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Opinião da GAZETA

Brasil começa a ganhar a guerra contra o desequilíbrio fiscal

O desequilíbrio das contas, um dos entraves ao crescimento, está sendo enfrentado com rigor, o que transmite segurança sobre o futuro da economia

Publicado em 01 de Setembro de 2019 às 00:28

Públicado em 

01 set 2019 às 00:28

Colunista

Crédito: Pixabay

Não se ouviu foguetório, mas o clima de otimismo na economia subiu depois que o IBGE anunciou a alta de 0,4% do Produto Interno Bruto no segundo trimestre. A seguir, veio o anúncio da redução do desemprego, reforçando a sensação da retomada da expansão. Diferentemente de tantas outras, esta semana se abre com as empresas revendo para cima a estimativa do PIB para este ano.

É verdade que o crescimento de 0,4% em comparação com o trimestre anterior parece pouco, e é mesmo, mas tem um significado relevante. Foi construído com base no avanço de 3,2% no investimento das empresas e se refletiu socialmente com o aumento do consumo das famílias. Isso estabelece um divisor de águas. Antes, predominava pessimismo e desânimo nos mercados. Hoje, vê-se a volta da confiança. Que não está restrita ao resultado do PIB em 2019. É no amanhã.

Até no campo fiscal colhe-se boa notícia. Em sete meses de 2019, o setor público (União, Estados e municípios) registrou déficit primário (receita menos despesas, sem contar gastos com juros) de R$ 8,5 bilhões, menos da metade dos R$ 17,8 bilhões em igual período de 2018. É um avanço considerável. Mostra que o desequilíbrio das contas, um dos entraves ao crescimento, está sendo enfrentado com rigor, o que transmite segurança sobre o futuro da economia.

A perspectiva considerada viável é expansão sustentada provavelmente a partir de 2020. Então, todo o foco deve estar centrado em medidas para impulsionar atividades. Isso é para ontem. Há muito a ser feito. A reconstrução do crescimento é tarefa árdua e lenta.

Em entrevista recente, o economista Marcos Lisboa, presidente do Insper, advertiu sobre a necessidade de o país acelerar sua agenda de reformas estruturais, que deveriam ter sido feitas há muitos anos. A da Previdência, que tem como finalidade básica sanear as contas públicas, por certo ajudará a eliminar, gradualmente, os cortes drásticos de recursos governamentais, pratica que atinge educação, saúde e outros serviços, prejudicando diretamente a população mais pobre. Já a tributária visa a permitir melhor movimentação das empresas privadas. Ambas são fundamentais para indução de investimentos e aumento da produtividade, dando melhores condições de competição à economia brasileira.

O Congresso precisa estar consciente de que o Brasil precisa vencer esses desafios e agilizar a aprovação dessas matérias.

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