O mínimo que se espera de uma obra recém-inaugurada é que esteja em perfeitas condições de uso. Não é pedir muito, principalmente quando mais de R$ 300 milhões foram gastos. E a novíssima Leste-Oeste é pura frustração, o descaso em sua forma concreta: além de ter demorado mais de uma década para ser entregue à população, o que só aconteceu no início do mês passado, a rodovia, que já vinha sendo usada informalmente havia alguns anos, coleciona em tão pouco tempo trechos completamente esburacados e falhas no asfalto, como divulgou este jornal no último sábado.
É um risco à segurança de quem trafega pela via que se soma à falta de iluminação. É inconcebível, mas a rodovia foi inaugurada às escuras, com o compromisso das prefeituras de Vila Velha e Cariacica de cumprirem essa última fase da obra. Porém, como tudo tende a piorar – e acaba mesmo piorando – na condução de obras públicas, os prefeitos agora alegam que as alterações orçamentárias promovidas pelo novo governo estadual, com a suspensão dos convênios firmados pela gestão anterior com os municípios, podem colocar fim ao acordo. Inicia-se, assim, um impasse que deve demorar a ser superado no andar de cima, enquanto no andar de baixo o contribuinte continuará correndo riscos numa via sem iluminação.
A Leste-Oeste nem pode ser considerada uma obra de grande porte, o que até justificaria tanta demora. São quase 9 quilômetros de estrada, uma distância ínfima, mas justamente por isso com tanto potencial para desafogar o tráfego pesado de caminhões no perímetro urbano, ao criar uma nova ligação entre Vila Velha e Cariacica, da Rodovia Darly Santos à BR 262. É uma obra de infraestrutura capaz de transformar tanto a logística quanto a mobilidade urbana. Mas que, mesmo inaugurada, ainda não conseguiu vingar. É porque, na prática, ainda não foi encerrada.
Projetos malfeitos, burocracia, descaso... a lista de erros de gestão não acaba, assim como a própria novela da Leste-Oeste. Resta esperar que no fim a luz se acenda.