Publicado em 29 de dezembro de 2023 às 12:36
RIO DE JANEIRO - A taxa de desemprego do Brasil recuou a 7,5% no trimestre até novembro de 2023, apontou nesta sexta-feira (29) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O indicador é o menor para esse período desde 2014, quando marcava 6,6%.>
O novo resultado veio em linha com as expectativas do mercado financeiro. Na mediana, as projeções de analistas consultados pela agência Bloomberg era de 7,5% até novembro deste ano.>
O desemprego estava em 7,8% no trimestre encerrado em agosto, o mais recente da série histórica comparável da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).>
Com o novo resultado, a população desempregada no Brasil ficou em 8,2 milhões até novembro. O número era de 8,4 milhões nos três meses imediatamente anteriores.>
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Sob olhar das estatísticas oficiais, a população considerada desempregada reúne pessoas de 14 anos ou mais que estão sem trabalho e que procuram oportunidades. Quem não está buscando vagas, mesmo sem estar ocupado, não faz parte desse contingente.>
Outro destaque apontado pela Pnad veio do aumento da população ocupada com algum tipo de trabalho, que voltou a bater recorde no país. Até novembro, o contingente foi estimado em 100,5 milhões, o maior desde o início da série histórica, em 2012.>
Isso significa um crescimento de 0,9% (ou mais 853 mil pessoas) ante agosto (99,7 milhões). A população ocupada já havia ultrapassado a barreira dos 100 milhões no trimestre até outubro (100,2 milhões), que integra outra série da Pnad.>
Conforme o IBGE, a queda da taxa de desocupação até novembro é explicada pela expansão do número de ocupados, seja em vagas formais ou informais.>
Do crescimento de 853 mil ocupados, o maior grupo (515 mil) foi absorvido pelo mercado de trabalho na condição de empregado no setor privado com carteira assinada. Com o aumento, essa parcela chegou a 37,7 milhões no trimestre até novembro.>
O número de 37,7 milhões é o maior para os empregados com carteira no setor privado desde o início da série histórica comparável da Pnad, em 2012. Mas, em uma análise mais ampla, considerando as três diferentes séries de trimestres móveis que compõem a pesquisa, o contingente ainda é inferior ao verificado nos três meses encerrados em junho de 2014 (37,8 milhões).>
Além do aumento das vagas formais, o IBGE também constatou crescimento da população ocupada de maneira informal. No trimestre até novembro, esse grupo de trabalhadores, que atuava sem carteira ou CNPJ, chegou a 39,4 milhões, o que significa 416 mil a mais ante agosto (39 milhões).>
Conforme o IBGE, o contingente de informais é o maior de toda a Pnad Contínua. A série histórica desse indicador teve início em 2016.>
A taxa de informalidade, que mede o percentual de informais em relação à população ocupada total, foi estimada em 39,2% até novembro, após marcar 39,1% até agosto. O percentual, ao contrário do número absoluto, não é recorde. A maior taxa de informalidade da série comparável foi registrada antes da pandemia, no trimestre até agosto de 2019 (41%).>
Entre as atividades econômicas, a indústria teve a maior expansão, em termos absolutos, do número de ocupados no trimestre até novembro, ante o período finalizado em agosto. O contingente de trabalhadores nessa atividade registrou acréscimo de 369 mil, para 12,9 milhões.>
O comércio, por sua vez, ficou praticamente estável em 19 milhões, mesmo com os eventos de final de ano como a Black Friday e a preparação para o Natal e o Ano Novo. Em novembro, a Black Friday frustrou expectativas de varejistas.>
Além das vendas fracas, outro fator que pode ter freado as contratações nas lojas é o avanço do varejo eletrônico após a pandemia, avaliou Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas por amostra de domicílios do IBGE.>
"Pode ser que o crescimento expressivo do consumo digital, principalmente após a pandemia, esteja influenciando modalidades que diferem um pouco daquela tradicional, de consumo presencial, em estabelecimentos físicos. Pode de alguma forma estar tirando pessoas de comércios, lojas, mercados, magazines.">
Com o aumento da população ocupada para 100,5 milhões, o nível da ocupação subiu a 57,4% no trimestre até novembro, após marcar 57% até agosto. Trata-se do percentual de pessoas trabalhando em relação à população total de 14 anos ou mais.>
Apesar de a população ocupada ter registrado recorde em termos absolutos, o nível da ocupação não é o maior da série histórica. Esse indicador já chegou a 58,5% no final de 2013.>
Conforme o IBGE, a renda do trabalho da população ocupada voltou a subir no trimestre até novembro deste ano. O rendimento real habitual chegou a R$ 3.034 no período.>
Isso representa crescimento de 2,3% ante agosto (R$ 2.967) e de 3,8% em um ano, na comparação com igual intervalo de 2022 (R$ 2.923).>
Como mostrou a Folha, o mercado de trabalho deve perder ritmo em 2024, após o desempenho aquecido de indicadores de emprego e renda em 2023, dizem analistas. A perspectiva está associada à previsão de crescimento mais baixo da atividade econômica no próximo ano.>
No trimestre móvel até outubro, que integra outra série da pesquisa do IBGE, a taxa de desemprego já marcava 7,6%. O número de desocupados estava em 8,3 milhões no mesmo período.>
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