Entenda como funciona a musicoterapia e sua aplicação no ES

Na prática, o profissional usa do repertório cultural de cada paciente para a escolha das músicas que serão utilizadas no tratamento de condições físicas e psicológicas. Desta forma, as canções dependem da conexão que o paciente tem com elas

Vitória
Publicado em 07/01/2021 às 19h01
Atualizado em 07/01/2021 às 19h01
O musicoterapeuta e  Presidente da Associação de Musicoterapeutas do Estado do Espirito Santo Alexandre Araújo em atendimento a idosos. Crédito: Lion  Almeida
O musicoterapeuta e Presidente da Associação de Musicoterapeutas do Estado do Espirito Santo Alexandre Araújo em atendimento a idosos. Crédito: Lion Almeida

A música tem a capacidade de nos fazer bem e tocar nossos corações, como descreveu Marcelo D2 no rap “O Poder da Música”. Mas essa arte também é usada como instrumento para tratar condições físicas e psicológicas. A musicoterapia, como é chamada essa técnica, já é uma realidade no Brasil desde a década de 1950 e, no Espírito Santo, chegou em 1990. E  não se trata apenas de tocar uma música que o paciente tenha afinidade com o intuito terapêutico, como garante o presidente da Associação de Musicoterapia do Espírito Santo (AMTES), Alexandre Araújo. 

“A musicoterapia é um conjunto de técnicas que é todo baseado na estrutura musical a priori. É um trabalho terapêutico que você tem que ter uma formação teórica”, explica Araújo, comentando que o profissional da área precisa ser formado em música e pós-graduado nesse nicho ou pode se formar diretamente em musicoterapia. No Espírito Santo os musicoterapeutas são formados a partir da segunda opção, com cursos disponíveis nos institutos Alpha e Fênix.

Na prática, o profissional usa do repertório cultural de cada paciente para a escolha das músicas que serão utilizadas no tratamento. Desta forma, as canções dependem da conexão que o paciente tem com elas, sendo indiferente o fato dela ser um rock, funk, pagode ou MPB, por exemplo. “As músicas utilizadas estão centradas na pessoa com quem vamos desenvolver o trabalho. Sempre é uma coisa individualizada", reitera Araújo, detalhando que mesmo quando a terapia é grupal existe essa análise pessoal para a escolha das músicas.

O profissional conta também que no processo do tratamento vai sendo desenvolvido todo um grau de associação para que seja possível identificar qual é o problema que a pessoa está encontrando e que tipo de emoções ela consegue acessar através das canções escolhidas. “A música é quase como um signo que acessa as emoções com muito mais facilidade”, pondera.

Podendo ser utilizada no tratamento de pessoas em reabilitação, crianças com deficiência, idosos e pacientes psiquiátricos, a musicoterapia pode ser aplicada de diferentes formas. “O público é bastante diversificado e pode ser trabalhado também com pessoas que não têm necessariamente uma patologia”, comenta Alexandre.

A terapia pode ser aplicada de forma passiva, onde o paciente apenas escuta, ou ativa, quando ele toca algum instrumento no processo. Araújo conta que apesar de não ser necessário que o paciente saiba tocar um instrumento para utilizar da musicoterapia, caso ele já seja musicalizado, alguns instrumentos costumam ser utilizados: “A gente sempre procura usar instrumentos portáteis, os mais fáceis de transportar, e no caso da família ou daquele paciente que tenha interesse ele pode escolher instrumentos da sua preferência. Mas, normalmente, o musicoterapeuta tem um pequeno set: um instrumento de corda, um pequeno teclado, um teclado de sopro, flauta doce, instrumento de percussão”.

Vale frisar que é bastante comum que o musicoterapeuta trabalhe em parceria com outros profissionais, pontua: “Isso no sistema único é quase que uma exigência, então você trabalha com psicólogo, você trabalha com fisioterapeuta, com terapeuta ocupacional, com fonoaudiólogo”. Ele ainda detalha que cada uma dessas associações vai em uma direção, podendo ela ser a reabilitação oral; o fortalecimento da comunicação; a melhoria da atenção; redução da angústia; dentre outras.

ATUAÇÃO NO ESPÍRITO SANTO

Os musicoterapeutas atuantes no Espírito Santo trabalham em equipamentos públicos, privados e em ONGs, com destaque para os Centros de Atenção Psicossocial Infanto Juvenil (CAPSi) I e II de Vila Velha; os CAPSi I e II de Vitória; CAPS AD de Vitória;  Hospital Estadual de Atenção Clínica (HEACE) – antigo Adauto Botelho, em Cariacica; Centro de Reabilitação Física do Espírito Santo (Crefes) de Vila Velha; Apae Vitória; CAPS Ilha (Vitória), entre outros locais.

O  presidente da Associação de Musicoterapia do Espírito Santo destacou que  a categoria também pela ampliação de oportunidade de trabalho para os musicoterapeutas na saúde pública do Estado. Segundo ele, os musicoterapeutas capixabas também integram um movimento coletivo das associações brasileiras em busca da regulamentação da profissão.

"O que existe, na verdade, é a regularização, isso já desde o final dos anos 80”, pontua Alexandre. O projeto de lei n. 6.379/2019 é o texto que tenta emplacar a mudança, e atualmente tramita na Câmara Federal, em Brasília. "O projeto já entrou no Senado e saiu algumas vezes, agora ela está tramitando lá”, informou.

“Buscamos levar para as demais secretarias municipais a importância do trabalho do musicoterapeuta, porque já estamos no SUS desde o ano de 1994 e particularmente desde o ano de 1990”, comenta o presidente da AMTES, que atua na Prefeitura de Vila Velha.

O QUE É A REGULAMENTAÇÃO?

Uma profissão com regulamentação própria tem seus contornos são bem definidos perante à lei, contendo descrição de direitos e garantias, com as horas que compõem a jornada de trabalho e o piso salarial. Sendo o último passo do processo legal envolvendo um ofício, a regulamentação acaba por promover uma valorização social da área profissional, além da evidente proteção dos trabalhadores.

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