As regras eleitorais não existem para servirem de enfeite. Para que o debate democrático seja justo e equânime, todos os candidatos devem estar na mesma página, inclusive na orientação da propaganda feita por seus colaboradores e apoiadores. As coisas começam a desandar quando chega a hora de colocar isso em prática.
Em um ano eleitoral no qual o uso da inteligência artificial veio se somar ao arsenal da desinformação, sobretudo nas redes sociais, as irregularidades, digamos assim, mais "tradicionais" nas campanhas não perdem espaço.
No canal aberto pela Justiça Eleitoral para receber denúncias, 41,59% das 226 notificações recebidas entre 16 e 31 de agosto se referem a infrações eleitorais cometidas em vias públicas, sem especificar quais são essas infrações. Ou seja, é a campanha nas ruas que também pode estar à margem das leis eleitorais.
Vale dizer que não há o número de denúncias que já foram submetidas à análise da Justiça Eleitoral, sendo não possível afirmar quantas já foram comprovadas ou descartadas.
A população tem um papel crucial nessa fiscalização, e por isso precisa qualificar as denúncias para não sobrecarregar o processo. Denúncias infundadas ou tendenciosas confundem e atrapalham esse trabalho.
Candidatos e seus apoiadores devem compartilhar o compromisso de conduzir suas campanhas com civilidade, transparência e respeito irrestrito à legislação. Quem não respeita as normas durante a campanha ou faz vista grossa coloca em xeque a própria índole institucional. O eleitor não pode ter sua inteligência menosprezada por quem insistentemente descumpre esse compromisso.
A militância também deve separar a paixão partidária do cometimento de excessos ou atos ilícitos. Campanha eleitoral não é um vale-tudo, é uma disputa que preza pelo confronto de ideias e tem regras explícitas para tanto.
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