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Não dá para manter modelo tradicional de vacinação na crise do coronavírus

Filas e aglomerações de idosos em Vila Velha e em Cariacica no primeiro dia da campanha reforçaram a necessidade de buscar opções mais inovadoras para a imunização, como o sistema drive-thru

Publicado em 24/03/2020 às 06h00
Atualizado em 24/03/2020 às 15h17
Idosos lotam fila de vacinação contra a gripe no Santuário de Vila Velha
Idosos lotam fila de vacinação contra a gripe no Santuário de Vila Velha. Crédito: Reprodução/Vídeo: Eliana Bolsanello

As filas para a vacinação contra a gripe no Santuário de Vila Velha e em escolas de Cariacica na manhã desta segunda-feira (23) foram o retrato da desorganização e da negligência, ao se permitir que idosos, público-alvo da primeira fase da campanha, ficassem tão expostos ao risco. 

Mas tão perigosa quanto à falta de uma estratégia mais segura para recebê-los foi a imprudência dos presentes, que se mantiveram no local sem tomar as devidas precauções, a começar por um mínimo distanciamento. Não é exagero, aglomerações precisam ser evitadas, sobretudo por quem está no grupo de risco.

Foi uma falha seríssima, que se repetiu em outros grandes centros urbanos do país, pela gravidade da situação imposta pela pandemia do novo coronavírus. Felizmente, a reação das prefeituras na Grande Vitória foi rápida, mas o episódio precisa ser um exemplo evidente de que qualquer planejamento de ações  não pode mais se basear em tempos de normalidade. As autoridades públicas precisam virar a chave: tudo deve ser feito pensando sempre nos piores cenários possíveis, justamente para evitar que eles se materializem. Excesso de cautela passou a ser vital.

Por isso, medidas criativas como a vacinação drive-thru, que já está ocorrendo em várias cidades do país, precisam se disseminar. Vila Velha mesmo já alterou seu esquema de vacinação para adotar a modalidade, mais rápida e menos arriscada tanto para os profissionais da saúde quanto para os idosos. É também preciso pensar nos mais pobres, que não têm um veículo para usar. Adotar a vacinação em casa, pelo menos para alguns grupos ou regiões, é uma solução que não pode ser descartada, calculando-se devidamente os riscos. Em Viana, a imunização será realizada nos domicílios.

Em Vitória, que tirou a vacinação dos postos de saúde para evitar o contato de moradores saudáveis com doentes e a transferiu para escolas, os usuários tiveram dificuldades com o agendamento on-line, mas já foi explicado que a situação se normalizará na quarta-feira (25), quando o município receberá novos lotes da vacina. Mais importante que um adiamento, neste momento, é garantir que os idosos não enfrentem filas presenciais. Com horário marcado pela internet, as chances de aglomerações se reduzem.

Ao mesmo tempo que houve gente demais desprotegida nas filas de vacinação, o drama de quem depende de transporte público também se manteve nesta segunda-feira (23), com ônibus que continuam lotados mesmo depois das determinações do governo estadual, que na sexta-feira (20) proibiu os veículos de circularem com lotação acima da capacidade de pessoas sentadas. É preciso que se cumpra, e o próprio governador Renato Casagrande disse na coletiva desta segunda-feira estar se preparando para a guerra. É mais um setor no qual serão necessárias ações drásticas, mas ao mesmo tempo inovadoras, diante de um cenário pandêmico jamais visto.

Não há histórico no qual se espelhar, há os exemplos ainda muito recentes dos países que decretaram quarentena ao redor do mundo, é tudo muito experimental. A necessidade de manter o distanciamento social vai exigir das cabeças pensantes do poder público cada vez mais novas ideias, que garantam minimamente a segurança da população.

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