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Irregularidades na varejista

Ex-CEO das Lojas Americanas é preso na Espanha, diz colunista

Além do inquérito pelos crimes de uso de informação privilegiada, manipulação de mercado, fraudes contábeis e associação criminosa, Gutierrez é alvo de investigação sobre lavagem de dinheiro

Publicado em 28 de Junho de 2024 às 11:13

Redação de A Gazeta

Publicado em 

28 jun 2024 às 11:13
A polícia espanhola prendeu o ex-CEO das Lojas Americanas Miguel Gutierrez, nesta sexta-feira (28), segundo a colunista de O Globo, Malu Gaspar. A detenção do executivo, alvo de mandado de prisão pela Operação Disclosure da Polícia Federal, aconteceu em Madri.
A PF, ao pedir a prisão preventiva, alegou que Gutierrez se desfez de bens, entre eles imóveis e veículos, e enviou valores a offshores sediadas em paraísos fiscais.
As informações são citadas pelo juiz Márcio Carvalho, responsável por autorizar a prisão do ex-CEO e da ex-diretora Anna Saicali na operação que investiga as fraudes contábeis que deram origem ao rombo na empresa estimado em mais de R$ 25 bilhões.
O ex-CEO, que tem também cidadania espanhola, e a ex-diretora, que foi para Portugal no último dia 15 de junho, foram incluídos na difusão vermelha da Interpol.
Miguel Gutierrez, ex-CEO da Americanas foi preso na Espanha após a Operação da Polícia Federal
Miguel Gutierrez, ex-CEO da Americanas foi preso na Espanha após a Operação da Polícia Federal Crédito: Reprodução
Além do inquérito pelos crimes de uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e associação criminosa, Gutierrez é alvo de investigação sobre lavagem de dinheiro.
A defesa do executivo afirmou que não teve acesso aos autos das medidas cautelares e por isso não tem o que comentar. Os advogados afirmam que "Miguel reitera que jamais participou ou teve conhecimento de qualquer fraude e que vem colaborando com as autoridades, prestando os esclarecimentos devidos nos foros próprios".
Para a PF, um dos motivos da prisão é que o crime de lavagem de dinheiro ainda está ocorrendo com o objetivo de "ocultação patrimonial".
Outro motivo é a suposta tentativa de fuga. Segundo a PF, Gutierrez deixou o Brasil em 29 de junho de 2023, após instauração do inquérito pela PF e depois da criação da CPI sobre o tema no Congresso.
E-mails e anotações encontradas em um iPad, diz a PF, mostram que Gutierrez criou um "engenhoso esquema societário, com diversas remessas de valores a offshores sediadas em paraísos fiscais".
"As anotações do iPad também demonstram a preocupação de Miguel Gutierrez em blindar o seu patrimônio após deixar seu cargo de diretor presidente das Americanas, sabedor que o escândalo iria explodir", diz a PF.
O "plano" de Gutierrez, diz a PF, consistiu em transferir todos os imóveis que estavam em seu nome para empresas ligadas a familiares e enviar valores a empresas ligadas a ele e a seus familiares no exterior.
"Foram encontradas anotações que ilustram o esquema societário com remessas de valores, empréstimos e doações entre as empresas ligadas a Miguel Gutierrez".
Em um e-mail, a PF encontrou informações sobre uma transação de US$ 1,5 milhão com uma empresa sediada em Nassau, nas Bahamas.
Trecho da decisão do juiz, citando a PF, afirma: "Dessa forma, segundo a Autoridade Policial, 'Miguel Gutierrez planejou e está executando seu desafio, visando a uma possível blindagem patrimonial através de transferências de capitais, bens móveis e imóveis'".
Para o juiz do caso, a "extensa documentação que ilustra a petição inicial é bastante contundente" para autorizar a prisão.
O magistrado, no entanto, afirma que em princípio não pretendia conceder o pedido de prisão feito pelos investigadores, "porém os fortes indícios de evasão de Miguel Gutierrez do país na tentativa de se furtar à aplicação da lei penal não deixam qualquer outra alternativa". A situação poderia ser revertida se houvesse a apresentação espontânea, o que não aconteceu.
O rombo nas contas da Americanas foi revelado no início de 2023, quando a empresa informou ao mercado inconsistências contábeis da ordem de mais de R$ 25 bilhões, levando a varejista a entrar em um processo de recuperação judicial.
Estudos produzidos pela própria companhia apontaram que as inconsistências eram, na verdade, fraudes contábeis cometidas por ex-funcionários da rede varejista.
Ao informar à CVM, em novembro de 2023, o quarto adiamento da divulgação das demonstrações financeiras de 2022 e da revisão do balanço de 2021, a empresa afirmou que foi "vítima de uma fraude sofisticada e muito bem arquitetada, o que tornou a compilação e análise de suas demonstrações financeiras históricas uma tarefa extremamente desafiadora e complexa".
Com informações de Fabio Serapião e Lucas Marchesini (FolhaPress)
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