Publicado em 8 de julho de 2022 às 14:03
RIO DE JANEIRO - Puxada por alimentação fora de casa e planos de saúde, a inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), acelerou para 0,67% em junho, informou nesta sexta-feira (8) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na Grande Vitória, o indicador foi de 0,61% no sexto mês do ano.>
No caso do resultado no país, a variação até veio abaixo das expectativas do mercado financeiro. Na mediana, analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam alta de 0,71%. Em maio, o IPCA havia subido menos: 0,47%.>
Com a entrada dos novos dados, a inflação chegou a 11,89% no acumulado de 12 meses até junho. Nessa base de comparação, a alta havia sido de 11,73% até maio. No Espírito Santo, de acordo com o IBGE, a inflação acumula 11,55%.>
O resultado mensal foi influenciado pelo aumento nos preços dos alimentos para consumo fora do domicílio (1,26%), com destaque para a refeição (0,95%) e o lanche (2,21%), conforme o gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov.>
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"Nos últimos meses, esses itens não acompanharam a alta de alimentos nos domicílios, como a cenoura e o tomate, e ficaram estáveis. Assim como outros serviços que tiveram a demanda reprimida na pandemia, há também uma retomada na busca pela refeição fora de casa. Isso é refletido nos preços", afirmou.>
Segundo o pesquisador, outro fator que influenciou o resultado de junho foi o aumento nos planos de saúde (2,99%). Em maio, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) autorizou o reajuste de até 15,50% nas modalidades individuais, destacou o IBGE.>
O plano de saúde foi o maior impacto individual (0,10 ponto percentual) no IPCA do mês passado. Assim, impulsionou a alta de 1,24% no grupo de saúde e cuidados pessoais.>
Os outros oito segmentos de produtos e serviços pesquisados também tiveram alta de preços em junho. A maior variação foi do grupo de vestuário, com alta de 1,67%. O segmento teve 0,07 ponto percentual de contribuição.>
Já o maior impacto entre os grupos (0,17 ponto percentual) veio de alimentação e bebidas. A alta foi de 0,80%, puxada pelo consumo fora de casa.>
A escalada da inflação ganhou forma ao longo da pandemia devido a uma combinação de fatores.>
Houve aumentos em preços administrados, como combustíveis e energia elétrica, carestia de alimentos e ruptura de cadeias globais de insumos da indústria.>
A pressão inflacionária no Brasil foi intensificada pela desvalorização do real em meio a turbulências na área política.>
No primeiro semestre de 2022, o cenário teve o impacto adicional da Guerra da Ucrânia. O conflito pressionou ainda mais o petróleo e parte das commodities agrícolas no mercado internacional.>
Em meio a esse contexto, a Petrobras promoveu reajustes na gasolina e no óleo diesel nas refinarias em 18 de junho, gerando reflexos sobre os preços ao longo da cadeia produtiva.>
O aumento fez o presidente Jair Bolsonaro (PL) intensificar os ataques contra a estatal às vésperas das eleições.>
A inflação é vista por membros da campanha de Bolsonaro como principal obstáculo para a reeleição.>
Para tentar conter a carestia, o governo aposta em cortes de tributos federais e estaduais sobre combustíveis e outros itens.>
A definição de um teto de ICMS (imposto estadual), por exemplo, começou a provocar redução nos preços da gasolina nos últimos dias do mês passado.>
De acordo com economistas, cortes de tributos trazem um viés de baixa para as projeções do IPCA neste ano, mas há risco de a perda de receitas gerar uma espécie de bomba fiscal, com impactos negativos sobre a inflação mais à frente.>
O BC (Banco Central) vem aumentando os juros devido à escalada dos preços. O efeito colateral é a dificuldade para a recuperação do consumo das famílias e dos investimentos produtivos das empresas.>
O IPCA está em dois dígitos no acumulado de 12 meses desde setembro do ano passado. Assim, caminha para estourar a meta de inflação perseguida pelo BC pelo segundo ano consecutivo.>
Em 2022, o centro da medida de referência é de 3,50%. O teto é de 5%. Por ora, economistas enxergam o índice abaixo de 10% até dezembro, mas ainda distante da meta.>
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