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Opinião da GAZETA

É importante para o país que o faro da Lava Jato continue apurado

Prisão de Michel Temer foi demonstração de força da Lava Jato, após derrota no Supremo, mas megaoperação ainda terá novos desafios

Publicado em 23 de Março de 2019 às 23:20

Públicado em 

23 mar 2019 às 23:20

Colunista

A Lava Jato foi de caça a caçador em poucos dias, com a prisão de Michel Temer. Uma demonstração de vigor, depois da derrota sofrida no Supremo, que decidiu que a Justiça Eleitoral tem competência para investigar casos de corrupção que envolvem crimes de caixa 2 de campanha. A reação evidencia a existência de uma disputa institucional que, ao mesmo tempo que propiciou a já esperada prisão do ex-presidente, também exigirá da própria força-tarefa uma capacidade cada vez maior de se reinventar diante de reveses.

Em seus cinco anos recém-completados, é certo dizer que a maior operação de combate à corrupção do país passou por um inferno astral nas últimas semanas, não só pela contrariedade sofrida no STF. Houve também o fogo amigo da tentativa de criação de uma fundação privada para administrar os R$ 2,5 bi oriundos de um acordo da Petrobras com as autoridades norte-americanas. Não pegou bem, mesmo que houvesse finalidades sociais e educacionais no direcionamento desses recursos. Por fim, era a própria credibilidade do Ministério Público Federal que estava em jogo, e a desistência dos procuradores não tardou.

É importante para o país que o faro da Lava Jato continue apurado: nesses cinco anos, 159 pessoas foram condenadas. As penas, somadas, chegam a quase 2,3 mil anos de prisão. E o percentual de reversão pelo Tribunal Regional Federal (TRF) é baixo, o que ocorreu em 3,6% dos casos.

A Lava Jato também foi responsável por modernizar os processos, trazendo uma agilidade que logo ficou reconhecida como uma arma contra a impunidade, até então regra entre os endinheirados e poderosos. Nesta semana, um segundo ex-presidente foi preso, comprovando que ninguém está imune. Políticos que pareciam inatingíveis estão, sim, cumprindo pena. Todo o êxito, comprovado, da iniciativa de Curitiba que foi responsável por desbaratar o esquema político-econômico que desviou R$ 6 bilhões da Petrobras não a deixa livre de críticas. Nem todo apontamento significa uma tentativa de desidratá-la, embora existam forças políticas com interesses claros no seu enfraquecimento. A força-tarefa deve continuar não se intimidando por retrocessos a ela impostos. É importante que continue reagindo, como postulou Newton, com a mesma força dos golpes que venham a sofrer.

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