A vida nas cidades só acontece em movimento: diariamente, as pessoas precisam ir do ponto A ao ponto B para cumprir seus compromissos de educação, trabalho, saúde, lazer... e esses movimentos precisam contar com segurança e eficiência para que a população possa de fato ter qualidade de vida.
E o Espírito Santo, com um destaque para a Grande Vitória pelas suas dimensões metropolitanas, tem sentido a pressão tanto da violência no trânsito quanto das novas dinâmicas de mobilidade urbana que ganharam força nesta década. Tudo acaba se embaralhando, o que vai exigir cada vez mais uma visão estratégica de gestores e legisladores.
Em 2025, foram 998 mortes em vias urbanas e rodovias capixabas, superando o ano de 2024, quando foram registradas 985 óbitos. Uma violência que salta das estatísticas para o dia a dia, não somente pelos acidentes, mas pela própria postura das pessoas no trânsito, com infrações como alta velocidade e desrespeito à sinalização sendo praticamente a regra, não a exceção.
E esse caos instalado tem, nos últimos anos, novos personagens: as bicicletas elétricas e os ciclomotores que, apesar das regras do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e de algumas regulamentações municipais, ainda se encontram num vazio fiscalizatório que tem complicado a vida de condutores nas vias e de pedestres nas calçadas.
Sempre bom destacar que essas novas formas de locomoção são bem-vindas para tornar a mobilidade mais dinâmica, mas precisam estar cercadas de regramento e, sobretudo, de infraestrutura urbana. Ciclovias deixaram de ser um luxo, são agora uma necessidade indissociável do trânsito, e a segurança delas depende de manutenção permanente.
Esse é um desafio para quem almeja o governo do Estado, sobretudo pelo fato de a Grande Vitória ser uma conurbação entre os municípios, o trânsito não pode ser pensado isoladamente. E aqueles que querem ser os próximos legisladores, tanto na esfera estadual quanto federal, também precisam se debruçar sobre o que pode ser feito, em termos de regramento, para organizar essa nova mobilidade.
Os candidatos precisam ter visão de futuro, visto que o presente já está diferente daquilo que se desenhava até pouco tempo para a mobilidade urbana. Basta ver a disseminação do uso de aplicativos: no caso das motos, o impacto na segurança tem sido perceptível.
Encarar a redução de mortes no trânsito e a melhora da mobilidade, inclusive na qualidade do transporte público, como um degrau civilizatório deve ser uma unanimidade, traduzida em obras e mudanças legislativas que impactem a vida de quem está diariamente em movimento para fazer o Espírito Santo crescer e se desenvolver.
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