Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • EducarES
  • Por que é tão difícil sair da frente da tela do celular?
Educação

Por que é tão difícil sair da frente da tela do celular?

O scroll infinito, engenharia por trás daquela ideia de que é só mais um vídeo, faz o usuário perder a noção do tempo e ativa um circuito de recompensa para o cérebro

Publicado em 20 de Setembro de 2026 às 07:44

Redação de A Gazeta

Publicado em 

20 set 2026 às 07:44

Você desliza o dedo pela tela do celular. Assiste ao próximo vídeo. Depois a mais um. E outro, em looping. O gesto já é automático. Perder a noção do tempo nas redes sociais tem relação direta com um recurso de design chamado scroll infinito, criado em 2006 por Aza Raskin, que eliminou a necessidade de clicar para carregar mais conteúdo em uma página. Presente em plataformas como TikTok, Instagram e Facebook, o mecanismo se tornou uma das estratégias mais eficientes para manter a atenção do usuário. Tão eficiente que Raskin já declarou se arrepender de ter ajudado a desenvolvê-lo.


Na prática, essa engrenagem ativa um circuito infinito de recompensa para o cérebro. Com o tempo, é preciso cada vez mais estímulos para ter a mesma satisfação. Isso é o que detalha Marcelo Santos, psicólogo e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. 


“O scroll remove os pontos de parada na cognição comportamental. Ou seja, o pico da dopamina não ocorre pelo consumo do conteúdo, e sim pela expectativa de quando a próxima recompensa virá. É isso que mantém a pessoa sempre esperando o vídeo seguinte”, explica. 


Segundo ele, essa “desativação do freio mental” faz com que a pessoa passe horas em frente à tela sem ao menos perceber: "A ausência do limite virtual da página leva a um modo de economia de energia, e o córtex pré-frontal, área responsável pelo autocontrole e pela decisão de parar, é silenciado.”

crianças com celular; uso de celular
O design das redes estimula o usuário a permanecer preso à tela sem perceber

Magnific

Embora o circuito de recompensa seja comum a todas as pessoas, algumas são mais vulneráveis ao scroll infinito. Confira:


  • Crianças e adolescentes: o córtex pré-frontal ainda não está amadurecido, processo que só se completa por volta dos 25 anos

  • Pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH): têm tendência à busca de alto estímulo

  • Pessoas em quadros de ansiedade, depressão ou semelhantes: o scroll, frequentemente, vira fuga emocional

Caminhos para retomar o controle

A doutora Fabiana Pinheiro Ramos, docente do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), alerta para o caso das crianças e dos adolescentes. 


“Em casa, é importante estabelecer combinados prévios sobre o tempo de tela e o que pode ser acessado. Essas regras devem vir sempre acompanhadas de explicação sobre os motivos das limitações, para que os filhos sintam que estão sendo protegidos, e não punidos”, sinaliza.

A atenção também vale para os pais e responsáveis. “Antes de estabelecer regras para as crianças, os adultos devem monitorar o próprio uso das telas e servir de modelo”, recomenda a professora.


O que fazer

Por que funciona

  • Colocar a tela do celular em escala de cinza; deixar o aparelho fora do quarto ao dormir ou trabalhar

  • Reduz o apelo visual e impõe limites de uso

  • Permitir-se momentos de espera sem o celular (em filas, no transporte) 

  • Reeduca o cérebro a lidar com a ausência de estímulo constante 

  • Incluir atividades analógicas na rotina (livros, quebra-cabeças, artesanato) 

  • Ajuda a recondicionar o córtex pré-frontal e gera satisfação real 


Colocar isso em prática exige paciência. A mudança de hábito acontece de forma gradual, conforme aponta o psicólogo e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Marcelo Santos. 

“Nos primeiros dias, é comum haver maior resistência à mudança. Com a repetição, entre duas e três semanas, o corpo começa a se adaptar à nova rotina. Entre 60 e 90 dias, esse processo tende a se consolidar. No entanto, esse período varia de acordo com cada indivíduo”, ressalta.

Em casos mais graves, os especialistas lembram: buscar ajuda especializada não é fraqueza, e sim o caminho mais seguro para recuperar o controle sobre a dependência do scroll.


Leia mais 

Por que é tão difícil sair da frente da tela do celular?

Enem: como treinar o foco e vencer a maratona dos textos longos

Menos tela, mais foco: veto ao celular melhora atenção em 97% das escolas

“A gente perdeu a habilidade de se desconectar”, diz ator e apresentador Marcos Veras

Entre sonhos e dúvidas: Educares 2026 reúne 1,5 mil jovens em busca de orientação profissional

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Peça que usa do teatro para do ilusionismo para falar de saúde e família chega à Vitória no final de setembro
Espetáculo “A Maçã” leva ilusionismo e reflexão sobre Alzheimer ao Teatro Glória
Imagem de destaque
A guerra pode se espalhar pela Europa. Você está psicologicamente preparado?
Imagem BBC Brasil
'Não tenho notícias dele há quase cinco anos': as mães que procuram seus filhos no sistema prisional do regime de exceção de Bukele em El Salvador

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados