Em um vídeo que circula no WhatsApp desde o início deste mês, um frequentador da Bacutia, em Guarapari, afirma, em alto e bom som, que praia não é lugar de descanso. “Quer descansar? Vai para o interior, vai para a roça. Aqui é praia, curtição”, enfatiza. Nas imagens, ele era alvo de banhistas, incomodados com o barulho de uma caixa de som com potência para animar festas. Talvez não tenha se dado conta, contudo, de que a praia, assim como qualquer espaço público, é antes de tudo um lugar de respeito. Só assim a convivência é possível.
O equipamento de som do episódio tem dimensões incomuns, diferentemente das caixinhas de som portáteis que são febre neste verão. Mas elas também incomodam, e muito, quando há exageros. Em determinadas situações, a quantidade de aparelhos ligados criam um emaranhado de sons que tornam a permanência na areia um suplício, quando deveria ser um momento de descontração. É poluição sonora, que impede que banhistas desfrutem plenamente seu descanso. São abusos que só serão evitados com fiscalização. É lamentável, por ser um inconveniente que seria facilmente contornado com boas doses de bom senso.
É preciso buscar a harmonia. É possível ouvir suas músicas prediletas com volumes moderados, buscando espaços com menos concentração de pessoas. A praia acaba sendo um microcosmo do que as pessoas são em sociedade, e no geral anda faltando cortesia. É um ambiente democrático, mas não pode ser uma bagunça.