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Publicado em 20 de outubro de 2025 às 11:38
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é, há mais de duas décadas, o principal passaporte para o ensino superior no Brasil. Milhões de jovens – e também adultos – apostam na prova como oportunidade de ingressar numa universidade pública ou privada, por meio de programas como Sisu, Prouni e Fies. >
Mas, além da prova, o desafio está na decisão sobre qual curso escolher. Para especialistas, trata-se de uma decisão que exige maturidade, autoconhecimento e, sobretudo, informação. A pressão familiar, o medo de errar e a falta de experiências práticas podem transformar esse momento num dos mais complexos da vida escolar.>
A consultora e mentora no Desenvolvimento da Liderança e comentarista da CBN Vitória, Andrea Salsa, reconhece que “escolher uma profissão é sempre um desafio, especialmente para jovens que ainda têm pouca experiência de vida”. Ela ressalta que o processo de escolha deve se basear em pilares claros: afinidade com a área de conhecimento, habilidades pessoais, valores, estilo de vida desejado e perspectivas de mercado.>
Andrea Salsa
Consultora e mentora no Desenvolvimento da Liderança e Comentarista da CBN VitóriaAndrea também faz um alerta sobre o contexto social brasileiro. Para ela, qualquer orientação vocacional precisa considerar o abismo socioeconômico que separa estudantes de diferentes classes e realidades. “Estamos num país com desigualdades profundas. Por isso, é importante ter sensibilidade ao recomendar caminhos. Nem todos têm acesso a testes vocacionais ou terapia, mas a internet pode ser uma grande aliada para quem busca se conhecer e explorar possibilidades”, aponta.>
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A consultora cita que, no ambiente on-line, há inúmeras oportunidades para que os jovens conheçam profissões, participem de feiras virtuais, assistam a palestras e façam pesquisas sobre o mercado de trabalho. “Hoje, há muito conteúdo gratuito e eventos on-line que ajudam o estudante a ampliar o olhar. É um caminho democrático de acesso à informação”, complementa. >
Andrea defende que o autoconhecimento é o primeiro passo para qualquer escolha. Ela sugere que os jovens reflitam sobre suas habilidades e gostos desde cedo. “É importante o aluno se perguntar: do que eu gosto? Em que sou bom? Que valores me movem? A resposta a essas perguntas ajuda a perceber se o curso e a profissão estão em sintonia com o que ele é”, aconselha. >
A especialista também destaca a importância de não encarar a escolha profissional como definitiva. “A carreira é uma caminhada com curvas, recomeços e descobertas. Muitos profissionais mudam de área com o tempo, e isso é absolutamente natural”, afirmou.>
Além disso, Andrea recomenda que escolas e famílias reduzam a pressão pela "escolha perfeita". “O apoio familiar deve existir, mas sem imposição. Os pais precisam estimular o diálogo e o autoconhecimento, e não projetar nos filhos suas próprias expectativas.”>
O coordenador de ensino médio do Colégio Primeiro Mundo, Carlos Azevedo, concorda que a jornada vocacional precisa ser acompanhada de perto por todos os envolvidos na formação do jovem. Para ele, o Enem não é apenas uma prova, mas uma oportunidade de crescimento e de autodescoberta.>
Carlos Azevedo
Coordenador de ensino médio do Colégio Primeiro MundoAzevedo acredita que a escola tem papel fundamental nesse processo, promovendo atividades de orientação profissional ao longo do ensino médio. Feiras de profissões, palestras com ex-alunos e visitas a universidades ajudam o estudante a entender o que realmente o motiva. >
O coordenador também reforça a importância de um trabalho conjunto com as famílias. “Os pais têm papel essencial, mas não podem escolher pelo filho. Devem apoiar e acompanhar, estimulando o jovem a descobrir sua vocação de forma livre e responsável." >
Se o autoconhecimento e a orientação escolar ajudam a definir o caminho, o mercado de trabalho mostra quais portas estão abertas. De acordo com Valquiria Sandre, gerente de operação do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), as áreas com maior oferta de estágios atualmente são: administração, pedagogia, ciências contábeis, tecnologia da informação, marketing e direito. >
Já no ensino técnico, segundo a gerente, as ofertas de vagas estão em maior concentração nos cursos de administração, logística, enfermagem e informática.>
Valquíria explica que o estágio é a principal porta de entrada no mercado de trabalho e deve ser encarado como parte do processo de aprendizagem. “O estágio permite que o estudante aplique o que aprende em sala de aula e descubra em qual área quer atuar. Às vezes, dentro de um mesmo curso, ele percebe novas possibilidades”, explica.
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A especialista cita o exemplo do estudante de administração que começa num setor financeiro, mas se identifica com recursos humanos. “Essas experiências ajudam o jovem a entender seus gostos dentro da própria profissão.">
Além das áreas tradicionais, Valquíria observa um crescimento expressivo em setores ligados à tecnologia e à comunicação digital. “A área de tecnologia da informação está em expansão, assim como publicidade e marketing, especialmente nas funções ligadas à gestão de mídias sociais e marketing digital”, comenta.>
Ela também destaca a alta empregabilidade nas engenharias, que continuam entre as carreiras mais valorizadas. “Apesar de haver muitos estudantes, o mercado ainda tem carência de profissionais qualificados. E o mesmo vale para TI: há muitas vagas abertas e dificuldade de preenchimento, o que mostra um enorme potencial de crescimento”, analisa Valquíria.>
Segundo os especialistas, a escolha do curso e da profissão ideal é, no fundo, uma síntese entre sonho, propósito e realidade. O autoconhecimento dá clareza; a escola e a família oferecem apoio; e o mercado indica as possibilidades concretas de crescimento. >
Andrea Salsa
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