Deveria ser óbvio, mas não é. O caso é que, como mostrou Abdo Filho em sua coluna, apesar de nos últimos anos produtores capixabas exportarem entre 2 milhões e 3 milhões de sacas de café arábica, apenas 500 mil ganham o mundo pelos portos capixabas.
Um contrassenso para um Estado geograficamente privilegiado e com vocação para o comércio exterior. O mesmo Espírito Santo que almeja ser um hub logístico do país ainda testemunha essa contradição dentro de casa.
É certo que o jogo está virando. Se no passado os terminais capixabas não conseguiam competir com os portos de Rio e Santos pelo descompasso nos investimentos (vale lembrar que até 2023 o Porto de Vitória ainda não havia se tornado a primeira autoridade portuária privada do Brasil), a expansão logística vem também acontecendo de norte a sul do Estado. As perspectivas sobretudo de investimentos privados sinalizam novas oportunidades.
E, para que o café arábica encontre o caminho dos portos capixabas, mais dinamismo e menos burocracia deverão ser as iscas. Passos importantes foram dados, como o primeiro embarque de café realizado pelo Portocel, em Aracruz, em 2024, que surgiu como uma alternativa para os exportadores. Seguindo esse exemplo, o setor portuário capixaba precisa se vender melhor para os produtores locais para viabilizar essas exportações.
Não faz sentido que os grãos colhido na Região Serrana ou no Caparaó precisem ser transportados por 500 km até o Rio de Janeiro ou o dobro disso até Santos, com os portos capixabas prontos para serem a porta de saída daquele que é o produto capixaba mais emblemático. Tão perto, mas ainda tão distantes. É hora de encurtar essa distância que nem deveria existir.
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