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Aumento de impostos

Lula diz que, quando tenta tributar milionários, há 'rebelião'

Durante discurso a empresários do agro, presidente elogia Haddad e diz que não falta responsabilidade fiscal ao governo

Publicado em 01 de Julho de 2025 às 19:26

Agência FolhaPress

Publicado em 

01 jul 2025 às 19:26
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e criticou o que chamou de "rebelião" que ocorre quando o governo tenta elevar a tributação dos mais ricos.
"Quando a gente coloca que a pessoa ganha mais de R$ 1 milhão tem que pagar um pouco mais, é uma rebelião. Ou seja, nós estamos querendo que 140 mil pessoas paguem mais para beneficiar 10 milhões de pessoas", disse.
"Dá para fazer tudo isso sem dar um tiro, sem matar ninguém, sem precisar fazer greve geral. Sentando numa mesa, conversando. Para que esse país um dia tenha uma política fiscal justa. É difícil, muito difícil."
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante lançamento do Plano Safra
Presidente Lula durante lançamento do Plano Safra Crédito: RICARDO STUCKERT/PR
A declaração foi feita durante lançamento do Plano Safra Empresarial, voltado a médios e grandes produtores, para o biênio de 2025/2026, com um repasse de R$ 516,2 bilhões, um aumento de R$ 8 bilhões em relação à safra anterior.
O evento aconteceu uma hora depois de a AGU (Advocacia-Geral da União) recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para validar o aumento do IOF (Imposto sob Operações Financeiras), pauta derrubada pelo Congresso e de interesse da categoria. O imposto taxa principalmente públicos de maior renda.
O governo tem elevado o tom do discurso de "ricos contra pobres", no qual se apresenta como o ator que tenta fazer com que ricos paguem uma conta maior, mas encontra resistências do Legislativo. Lula voltou a criticar cobranças por responsabilidade fiscal por parte da gestão.
"Como alguém tem coragem de falar em responsabilidade fiscal no nosso governo?", questionou. "Vocês acham que as coisas que a gente faz é por interesses eleitorais? [Se fosse] a gente não ia fazer a reforma tributária, que não vai trazer nenhum benefício eleitoral em 2026", disse.
"Se vocês forem sinceros, vocês vão saber que a carga tributaria é menor do que em 2011. Porque o que a gente tá fazendo não é tentar aumentar imposto, mas fazer uma tributação mais justa, mais correta."
Lula afirmou ainda que já teria dito aos presidentes anteriores do Congresso Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Arthur Lira (PP-AL), e replicado aos atuais chefes das casas, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB), que "esse país vai ser o que a gente quiser que ele seja, é só a gente determinar".
"Ninguém está querendo tirar nada de ninguém, só queremos tirar os privilégios de alguns para melhorar a vida de outros", disse.
Haddad fez críticas no mesmo tom do presidente, questionando brigas ideológicas e setores do empresariado que demonstram preocupação com a economia mesmo diante de indicadores positivos.
"Vejo algumas pessoas dizendo assim: 'meu Deus, a economia vai bem, vai complicar para o nosso lado. De que lado nós estamos falando? É o lado do Brasil? São patriotas que estão pensando assim? Que quando economia está bem o país está indo mal?", questionou.
"Tem que parar com essa briga ideológica de dizer que o Plano Safra é menor do que o anunciado. Um país começa a ter problema quando a verdade incomoda. Quanto mais transparente nós formos com nosso sucesso, nós vamos nos reunir em prol de um Brasil grande e justo", declarou.
Governo e Congresso estão em um embate sobre o tema, com a gestão Lula tentando fechar as contas públicas com propostas que elevam a tributação do que vem chamando de "andar de cima".
Motta, por sua vez, diz que o clima entre os parlamentares não é favorável a aumento de impostos e impôs neste mês a derrota ao Executivo ao derrubar o decreto que aumentaria o IOF.
No evento de segunda (30), Haddad também fez falas em torno de justiça social. "Podem gritar, podem falar, mas chegou o momento de fazer justiça pelo Brasil", disse. Em suas falas, o ministro também criticou os chamados "jabutis" (jargão político em referência ao animal que só sobe se alguém o colocou ali, ou seja, por interesse de alguém) inseridos na legislação que beneficiam somente determinados empresários.

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