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Guedes quer arranjo mais favorável para a União em pacto com Estados

Guedes quer arranjo mais favorável para a União em pacto com Estados

Ministro da Economia quer renegociar novo pacto federativo que tramita no Congresso, por conta dos gastos decorrentes da pandemia

Publicado em 14 de julho de 2020 às 20:28

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Os gastos decorrentes da pandemia do coronavírus levaram o governo a reabrir negociação com estados e municípios para tornar o novo pacto federativo que tramita no Congresso mais vantajoso para a União.

Ministro da Economia, Paulo Guedes
Ministro da Economia, Paulo Guedes. (Wilson Dias/Agência Brasil)

Segundo o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues Jr, as primeiras conversas da equipe de Paulo Guedes devem ocorrer nesta quarta-feira (15) em reunião com os secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal.

"A PEC [Proposta de Emenda Constitucional] terá de ser repensada por conta da Covid", disse o secretário em videoconferência nesta terça-feira (14).

Sem apresentar muitos detalhes, o secretário disse que o governo vai discutir com os senadores aspectos das PECs que tratam, por exemplo, do congelamento de despesas com pessoal e os repasses da União aos entes.

Waldery disse que essas discussões terão como pano de fundo os repasses de R$ 450 bilhões em 15 anos até que o novo pacto seja definido.

O secretário, no entanto, não explicou se a ideia é antecipar o final dos repasses aos entes.

Segundo técnicos que participam dessas discussões, a renegociação dos termos do pacto federativo seria uma forma de compensar a União pelo socorro emergencial aos entes federativos que, até o momento, gerou um déficit fiscal de R$ 826 bilhões, o equivalente a 12% do PIB.

Na segunda-feira (13), o governo pagou a segunda parcela da ajuda emergencial, totalizando R$ 30 bilhões, dos R$ 120 bilhões aprovados pelo Congresso no início de maio.

No balanço, apresentado pelo secretário, 74% dos R$ 60 bilhões foram destinados aos estados e 26% aos municípios, seguindo critérios estabelecidos pela legislação.

No total, as regiões que mais receberam recursos foram Sudeste (54%), Nordeste (17%), Sul (13%), Centro-Oeste (9%) e Norte (8%).

Da ajuda direta para a saúde (R$ 30 bilhões), a maior parcela foi para o Sudeste (40% do total), seguido pelo Nordeste (23%), Sul (15%), Centro-Oeste e Norte (11% cada região).

Durante as negociações com o Congresso, as bancadas dos estados queriam que a distribuição dos recursos respeitasse a lógica da perda de arrecadação do ICMS, um imposto estadual que é o motor da receita de cada estado.

A União conseguiu garantir que esse critério não fosse adotado. Mesmo assim, em alguns casos, os recursos repassados ultrapassaram as perdas de arrecadação com o tributo, caso de Amapá (163%) e Roraima (104%).

Outro reforço para estados e municípios foi a suspensão temporária do pagamento de dívidas com a União, em um montante de R$ 32,6 bilhões. Esses pagamentos, segundo o secretário Waldery Rodrigues Jr., serão retomados a partir de 2022.

Em muitos casos, essa medida foi um fôlego de caixa. Os pagamentos do Rio de Janeiro representariam 145,5% de sua receita corrente líquida (ou seja: não haveria caixa para isso). No Rio Grande do Sul, a suspensão representaria 87,9% da receita. Em Minas Gerais, 75,5%.

SUBSÍDIOS

Como contrapartida do aumento de gastos com o socorro emergencial, o secretário também apresentou o balanço dos gastos da União com subsídios.

Em 2019, os subsídios públicos foram de R$ 348 bilhões (4,8% do PIB), em valores nominais. Esse resultado foi dois 2 percentuais acima de 2018, quando os gastos com subsídios representaram 4,6% do PIB. Considerando a inflação do período, praticamente não houve variação.

O que contribuiu para o aumento nominal dos subsídios no ano passado foi um ajuste contábil nas contas do FAT (Fundo de Amparo do Trabalhador).

"Com a contabilização de créditos tributários a receber e dívida ativa relacionada a Contribuições PIS/PASEP, o valor dos subsídios financeiros e creditícios teria totalizado R$ 38,0 bilhões em 2019 (0,5% do PIB), contra R$ 48,9 bilhões em 2018 (0,7% do PIB)", disse o secretário Nelson Leite Paes. Essa diferença equivale a quase R$ 11 bilhões.

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