A mudança de comando no Ministério da Educação aponta para a continuidade do olavismo. As brigas internas em uma das pastas mais importantes da estrutura do governo brasileiro têm impedido qualquer avanço substancial das políticas públicas para o setor. Os quase 100 dias da gestão Vélez Rodríguez, o ministro afastado, foram marcados pela nulidade de projetos para a educação e pelo empenho dedicado ao que é irrelevante. Puro desperdício de energia.
Por isso, ainda parece precipitado comemorar a chegada de Abraham Weintraub ao cargo. Também discípulo de Olavo de Carvalho, o economista alçado ao posto de tutor da Educação no país terá de provar, de imediato, seu compromisso com um projeto que vá além das acusações ideológicas a adversários e da disputa de poder com militares no governo. O recreio, que nem deveria ter existido, acabou. Chegou a hora de encarar a sala de aula.
Afinal, é justamente a educação capaz de sustentar o país melhor pelo qual todos anseiam. É a educação que pode proporcionar as melhores oportunidades e promover a justiça social, reduzindo, assim, a violência. Também é com a educação que o Brasil conseguirá dar um salto econômico, com ganhos de produtividade e competitividade. Não há como fugir, tudo passa pela educação.
Mas para funcionar, o trabalho é pesado, e o novo ministro terá de garantir o gerenciamento que anda faltando à pasta. Gestão deve ser a prioridade, reunindo um corpo técnico que compreenda os desafios reais da educação brasileira e se desapegue das assombrações ideológicas. E também promova o diálogo com secretários estaduais e municipais, para mapear os problemas, muitos deles já bastante conhecidos.
A falta de experiência de Abraham Weintraub na área causa preocupação, mas não necessariamente será um obstáculo se ele se cercar de pessoas qualificadas. Terá, por isso mesmo, que estar de ouvidos abertos, compreendendo a situação delicada em que se encontra. Pelas circunstâncias que o fizeram chegar ao cargo, será um ministro que passará por período probatório. Depois do trauma provocado pela passagem de Vélez, nada mais sensato.