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Guerra comercial

Há limite para briga com o governo americano, diz Lula

Em evento em Brasília, presidente diz que não quer confusão: 'Agora, não pensem que temos medo. Não temos'
Agência FolhaPress

Publicado em 

03 ago 2025 às 17:02

Publicado em 03 de Agosto de 2025 às 17:02

O presidente Lula (PT) disse que há limites na negociação da sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil, e demonstrou preocupação com a relação diplomática com o país.
"O governo tem que fazer aquilo que ele tem que fazer. Por exemplo, nessa briga que a gente está fazendo agora, com a taxação dos Estados Unidos, eu tenho um limite de briga com o governo americano. Eu não posso falar tudo que eu acho que eu devo falar, tenho que falar o que é possível, porque eu acho que nós temos que falar aquilo que é necessário", disse.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva Crédito: RICARDO STUCKERT/PR
"Não queremos confusão. Quem quiser confusão conosco pode saber que nós não queremos brigar. Agora, não pensem que nós temos medo", reforçou.
Lula também voltou a dizer que está "tranquilo" em relação ao ponto de vista econômico, mas reconheceu o problema com os EUA na esfera diplomática.
"Não somos uma republiqueta. Tentar colocar um assunto político para nos taxar economicamente é inaceitável. Eu acho que o presidente da república pode taxar o que quiser, mas a gente aumenta por máximo que a OM (Organização Mundial do Comércio) permite, de 35%, e agora ele extrapolou os limites, porque ele quer acabar com o multilateralismo", declarou.
O presidente também referiu-se ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que pediu licença do mandato para ficar nos Estados Unidos, onde tem feito articulações para ter o apoio americano na anistia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta processos na justiça brasileira.
Desde que Trump anunciou uma sobretaxa de 50% ao Brasil, Eduardo tem pedido a anistia para o pai para que a medida seja revogada. Os enfrentamentos de Bolsonaro no judiciário brasileiro foi tratado como perseguição política na carta em que o americano anunciou as medidas.
"Veja que tem um cara que fazia campanha abraçado na bandeira nacional e agora tá indo nos Estados Unidos se abraçar a bandeira americana para defender taxação e pedindo pra anistiar o pai dele", disse.
As declarações foram dadas durante a posse de Edinho Silva como presidente do PT, junto aos demais membros eleitos para o diretório da sigla. O evento ocorreu em Brasília, como parte das cerimônias do último dia do Encontro Nacional do PT, iniciado na sexta-feira (1º).
Ao mesmo tempo, ocorrem pelo país manifestações bolsonaristas em apoio ao ex-presidente e contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, também alvo de retaliações americanas.
O governo dos EUA aplicou sanções econômicas a Moraes, por meio da aplicação da Lei Magnitsky -- sob alegações de censuras por parte do ministro à liberdade de expressão .
Antes dos discursos, no auditório do evento, era reproduzida uma música com um remix da fala de Lula imitando Eduardo Bolsonaro, em que o presidente diz "defende meu pai, defende meu pai", em alusão às defesas de Eduardo a Jair Bolsonaro. A imitação do presidente foi feita durante uma entrevista à televisão, e se tornou um viral nas redes desde então.

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