É um erro lamentavelmente recorrente: a gestão das águas só ganha a devida importância quando o recurso se encontra escasso. Deveria, contudo, ser prioridade perene nas agendas governamentais, abandonando-se o imediatismo que normalmente cerca as respostas do poder público em períodos de estiagem intensa. Bastam os rios recuperarem o volume para o problema ser engavetado. Destaca-se, assim, a relevância de um estudo sobre as bacias hidrográficas como o realizado pela Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) e pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), publicado por este jornal no último domingo.
Um diagnóstico dessas proporções é o primeiro passo rumo à elaboração de políticas públicas que consigam conter o processo de aniquilação dos rios, vítimas da poluição e da desertificação. Os apontamentos estão lá, assim como as ações que precisam ser implementadas para garantir a viabilidade da água especificamente nos rios Itaúnas e São Mateus, no Norte do Estado, e nos rios Novo, Itapemirim e Itabapoana, no Sul.
O cumprimento das metas estabelecidas para os próximos 20 anos depende de comprometimento governamental, mas a execução pode ser facilitada quando se investe em metodologia. A implantação do Manual Operativo para o encaminhamento das ações pode beneficiar esse processo, basta vontade política. O trabalho gerencial deve ser permanente para evitar o colapso hídrico pela omissão. A crise da água vivenciada em todo o planeta não fica só na conta das mudanças climáticas: a má gestão dos recursos também tem sua parcela de responsabilidade.
E para melhorar a relação com a água, a captação ilegal e as práticas pouco sustentáveis de irrigação devem ser combatidas com as armas certas. É possível racionalizar o consumo, com a adoção de tecnologia, assim como as atividades industriais, com investimentos no reúso. E, para garantir a qualidade hídrica, não se pode descuidar do esgotamento sanitário. O lançamento de resíduos, principalmente nas proximidades das sedes dos municípios, continua matando os rios. A recuperação florestal também é fundamental para trazê-los de volta à vida. A água é um recurso natural limitado, enquanto a demanda só cresce. Não há como fugir de um uso mais prudente para que a sua oferta continue garantida.