Publicado em 14 de maio de 2021 às 19:34
A partir deste sábado (15), entram em vigor as atualizações dos termos de serviço e da política de privacidade do WhatsApp. Nas próximas semanas, o aplicativo vai solicitar que usuários que ainda não aceitaram os termos o façam. >
O WhastApp precisou adiar o início da política, prevista para fevereiro, devido à confusão que ela gerou, com informações desencontradas sobre que tipo de dados o aplicativo de mensagens passaria a compartilhar com outras empresas do grupo econômico Facebook. >
Na prática, o conjunto de dados pessoais já coletados pelo aplicativo e compartilhados com Facebook e Instagram permanece o mesmo. Esse fluxo de informações ocorre desde 2016. A comunicação entre amigos e qualquer tipo de contato também segue inalterada. >
A principal mudança da nova política está relacionada às conversas de usuários com empresas que usam contas comerciais. >
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Grandes varejistas, lojas e companhias aéreas costumam usar o aplicativo WhatsApp Business para gerenciar as conversas que têm com consumidores, o que permite a automatização de respostas e mais velocidade na resposta a clientes. >
Essas empresas têm a opção de terceirizar esse gerenciamento a outras empresas--fazem isso por meio da API do WhatsApp Business. A novidade é que o Facebook passa a oferecer esse serviço de hospedagem e gerenciamento às marcas, virando uma opção de terceirizado, capaz de gerenciar e ler o conteúdo das mensagens trocadas entre empresas que o contratarem e seus clientes. >
O equivalente na era pré-WhatsApp seria uma companhia de telecomunicação, por exemplo, com grande demanda de ouvidoria e pedidos, contratar uma empresa de telemarketing para realizar esse serviço. O Facebook funcionaria como o telemarketing, com acesso às conversas. >
O Facebook destaca que mais de 175 milhões de pessoas usam o WhatsApp diariamente para enviar mensagens a marcas. A plataforma tem se tornado cada vez mais presente na relação entre empresas e consumidores. >
"Se uma empresa opta por usar um fornecedor terceirizado para operar a API do WhatsApp Business em seu nome, não a consideramos criptografada de ponta a ponta, pois a empresa para a qual você está enviando mensagens optou por fornecer acesso a um fornecedor terceirizado", diz o Facebook em um post em inglês no seu blog. >
"Esse também será o caso se o fornecedor terceirizado for o Facebook", acrescenta. >
O WhatsApp afirma que algumas informações compartilhadas na conversa podem ser utilizadas pela marca, seja a loja ou o prestador de serviço, para fins de marketing, incluindo publicidade no Facebook. >
O aplicativo também vai informar o usuário quando ele estiver conversando com uma conta que optou pelo serviço de hospedagem do Facebook. A pessoa poderá bloquear ou não interagir se assim desejar. >
Segundo o WhatsApp, se a marca optou pelo serviço do Facebook, "opta por dar ao Facebook acesso ao conteúdo de suas mensagens comerciais do WhatsApp". >
O Facebook diz que, ao operar as conversas de empresas, não usará para finalidades próprias. >
Com a medida, o WhatsApp tenta melhorar a experiência de empresas em seus serviços, permitindo que elas façam anúncios mais certeiros no Facebook por meio de informações do aplicativo. >
"Com a atualização, será ainda mais fácil conversar com empresas que podem usar os produtos comerciais do Facebook", diz em seu blog. >
Pesquisadores e autoridades resistiram à forma com que o WhatsApp promoveu a mudança. No Brasil, Ministério da Justiça, Ministério Público Federal, ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) e Cade pediram que o aplicativo adiasse a atualização. >
Entre as críticas está a quebra de expectativa sobre o modelo de negócio da empresa, que, quando foi adquirida pelo Facebook em 2014, era apresentada como um serviço gratuito que não se tornaria um produto, como é a rede social, baseada em anúncios. >
O Brasil é o segundo principal mercado para o WhatsApp, com mais de 120 milhões de usuários. Perde apenas para a Índia, que tem 400 milhões. >
"A forma de comunicação do WhatsApp acabou confundindo. Eles dizem que a criptografia de ponta a ponta não muda nas conversas pessoais, mas não é claro para todo mundo que uma conversa com uma empresa não é considerada pessoal e, portanto, não segue as mesmas regras", diz Juliama Oms, advogada do Idec (Instituto de Defesa ao Consumidor). >
No longo prazo, o Facebook trabalha para ter um sistema de dados cada vez mais integrado entre suas plataformas, em especial, ao entrar no terreno financeiro. >
Na semana passada, após nove meses de negociação com o Banco Central, o WhastApp anunciou a opção de transação financeira gratuita no Brasil, segundo país a ter o serviço, só disponível na Índia. A autoridade monetária ainda não liberou o pagamento de compras por meio da plataforma, mas esse é um dos próximos planos da empresa. >
O WhatsApp diz que não vai apagar nenhuma conta e que ninguém perderá acesso aos recursos do aplicativo no dia 15 de maio caso não autorize a atualização. >
"Continuaremos exibindo um lembrete às pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de ler e aceitar", diz, dando a entender que não existe a possibilidade de não aceitar no médio ou longo prazo. >
Se o usuário insistir em não dar o "ok", os recursos serão limitados até que ele aceite os termos de serviço e a política de privacidade atualizados. >
Quem não concordar, não poderá acessar a lista de conversas, mas ainda atenderá chamadas de voz e de vídeo. >
"Após algumas semanas do uso limitado dos recursos, você não poderá mais receber chamadas nem notificações, e o WhatsApp não enviará mais mensagens e chamadas para seu celular", diz a empresa. Segundo a ANPD, devem ser 90 dias. >
Como a companhia diz que não apagará nenhuma conta caso os termos não sejam aceitos, usuários poderão fazer o download de seus dados e histórico. >
Não. O WhatsApp envia dados de usuários com o Facebook desde 2016. A empresa diz que a aceitação dos termos de serviço atualizados "não ampliará a capacidade do WhatsApp de compartilhar dados de usuários com sua empresa controladora". >
A única mudança diz respeito às mensagens com empresas. >
Os dados que já são compartilhados são informações de registro de conta, como número de telefone, dados de transações (Facebook Pay), informações sobre interação com empresas (não o conteúdo), dados do aparelho móvel e endereço de IP. >
Nos termos de serviço, o WhatsApp diz que também pode enviar outras informações, sem especificar quais, como as dispostas na seção chamada "Informações que coletamos". Essa seção inclui dados como nome do perfil, foto e mensagem de status, localização do dispositivo, cookies, entre outros. >
A empresa reforça que WhatsApp e nem Facebook podem, entretanto, ver informações sobre a localização compartilhada entre usuários. >
Procurado, o WhatsApp não comentou.>
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