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Sucessão de Juninho

Eleição em Cariacica: com a saída de Helder, cenário fica totalmente aberto

No momento, a eleição a prefeito da cidade é "terra de ninguém". Pré-candidatos se multiplicam, mais ainda a partir da ausência do petista no páreo, mas até agora não há nenhum peso-pesado. Nessas condições, todos têm chances iguais

Publicado em 06 de Fevereiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

06 fev 2020 às 04:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Helder Salomão não quis concorrer a um terceiro mandato em Cariacica pelo PT Crédito: Tati Beling
A decisão do deputado federal Helder Salomão (PT) de não ser candidato a prefeito de Cariacica deixa ainda mais aberto, na cidade, um cenário eleitoral que já era dos mais incertos. A sucessão do prefeito Juninho (Cidadania), que não pode concorrer, é uma eleição, até o momento, absolutamente carente de um peso-pesado. Há um monte de pré-candidatos, mas nenhum que possa ser apontado, de saída, como natural favorito.
Tratado até por adversários como concorrente de peso – por seu alto recall na cidade, decorrente de seus dois mandatos bem avaliados, entre 2005 e 2012 –, Helder, se fosse candidato, largaria justamente com esse favoritismo natural que falta a todos os nomes postos. Sua presença no páreo, inclusive, certamente levaria à desistência de muitos dos que hoje se apresentam como postulantes à prefeitura. Isso se Helder fosse candidato.
Agora, a não participação do ex-prefeito anima concorrentes que nem sequer manteriam os nomes se Helder entrasse no páreo e que, da noite para o dia, veem as próprias chances aumentarem. Todos pequenos; todos do mesmo tamanho e com chances equiparadas.
“O campo eleitoral em Cariacica está um deserto. Você só vê poeira. Todas as figuras dessa arena estão atônitos com a decisão do Helder”, define um veterano dirigente partidário do polo de centro-esquerda do qual o ex-prefeito faz parte.
Para ampliar ainda mais essa avenida aberta com a decisão de Helder, há o fato de o prefeito Juninho, além de não poder concorrer, também não ter encontrado até agora um candidato forte à sucessão. O prefeito, a propósito, já declarou à coluna que pode até manter-se neutro no processo.
Acrescente-se a interrogação que paira sobre o último possível concorrente de peso nessa disputa (ou, pelo menos, já largamente testado nas urnas): o deputado estadual Marcelo Santos (PDT), que disputou e perdeu as últimas três eleições a prefeito da cidade, em 2008, 2012 e 2016. Para alguns políticos locais, ele tentará de novo, até para aproveitar essa avenida. Para outros, o deputado não dá o menor sinal de pretender tentar novamente. Estaria muito mais voltado para o mandato na Assembleia e para a próxima vaga de conselheiro a ser aberta no Tribunal de Contas do Estado (TCES) – a de Sérgio Borges.
Se quiser ser candidato, Marcelo deverá sair do PDT, cuja direção hoje parece mais disposta a bancar a candidatura do vice-prefeito de Juninho, Nilton Bazílio, filiado à sigla no ano passado. Marcelo tem convite do prefeito de Viana, Gilson Daniel, para se filiar ao Podemos. Se trocar de sigla, corre o risco de perder o mandato na Assembleia, que poderá ser requerido pelo suplente dele, Luiz Durão (PDT).

OS VÁRIOS PRÉ-CANDIDATOS

Dentro do bloco político de Juninho, despontam pelo menos três pré-candidatos que disputam o apoio do prefeito e a qualidade de candidato da atual administração: o já citado vice-prefeito Nilton Bazílio, o ex-deputado estadual Sandro Locutor (presidente estadual do PROS e atualmente assessor especial do Detran-ES) e o vereador Joel da Costa (Cidadania), que é cabo da Polícia Militar.
O último ainda precisa passar pelo crivo das associações de praças e oficiais dos Bombeiros e da Polícia Militar do Espírito Santo. Isso porque o  diretor de Segurança Legislativa da Assembleia, Subtenente Assis (PSL) – derrotado na eleição ao Senado em 2018 –, também é pré-candidato a prefeito. Por meio de uma eleição interna, as associações querem decidir qual dos dois representará as categorias no processo.
Mas Joel da Costa não é o único pré-candidato a prefeito na Câmara de Cariacica. No Legislativo municipal, o vereador Celso Andreon mantém a pré-candidatura pelo PSD, partido ao qual se filiou em 2019, tendo assumido também a presidência municipal. O presidente da Câmara, Cesar Lucas (PV), é outro que pode ser candidato a prefeito.
O partido do governador Renato Casagrande (PSB) também pretende ter candidato próprio. A aposta é o ex-vereador Saulo Andreon (irmão de Celso Andreon), hoje assessor da Secretaria de Estado de Educação. Os dirigentes da sigla planejam lançá-lo não só como representante do PSB, mas com o selo de candidato do governo Casagrande. Nesse caso, Andreon deverá ter o apoio declarado da vice-governadora Jaqueline Moraes, que tende a cumprir um papel ativo na campanha.
Ainda na base de apoio ao governo Casagrande, há, ainda, firme e forte, a pré-candidatura do deputado estadual Euclério Sampaio (sem partido), que transferiu o domicílio eleitoral de Vila Velha para Cariacica em 2019. Euclério tem trabalhado intensamente para se viabilizar e também para obter a adesão do Palácio Anchieta a seu projeto.
Correndo por fora, o ex-deputado estadual Marcos Bruno planeja voltar a disputar a Prefeitura de Cariacica pela Rede Sustentabilidade. Para isso, afirma ter apoio e legenda garantidos a ele pela direção partidária. Atualmente sem mandato, o redista chegou a ser presidente da Câmara de Cariacica. Em 2016, ficou no primeiro turno na eleição a prefeito.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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