Enquanto a Câmara de Vitória começa a se movimentar para um processo interno que pode cassar o mandato do vereador Orlandino Rodrigues de Souza, o "Baiano do Salão", condenado em primeira instância pelo estupro de uma criança de cinco anos, mais uma vez se coloca em xeque a agilidade dessas engrenagens de controle interno no poder público, sobretudo nos parlamentos em todas as esferas.
Não haver uma reação institucional imediata dos parlamentares diante de um caso tão grave envolvendo um parlamentar seria um acinte. Mas é também preocupante que seja necessário algo tão impactante para que se resolva instalar a Corregedoria-Geral com cinco membros, entre eles o corregedor-geral, o vereador Leonardo Monjardim.
Os outros membros do colegiado devem ser indicados nesta segunda-feira (20), como Monjardim informou à coluna de Letícia Gonçalves na sexta (17).
A questão é que a dignidade do mandato e das instituições democráticas deve ser ininterruptamente resguardada. A corregedoria de qualquer instituição não pode ser tratada apenas como uma formalidade burocrática. Tampouco existe para funcionar a toque de caixa, quando algo tão rumoroso a obriga a sair das sombras.
No caso da Câmara de Vitória, sendo responsável pela manutenção do decoro parlamentar, da ordem e da disciplina na Casa, precisa estar em vigilância permanente, independentemente do clamor público.
As corregedorias, e isso vale para qualquer órgão, precisam ser temidas, com o seu poder de receber denúncias e investigar irregularidades e infrações disciplinares. Não se pode banalizar a sua existência, sob o risco de desmoralização. Uma corregedoria presente e atuante fortalece a atuação dos servidores públicos.
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