Quem mora na Grande Vitória tem grandes chances de não viver só em uma cidade. Dormir e acordar na Serra, trabalhar em Vitória, ter família em Cariacica, passear em Vila Velha... essa é somente uma das inúmeras dinâmicas de vida metropolitana possíveis, e isso precisa ser encarado por governador e prefeitos, afinal os problemas nos serviços e na infraestrutura são compartilhados e não param na placa dos limites municipais.
A Região Metropolitana da Grande Vitória foi formalmente instituída em 1995, mas a história mostra que um dos movimentos mais relevantes de integração ocorreu anos antes, em 1989, com o lançamento do Sistema Transcol.
Se hoje parece óbvio pagar uma única passagem para circular pelos municípios, é importante saber que isso já foi apenas uma ideia. Felizmente, colocada em prática, o que precisa inspirar mais integração em outras áreas, inclusive na própria mobilidade urbana.
Basta ver o caso das bicicletas elétricas, que estão mexendo com o trânsito nos últimos anos: falta ainda um plano metropolitano unificado para malha cicloviária.
Mas a mesma lógica vale para a segurança pública... temos os cercos eletrônicos, mas ainda sem um gerenciamento que transceda a lógica municipal, as facções criminosas se comunicam entre as cidades, os crimes começam em um município e terminam em outro.
O saneamento básico é ainda mais sem limites, o esgoto de um polui a praia do outro, o que não pode ser resolvido sem um espaço para planos compartilhados. A despoluição da Baía de Vitória não poderia continuar na utopia e deveria mover essas iniciativas.
A discussão por mais integração é antiga, existe base legislativa, como o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI) criado em 2017 por uma exigência federal, mas a pauta continua apagada no debate público.
Candidatos ao governo estadual devem ter em mente que, se chegarem ao cargo, vão usar a própria liderança para unir as prefeituras nesse caminho. Mais do que atuar como financiador de obras, o Palácio Anchieta deve ser a autoridade a induzir e cobrar essa governança compartilhada e obrigatória.
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