Foi digna dos melhores filmes de ação a operação que impediu que um perigoso líder criminoso fosse resgatado por facções ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), revelada ontem com exclusividade por este jornal. Seguir o exemplo da ficção não faz mal: é importante que a polícia se antecipe aos passos dos bandidos; é justamente o que a população espera das autoridades, que agiram com rapidez e precisão, evitando o pior. Em um Estado que sofre tanto com a carnificina decorrente do tráfico de drogas – que mata inocentes, expulsa moradores de suas casas e alimenta a cadeia de delitos da violência urbana –, a prevenção é mesmo o melhor remédio. E ainda mostra quem está no comando.
Sem a ação coordenada, o prisioneiro Leandro Reis Ramos teria voltado às ruas, contribuindo para aumentar índices de violência que já estão bem acima do desejável. Basta ver o histórico do criminoso para constatar o perigo que sua liberdade traria à sociedade. Ele foi preso no fim do ano passado no Centro de Detenção Provisória de Viana II e seria membro de uma quadrilha que atuava na Ilha de Santa Maria, em Vitória. Dela fariam parte sete criminosos, que teriam sido responsáveis por pelo menos três homicídios e outras sete tentativas de assassinato apenas entre junho de 2017 e maio de 2018, segundo informações da Polícia Civil.
É assim que redes de inteligência precisam agir, sem desprezar as informações que chegam, promovendo investigações sérias, sem vista grossa. A incapacidade de gerenciar o que está diante dos olhos é o que abre espaço para nossas tragédias cotidianas. A Polícia Civil, em conjunto com a Secretaria de Estado da Justiça e com o Judiciário, trabalhou com esmero. A diligência dessa operação deve ser um modelo de atuação, não um ponto fora da curva.
Muitas das notícias ruins nos jornais neste início de 2019 têm em comum o fato de serem acontecimentos evitáveis. Com estratégias de prevenção, controle e fiscalização do Estado, provavelmente não teriam ocorrido, não teriam ceifado centenas de vidas. Um plano de resgate de um criminoso frustrado pela polícia é, mesmo que em menor escala, um exemplo do que deveria ser o modus operandi de órgãos públicos.