A Lava Jato foi de caça a caçador em poucos dias, com a prisão de Michel Temer. Uma demonstração de vigor, depois da derrota sofrida no Supremo, que decidiu que a Justiça Eleitoral tem competência para investigar casos de corrupção que envolvem crimes de caixa 2 de campanha. A reação evidencia a existência de uma disputa institucional que, ao mesmo tempo que propiciou a já esperada prisão do ex-presidente, também exigirá da própria força-tarefa uma capacidade cada vez maior de se reinventar diante de reveses.
Em seus cinco anos recém-completados, é certo dizer que a maior operação de combate à corrupção do país passou por um inferno astral nas últimas semanas, não só pela contrariedade sofrida no STF. Houve também o fogo amigo da tentativa de criação de uma fundação privada para administrar os R$ 2,5 bi oriundos de um acordo da Petrobras com as autoridades norte-americanas. Não pegou bem, mesmo que houvesse finalidades sociais e educacionais no direcionamento desses recursos. Por fim, era a própria credibilidade do Ministério Público Federal que estava em jogo, e a desistência dos procuradores não tardou.
É importante para o país que o faro da Lava Jato continue apurado: nesses cinco anos, 159 pessoas foram condenadas. As penas, somadas, chegam a quase 2,3 mil anos de prisão. E o percentual de reversão pelo Tribunal Regional Federal (TRF) é baixo, o que ocorreu em 3,6% dos casos.
A Lava Jato também foi responsável por modernizar os processos, trazendo uma agilidade que logo ficou reconhecida como uma arma contra a impunidade, até então regra entre os endinheirados e poderosos. Nesta semana, um segundo ex-presidente foi preso, comprovando que ninguém está imune. Políticos que pareciam inatingíveis estão, sim, cumprindo pena. Todo o êxito, comprovado, da iniciativa de Curitiba que foi responsável por desbaratar o esquema político-econômico que desviou R$ 6 bilhões da Petrobras não a deixa livre de críticas. Nem todo apontamento significa uma tentativa de desidratá-la, embora existam forças políticas com interesses claros no seu enfraquecimento. A força-tarefa deve continuar não se intimidando por retrocessos a ela impostos. É importante que continue reagindo, como postulou Newton, com a mesma força dos golpes que venham a sofrer.