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Dólar passa a cair com Fed sinalizando juros baixos por período longo

A sinalização de que não haverá aumento de juros nos Estados Unidos ao menos até 2023 provocou mudanças na dinâmica dos mercados, com dólar acelerando queda no mercado internacional

Publicado em 17/03/2021 às 18h56
Atualizado em 17/03/2021 às 18h56
Dólar
Dólar teve queda nesta quarta-feira. Crédito: Arquivo - GZ

O dólar operou nesta quarta-feira (17) com dois movimentos distintos. Antes da reunião do Federal Reserve, prevaleceu a alta e a moeda chegou a tocar em R$ 5,68 em meio a novo aumento dos juros longos americanos. Após o encontro, tudo mudou e o dólar passou a cair e testar as mínimas do dia, em R$ 5,57. A sinalização de que não haverá aumento de juros nos Estados Unidos ao menos até 2023 e a declaração do presidente do Fed, Jerome Powell, de que a pressão inflacionária é temporária e que "aumento transitório" acima da meta não levará a mudanças de política monetária provocaram mudanças na dinâmica dos mercados, com dólar acelerando queda no mercado internacional, juros longos perdendo força e bolsas aumentando os ganhos. A expectativa agora é para o final da reunião do Banco Central, que pode ter o primeiro aumento de juros no Brasil em 6 anos.

No fechamento, o dólar à vista encerrou em queda de 0,59%, a R$ 5,5861. No mercado futuro, o dólar para abril caiu 0,71%, a R$ 5,5870.

"O Fed está nos dizendo que o cenário para a economia americana está melhor, mas para não nos preocuparmos muito com elevação de juros", comenta o economista do banco canadense CBIC Capital Markets, Avery Shenfeld. O BC americano elevou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto, melhorou a do desemprego, mas houve apenas leve mudança sobre a volta da elevação dos juros, com a maioria dos dirigentes prevendo aumento depois de 2023.

Powell afirmou que o Fed almeja inflação acima de 2% "por um tempo" e que não é o momento agora para se discutir retirada de estímulos monetários. "Métricas mostram que política segue acomodatícia, o que é apropriado", disse o presidente do Fed. Com essas declarações e o comunicado da reunião, as taxas de retorno (yields) dos juros longos americanas passaram a cair, no caso do título de 2 anos, e desaceleram as altas, nas demais. O dólar acompanhou o movimento e passou a cair ante divisas fortes e acelerou a queda nos emergentes, com perdas acima de 1% no México e África do Sul.

Passado o Fed, as atenções se voltam agora para a reunião do Copom, que termina pouco depois do fechamento do mercado. A expectativa é de elevação de 0,50 ponto porcentual na Selic, mas há que não descarte alta maior, de 0,75 ponto. Para a analista de moedas do Commerzbank, Melanie Fischinger, qualquer coisa abaixo de 0,50 ponto seria visto como decepção pelo mercado e teria efeito negativo no câmbio.

Apesar dos juros voltarem a subir, o que é positivo para o real, Fischinger observa que o cenário no Brasil ainda é muito incerto A aceleração de casos de covid deve aumentar a pressão por mais gastos do governo, mesmo com o auxílio emergencial de quatro meses aprovado com a PEC Emergencial. Há risco de mais medidas populistas por Jair Bolsonaro e a inflação não dá mostras de estar cedendo, ressalta ela.

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