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Opinião da Gazeta

Quem está sentindo falta do Teatro Carlos Gomes?

As obras devem durar dois anos. O que, no somatório geral do fechamento do espaço, vai manter o Carlos Gomes sem uso por sete anos. Tempo demais, por isso o cumprimento do cronograma é uma obrigação

Publicado em 10 de Maio de 2023 às 01:00

Públicado em 

10 mai 2023 às 01:00

Colunista

Reforma
Teatro Carlos Gomes Crédito: Instituto Modus Vivendi
A pergunta é obviamente uma provocação, porque quem leva a cultura a sério sabe que é a sociedade como um todo que, mais do que sentir falta, vem sofrendo há cinco anos com a ausência de um aparelho cultural tão importante quanto o Teatro Carlos Gomes, no Centro de Vitória.
O palco mais importante do Espírito Santo está parado há tempo demais. A classe artística sente falta, produtores culturais também. É todo um ecossistema carente de espaços culturais para criar e formar um público que consuma a arte em todas as suas vertentes. E, claro, o público é quem mais sente o desalento de um teatro fechado.
Há uma notícia boa, contudo:  o governo estadual confirmou para a segunda quinzena deste mês de maio o começo das obras de recuperação do espaço, uma promessa que vinha se arrastando desde então.
As obras devem durar dois anos. O que, no somatório geral, vai manter o Carlos Gomes sem uso por  sete anos. Tempo demais, por isso o cumprimento do cronograma é uma obrigação. Estaremos de olho.
Em termos de documentação, parece estar tudo ok: a reforma já foi aprovada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por se tratar de patrimônio tombado, e pelo Conselho Estadual de Cultura. Espera-se, portanto, que não surjam obstáculos burocráticos pelo caminho. 
As obras serão realizadas por meio de acordo de cooperação técnica entre o governo do Estado e o Instituto Modus Vivendi, com recursos provenientes da iniciativa privada, concedidos por meio da Lei Rouanet. Serão R$ 10 milhões da EDP e R$ 10 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O Teatro Carlos Gomes faz falta por toda a sua história, com sua presença exuberante na Praça Costa Pereira. Faz falta o movimento de pessoas por ali em dia de espetáculo. Mas é ainda mais sentido em um Estado carente de teatros e centros culturais, importantes templos de formação de cidadania, de contemplação da beleza e de aguçamento crítico. Não sentir a falta do Teatro Carlos Gomes pode ser um sintoma do mal que a sua ausência faz para a comunidade.

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