Há anos o mecanismo de recomendação de vídeos do YouTube é alvo de críticas, devido a seus critérios duvidosos. Basta acessar um conteúdo para a rede social sugerir outros de qualidade bem suspeita, cheios de desinformação, discursos de ódio e teorias de conspiração. Eles claramente aparecem ali para “caçar cliques”, buscar audiência.
O problema ficou bem evidente na semana passada, com a repercussão em torno do incêndio na Catedral de Notre-Dame, em Paris. Pessoas do mundo inteiro acessaram o YouTube para acompanhar o desenrolar da história ao vivo, e os algoritmos da rede social, criados para sugerir conteúdos relacionados, acabaram cedendo à enxurrada de comentários conspiratórios, que ligavam o incêndio a ataques terroristas.
Resultado: as pessoas passaram a receber sugestões de vídeos sobre o ataque às Torres Gêmeas, nos EUA, em 2001, induzindo os internautas ao erro. Trata-se, escreveu o jornalista Joshua Benton no site do The Nieman Journalism Lab, da Universidade Harvard, de um lembrete de que mesmo os esforços para limitar as desinformações podem acabar as espalhando ainda mais. “E que editores humanos cuidando dos algoritmos podem ser uma coisa muito boa também”, alertou o jornalista.