Se a estratégia de combate à criminalidade na Serra está dando resultados tão concretos, as autoridades de segurança no nível estadual e nos demais municípios que enfrentam a violência têm a obrigação de tomá-las como inspiração. E o que tem ocorrido no município é simples: mais repressão às lideranças do tráfico, o que contribui até para a desglamourização da criminalidade entre os mais jovens.
Mas é preciso agir rápido: a reportagem do último domingo mostrou que a guerra do tráfico em Vitória se baseia numa estratégia de expansão ordenada por facções do crime organizado infiltradas em todo o país. São verdadeiras franquias, que não podem ter espaço para estabelecer com sucesso, sob o risco de se tornarem ainda mais perigosas. Conter esse movimento antes que ele se consolide deve ser a meta do novo governo, investindo em inteligência e em ações coordenadas, antecipando-se aos movimentos do tráfico. Não pode se abster tampouco de solicitar ajuda federal.
De qualquer forma, a redução do número de homicídios na Serra em 2018 deve servir de exemplo. A tática de colocar os bandidos mais perigosos no foco deu resultado: foram 128 mortes a menos no município, em relação a 2017. Ainda há muito a ser feito, mas ter interrompido os 22 anos de liderança no ranking de homicídios no Estado é muito relevante.