti, imigrante sírio, gay, que constrói uma nova vida como refugiado em Berlim, na Alemanha, aonde chegou em 2015. Ainda emocionalmente abalado pela mudança, se sentiu ameaçado na nova casa, mas foi amparado por uma ajuda familiar, em especial de Markus, alemão natural do Oeste do país.

Gravado entre junho e setembro de 2018, “Familiar Face” tem 45 minutos e sua trama espelha um pouco a trajetória do seu diretor. Ramon mora na Alemanha desde 2017, ele se mudou após ganhar a bolsa internacional German Chancellor Fellowship, da Fundação Alexander von Humboldt, que financiou o documentário. Enquanto desenvolvia o projeto, ele também aprendia alemão e, de certa forma, fazia uma análise sobre sua própria vida.

“Por mais que o tempo passe, você sempre vai ser um estrangeiro. Quando me inscrevi para a bolsa, sabia que eles levavam em conta que o projeto refletisse a minha história de vida. A vida de Habibti é uma representação da minha, um rapaz gay que muda de país e descobre um novo cenário. Nesse processo a gente entende a aprende a aceitar que o futuro é um borrão. No Brasil eu tinha minhas metas mais claras e tinha clareza do que eu podia alcançar com as experiências que tive. Isso aqui tem um outro valor”, reflete o diretor.

Ramon foi o primeiro capixaba a conseguir a bolsa alemã e seu filme é a única produção Brasil – Alemanha entre os selecionados deste ano do festival suíço – foram mais de 40.000 candidatos. “Como é o meu primeiro filme, pedi indicações e perguntei sobre festivais. Fiquei sabendo que o Festival Internacional de Cinema Visions du Rèe é um dos principais para documentários. Enviei acreditando no que eu fiz e sabendo das limitações por ser meu primeiro filme. Existem limitações financeiras, técnicas... Sei que não é uma obra-prima, mas encarei. Eles não selecionaram para o programa oficial mas me escolheram para uma sessão de novos talentos”, conta.

DESTAQUE

Esta não é a primeira vez que Ramon se destaca na multidão. Em 2016 ele participou de um curso on-line que a Universidade do Texas em Austin promoveu de vídeos jornalísticos para web e, no final, ele produziu um mini-documentário em Regência, sobre a tragédia de Mariana. O filme foi premiado pela ANJ (Associação Nacional de Jornais). “Acho que foi a faísca para que eu começasse. Com isso eu ganhei confiança para mandar minha inscrição para bolsa”, conta.

O filme conta com um time que inclui outros capixabas. Cainã Morellato e Alexandre Gadioli assinam o design. Cainã e Ramon são velhos amigos e criaram juntos o nome da banda Cainã e a Vizinhança do Espelho, um dos destaques da nova cena capixaba.

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