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Opinião da Gazeta

Mercado de trabalho: recuperação ainda é lenta

A recessão terminou desde 2017, mas ainda permanecem sequelas em várias atividades econômicas. Por isso, a recuperação do emprego é lenta, e o tempo à procura de uma vaga costuma ser longo

Publicado em 04 de Março de 2019 às 23:06

Públicado em 

04 mar 2019 às 23:06

Colunista

Está acontecendo, embora lentamente, o que mais a sociedade deseja da economia: o aumento do número de empregos. O mercado de trabalho brasileiro criou 529.554 vagas com carteira assinada em 2018, e a soma garantiu o primeiro resultado anual positivo, depois de três anos de reveses. É também o melhor resultado desde 2013, ou seja, antes da recessão iniciada no ano seguinte.

E o Espírito Santo tem relevo nessa retomada. Foi o Estado que mais reduziu o desemprego em 2018. Além disso, a taxa anual capixaba de desocupação foi a menor em três anos: 11,5%.

Então, está tudo ok? Claro que não. O Brasil tem 12,7 milhões de pessoas sem ter onde trabalhar. O número subiu um pouco em janeiro, como acontece anualmente pelo fim do período de contratações sazonais. Mais preocupante é o fato de a atividade informal ter sido a principal razão do recuo da taxa de desemprego para 12,3% em 2018, ante 12,7% em 2017. Além disso, no Espírito Santo e em âmbito nacional, a contratação de mão de obra ainda não recuperou o nível anterior ao período de recessão.

O desemprego no território capixaba diminuiu de 13,1% em 2017 para 11,5% em 2018, mas esse patamar ainda é muito alto. Na prática, significa 219 mil pessoas fora do mercado de trabalho. É muita gente ociosa em um Estado que ainda beira os 4 milhões de habitantes. Em todo o Brasil, os sem emprego são 12 milhões – o que é assustador.

A recessão terminou desde 2017, mas ainda permanecem sequelas em várias atividades econômicas. Por isso, a recuperação do emprego é lenta, e o tempo à procura de uma vaga costuma ser longo. Esse cenário criou amplo contingente de desalentados, de trabalhadores que perderam a esperança de obter vaga e desistiram de procurar. Eles são 39 mil no Espírito Santo e cerca de 4,4 milhões no Brasil.

As dificuldades de inserção no mercado formal associadas à necessidade urgente de renda fizeram expandir outra síndrome do desemprego: a ocupação informal. Dos 932 mil empregados no setor privado no Estado, 255 mil não possuem carteira assinada.

É uma situação preocupante no contexto da economia.

O mercado formal de trabalho poderá acelerar sua caminhada de recuperação em 2019 com o crescimento maior do Produto Interno Bruto (PIB). Mas, para isso aconteça, o governo Bolsonaro terá de confirmar a sua agenda de reformas, principalmente a da Previdência Social. A confiança na economia é o primeiro passo para a expansão do emprego. É o que gera investimento e abre vagas.

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